Relatos diversos I

O que é um homem sem a solidão? Sem a paixão que o arremessa de cabeça em outro mundo?

Todo homem ama e se não ama é por que já amou.

Todo homem sente em si o desejo de acompanhar, de fazer feliz e se não sente é por que já sentiu.

A dor de um homem pode aparecer como uma ferida exposta que demora a coagular, ou até mesmo pode ser rara e nunca vista em lugar nenhum, mas o fato é que ela existe.

A dor pinta a poesia tanto quanto a alegria, é preciso rir tanto quanto chorar, saber que tudo passa até mesmo a maior das desgraças ou a mais forte das ressacas.


(...)



Relatos diversos II

A noite agora me ilumina, aumenta a criatividade para criar novas perversões, novas saídas para o estado caótico e deturpado do meu desejo inconfessável, é a noite que se revela irmã, mulher e inimiga e a mesma noite que ajuda na contaminação de mentes puras como a minha.

Eu trocaria a noite por você, largaria meu escudo implacável, mas a trairia movido pela força dela, amaria as duas em uma só cama, a noite e você, me doaria ao extremo para saciar tua sede e com a minha sede saciar a da noite.


(...)



Relatos diversos III

Uma ligação me chamando para sair, nem deu para dizer que o cansaço era maior, esse calor que vêm às vezes e que sempre me diz para onde ir.

Uma dose num bar sujo, num copo nem tão limpo, numa mesa a dois, um gole, uma tontura, a vontade de algo mais, eu que satisfeito, enfim terminei como comecei, voltei pro mesmo lugar onde recebi a ligação, amanhã eu esqueço enquanto hoje eu finjo entender, um aperto na voz, sair sem olhar para trás.

Ao menos a conta dá para pagar.


(...)



Relatos diversos IV

Com uma decisão e várias dúvidas ele decidiu se estabelecer naquela velha casa, ali se esperava encontrar um grande vazio devido ao tempo de abandono, mas o que ele encontrou foram rastros de vidas longínquas, teias imensas de aranhas antigas cobriam com seus véus a mobília envelhecida, a poeira em demasia possuía todos os cômodos, o teto ameaçava oscilar bastante e enquanto durasse o vento, mas dentro dele algo o obrigava a ficar ali e era como que de repente apareceria uma imagem divina de alguém que não virá.


(...)


Relatos diversos V

O suor escorrendo pelo corpo, sua sedução me tateando dos pés a cabeça, um momento a menos quando o próprio momento passa, um ser envolto de loucura e prouver, um ser que sente falta quando a loucura passa e o prazer se enlouquece.

Era-se o tempo de bonança, entra-se o tempo de hibernação, talvez o carinho armazenado não tenha sido o suficiente para esse inverno que virá, mas tudo se repete mais uma vez, já deveria estar acostumado, ao menos não serei possuído.


(...)



(jefferson dos santos)

Feliz o dia em que ele a encontrou, que belo dia, tanta quimera, tanta sobriedade.

Muitas alternativas poderiam levá-los por caminhos diversos, mas foi uma escolha, a única saída para um propósito eterno.

Um dia como esse...

Talvez eu tenha esperado mais do que devesse, já que minha obrigação com as coisas injustas da vida não interessam mais.

Uma noite e mais nada...

Se a ele dessem o direito a mais uma dose, talvez por uma dor qualquer, ele se perderia de vez em sua existência.

Quando um termo científico se familiariza com a subjetividade da incoerência humana e as raízes de uma jovem tradição que ainda floresce nos termos devidos da civilidade decidem se chocar, é nesse momento vulcânico que as cicatrizes se concretizam.

O apagador de memórias descarregou, terei de conviver com as lembranças, não que eu queira esquecer, mas sim compreender e tirar disso tudo toda essa vontade de por meus planos em ação.

Eu fico tão perto, querendo ficar ainda mais próximo, como uma colisão entre planetas, mas a sua orbita ao se juntar com minha fraqueza criam um campo magnético que ainda não consegui vencer.

Eu quero e quero com urgência, preciso e sofro sem isso, mas os dias continuam a apertar-me, oprimindo-me em meu lugar, mantendo-me numa distancia tão desnecessária que no dia que tudo isso explodir haverá estilhaços para todos os lados e uma cratera enorme se abrirá entre nós.

Lá se vai mais um dia!



(jefferson dos santos)

Veio-me a lembrança que eu mais quis esquecer.

Senti novamente como se a dor tivesse voltado.

Foi igual a quando abri os olhos e vi que estava só.

A vontade de falar como nos velhos tempos.

A ternura rasgada por uma fina navalha de preconceitos.

Tempo em que fazer planos era magnífico, e as horas tinham solidez.

Mas um vazio pairou, uma chama se apagou e todos usaram isso para comprovar suas previsões maquiavélicas e estupidamente encobertas por falsos dogmas que até hoje não consigo aceitar ou ao menos sequer admitir.

E de novo eu percebo que tudo ressurgi dentro de mim, é só remexer nesse armário velho e a coisa toda me envolve impulsivamente sem controle.

As musicas daquele tempo não posso ouvir mais.

Fiz uma lavagem memorável nas lembranças boas, mas não tive coragem de jogá-las fora, a única saída foi guardá-las longe o mais necessário possível.

Toda vez que você lembra eu tento continuar esquecendo, dói em mim e em você também, mas se você não lembrar, quem vai?

Um texto triste e uma certidão de inesquecível é o que tenho no intimo daquele a que não conheço mais.

Não tive muito o que rasgar, e quando uma das poucas lembranças finalmente foi perdida, renasce como uma fênix toda essa quimera largada por motivos medíocres.

Se confuso eu ainda sigo, é somente pelos mesmos problemas que desisti de entender.



(jefferson dos santos)

Lisongildo e a saga dos corneteiros


No meio do mês de janeiro
Ou será que em fevereiro?
Não lembro bem do roteiro,
Doze meses num ano inteiro,
Mas um fato é verdadeiro
Lisongildo o corneteiro
Filho de Ziléu padeiro,
Neto de Mazé leiteiro,
Tataraneto do bairro inteiro
Nasceu num dia primeiro,
Num ultimo e derradeiro,
Toque de um corneteiro.

Sua casa numa colina
Bem no alto de uma favela
Em sua modesta família
Dezesseis para uma panela
Em sua mente fortuita
Sair daquela mazela.

Era feio e introvertido
Realçando o seu valor
Convicto e estarrecido
Era um homem brigador
Baixo, mago e preparado
De apanhar ele cansou.

Desistiu da dura vida
De ganhar pro perdedor
Decidiu fazer bem feito
Evadiu do interior
Foi-se embora para cidade
Para virar trabalhador.

Gildonliso assim chamaram
Aquela alma moribunda
Vinda do norte da peste
Que juntando da nordeste
Para lutar até a morte
E voltar com um pé na bunda.

De servente a engraxate
Mecânico, empeleitero
Sodador, guarda corrupto
Ajudante de paneleiro
Officeboy, secretário
Traficante, açougueiro.

Personal e treinador
Alfaiate, apertador
Meia-boca, pé-de-sola
Balconista e vendedor
Esmoler e tecnólogo
Carteiro e matador.

Escrivão e agiota
Ladrão e corretor
Salafrario de uma figa
Político, mediador
Sanfoneiro, radialista
Taxista, seqüestrador.

Arquiteto, carpinteiro
Ferreiro, maquinista.
Padre e camponês
Carroceiro, economista
Designer, pasteleiro
Trambiqueiro, ambientalista.

Arquivista, faxineiro
Pipoqueiro, aviador
Não há nenhuma área
Na qual não trabalhou
Gildonliso fez de tudo
E de nada ele gostou.

Já pensava num final
Para sua triste condição
Trabalhar sem ter prazer
Ao exercer uma profissão
Faltava algo importante
Que fizesse com paixão.

Decidiu pedir umas férias
Para mente clarear
Queria voltar um homem novo
Pronto pra trabalhar
Mas queria um bom trabalho
Do qual pudesse amar.

Aproveitando uma boa folga
Viajou pro interior
Lá teve festa e algazarra
Que ele até se emocionou
Teve banda e até desfile
E todo mundo se alegrou.

Com o retorno do conterrâneo
Que do sul foi explorador
Aquele dia ficou na história
Vida longa ao vencedor
E levado pela euforia
Lisongildo se encantou.

Tinha trono e uma coroa
Tinha até um fogueteiro
Tinha gente de todo canto
Vieram do mundo inteiro
Homenagens e cerimônias
E uma banda de corneteiros.

Ele mesmo não sabia
O porque de tanta festa
Que povo tolo e sem noção
Dar valor a quem não presta
Pois nada eu consegui
Nenhum centavo me resta.

Mas agora já era tarde
Só podia apreciar
Aquele povo abestalhado
Que nele queriam tocar
Só porque ele, coitado
Do sul conseguiu voltar.

Pois a fama que vem de lá
Não é muito boa não
Quem vai nem sempre volta
E se perde na contramão
Lá é terra de rei caolho
Que perdeu uma das mãos.

Mas a festa continua
E ele não podia parar
Decidiu ficar quieto
E ver a coisa andar
E a festa teve inicio
Sem saber quando acabar.

Houve discurso e puxa-sacos
Amigos interesseiros
Que usaram a sua fama
Por motivo eleitoreiro
Mas o auge de toda festa
Era a banda dos corneteiros.

A cidade se calou
Era a vez dos corneteiros
Todo mundo se ajeitou
Para assistir o show inteiro
E no toque de uma corneta
Veio o som mais verdadeiro.

Aquilo tocou-lhe a alma
Nunca ouviu coisa tão bela
Era um som maravilhoso
De uma melodia singela
E uma lágrima desceu a face
E a enxugou com uma flanela.

Seu coração estava mudando
A cada canção que ele ouvia
Algo em si estava feliz
Explicar já não podia
Já podia até imaginar
Preencher uma vida vazia.

E num toque milagroso
De uma nota bem tocada
De sobressalto ele gritou:
"-Minha vida está mudada
Já fiz muitas coisas boas
Mas nunca me levei a nada

E agora eu sinto em mim
Um amor tão verdadeiro
Vou deixar todas as coisas
Desse mundo rotineiro
E agora serei feliz
Vou virar um corneteiro.

Com o toque de uma corneta
Minha alma foi preenchida
Sinto em mim uma esperança
Vou colorir a minha vida
Preencher o mundo inteiro
Com lindas notas coloridas."

Lisongildo estudou muito
Aprendeu o que precisava
Ganhou o mundo todo
Fazendo o que mais gostava
De tudo que era belo
Era só pedir que ele tocava.

Por muito tempo viveu
Alegrando o mundo inteiro
Incansável e apaixonado
Pelo amor verdadeiro
Essa é a historia de Lisongildo
O maior dos corneteiros.


(Jefferson dos santos)

VALE DE VERTENTES


Quando ficar sabendo que a vida nunca deixará de ser única e que não poderá voltar atrás para tentar fazer todas as loucuras que pensou em fazer, perdendo oportunidades e evitando errar, sentado num sofá-cama com um controle quebrado do lado, uma TV com no máximo cinco canais abertos e um excluído, com uma coceira gostosa na região dos testículos, com um ar de derrotado (mas como derrotado se você nunca foi à luta?), com uma esposa insuportável que mal consegue atrair sua atenção, lembre-se nesse dia que seu seguro de vida não cobre suicídios e que a melhor saída é recomeçar, mesmo que o tempo pareça menor agora, mesmo que ninguém se importe com a sua capacidade de fazer novas escolhas, ainda se aquele amigo que você tanto odeia passar ao teu lado pilotando um BMW que você não sabe, mas ele não dirá que trabalha num lava-jato e foi entregar o carro de um cliente, até mesmo quando a chuva insistir em cair apenas com o propósito maligno de te molhar, quando um pneu do seu carro velho furar e você perceber que ficou sem o reserva e que também não há borracharia na região, sem contar que a via em que seu carro estar é conhecida por ser uma via de inúmeros assaltos a mão armada seguidos de assassinatos e você pensa que pelo menos sua esposa não será estuprada, já que ninguém teria coragem suficiente de encarar o produto, quando o doutor lhe disser que seu mal não tem cura, quando o cobrador disser que mês que vem ele volta, quando o fornecimento de energia elétrica for suspenso por falta de pagamento, quando o gato de água for descoberto e um processo medonho for aberto contra você, quando a casa precisar de uma reforma, quando você precisar de um tênis novo e barato, quando o tédio bater num sábado a noite e você estiver sem animo algum para se divertir, quando o horário político começar a encher sua noite de perversões, quando uma dor forte apertar do lado e você começar a pensar em quantas pessoas ficariam tristes com sua morte e perceber que para a grande maioria sua morte não passará de um acontecimento corriqueiro, seu seguro funerário demorar a liberar o dinheiro devido a uma clausura do contrato, sua amante ir ao enterro para declarar sua traição, seu caixão sendo largado numa valeta e dentro dele vários boletos em atraso, quando sua alma finalmente se silenciar e a paz enfim chegar, e que a lembrança de que você existiu ressurja quando uma carta de cobrança chegar atrasada avisando que você continuará devendo durante mais algum tempo para que assim sua alma não possa descansar em paz. Talvez aí você acorde de uma soneca num fim de tarde, numa rede macia, numa arejada varanda e se dê conta de que a vida é um vale de vertentes que pode desabar a qualquer momento desde que você não tenha medo de encará-lo.



(jefferson dos santos)

A solidão desemboca na liberdade...


Emplastos devoluptos estúpidos, currantes porfalicos medíocres, canastras atéias famintas, celofanes idiotas e piropteros insignificantes, catatéias depravadas, anciãs dessa desgraça e da vergonha cética, corpos à deriva nesta lama pútrida de carências.

E aqui estou a desencadear marolas de cansaço, sentindo algo que imensamente preferiria não sentir, mas lembro de quem magoei quando a muito não sabia dar valor, das vezes que errei por alimentar uma chama que não havia em mim, por não interpretar com cautela todos os enigmas para por um fim nos pensamentos tolos e imaturos.

Pássaros tardes, avante retorno, sinais urbanos desse som que amo, amor vazio pelo som urbano, alguns entre tantos no meio do nada são poucos, vozes eclípticas que não tardam pássaros, confundi-me, recrutam-me, queimem-se, pois há pelo que lutar nas ruas, lutem pelo silencio que lhe é de direito, enfeitem suas janelas de distração.

- E aí?

- O que?

- Ontem, lá.

- Ah! Ontem?

- É.

- Nada demais, só um vazio e em seguida um clarão.

- Só?

- Na verdade é difícil descrever, não lembro de muita coisa, sei que eu estava sentado tomando um café, quando começaram a gritar, os gritos viam de algum lugar muito longe e eram trazidos pelo vento tão rápidos que pareciam efeitos de algum sintetizador imitando um assovio desesperado, depois só consigo lembrar de uma forte explosão e mais nada.

- Ouvi dizer que vai se repetir.

- Eu duvido que efeitos como aqueles possam se repetir.

- Mas disseram no jornal...

- Que se dane a droga de jornal, e que se dane você também, se achou interessante que aquilo tenha acontecido, então espera o dia que você vai ficar cara a cara com aquilo, aí você pode vim me dizer que não consegue nem lembrar do que fez um dia antes daquela porra ter voltado.

- Mas dizem que é o começo do fim!

- Que se dane, vá à merda quem disse isso, aquilo foi o fim, acabou, a aniquilação já aconteceu, acorde, você já não é mais quem você deixou de ser!

- Você deve ter batido a cabeça, nunca pensei que um dia pudesse dizer isso, mas você ta falando asneira.

- Então você acha que eu fiquei louco? Faça o seguinte, identifique-se no meio dos outros, tente chamar atenção de quem quer seja, ache um espelho e observe o espectro vazio que há entre o espelho e o reflexo do que há atrás de você, tente pelo menos sentir prazer, coma isso e me diga o que sente.

- Me parece bom, mas num tem gosto.

- Ótimo, e agora consegue entender?

- Oh não, me ajude, eu estou morto!

- Fico feliz que tenha compreendido.

- E o que eu faço agora?

- Nada, apenas esqueça o prazer.



(jefferson dos santos)

E aquele dom de pouco ser...

Atrocidades pela noite, sem nada para pensar, amar ou querer.

Pequenas depressões levam ao suicídio.

Não, é uma palavra muito intensa.

O que fazer quando as coisas engraçadas se tornam terríveis?

Já disse tudo que se podia dizer, esperando amadurecer-me acabei estragando e caindo ao chão.

Perdi as rimas no final das frases.

Caráter também é uma palavra intensa.

Roleta russa nas ruas, já não da mais pra ficar sossegado.

Falta mais chamadas importantes em meu celular, falta o que fazer numa segunda-feira a noite, faz falta sentir algo.

Distribuindo atenção aos objetos mais próximos, continuo sobrevivendo, me distraiu com botões e lanternas.

Arrumo muita saudade e nem sei onde larga-las.
Não faz sentido essa tristeza ao acordar na madrugada, um sonho vazio, mas que trás tantas lembranças ocultas.

Ela estava do lado de fora, soltou-se sem ajuda e esperou a noite toda chover para sentir frio, se não fosse a maneira como acordei, com certeza haveria espaço no calor do meu sono.

Mais um dia nublado, sem chuva nem sol, e o cronograma escorre semanas adentro.
Ir ou não sair, eis uma questão presente o tempo todo.

Sem frases ridículas fica difícil fazer observações.

Altitude, é assim que vou lembrar do seu nome e não é uma palavra sem noção, nesse caso é algo mais que uma palavra afetuosa.

Meu cabeleireiro deve ser psicanalista, minha cabeça sai mais leve de lá.

Ultimamente não posso falar muito, mas ando falando pelos cotovelos, já que meus calcanhares não falam.

Se tudo acima não faz sentido, então você está querendo me dizer que não poderei continuar sóbrio. Mas se por acaso tudo que eu disse faz algum sentido, talvez seja o sentido de que não sinto muita coisa e que devo voltar ao momento em que decide parar.



(jefferson dos santos)

O grande buraco azul do mar de belize





Uma bela Existência que eu descobri e resolvi compartilhar!!

“Que tal aproveitar as férias para visitar um buraco? Um mergulho no Grande Buraco Azul de Belize é uma experiência fascinante. Com mais de 300 metros de diâmetro, esse grande círculo azul-marinho pode ser visto até do espaço.

O Buraco aparece como uma imensa "bola" no meio do atol de Lighthouse Reef. A visão da mancha mais escura no meio das águas clarinhas é um pouco assustadora. Saber que o Buraco tem 125 metros de profundidade também não ajuda muito, mas calma. O local é atração turística, então há muitas operadoras que levam visitantes para mergulhar por ali com segurança.

Em tempos remotos, o Buraco era uma caverna. Com a subida do nível dos oceanos a cobertura da caverna acabou cedendo e a parte interna permaneceu submersa. Ao mergulhar ali o turista tem uma bela visão de parte da riquíssima barreira de corais de Belize, a segunda maior do mundo (atrás somente da australiana). Os corais ornamentam as bordas do buraco deixando somente dois canais, por onde entram e saem os barcos que levam mergulhadores.

Os corais ainda se fixam nas paredes do buraco até uma profundidade aproximada de 15 metros, depois começam a rarear e sobram só as estalactites, herança dos tempos de caverna.

Toda a região do Buraco merece uma visita. Os atóis são belíssimos e há muitos outros pontos de mergulho no local. Barcos saem a todo momento de Belize City, das Ilhotas de Ambergris ou Half Moon e de vários atois da região. Os que saem pela manhã até oferecem um lanchinho na ida. Geralmente o passeio dura um dia inteiro e inclui mergulhos no grande buraco azul e em áreas próximas repletas de corais e peixes.” Fonte: Site Terra

À Parte...


Quando você virá para preencher o vazio que sinto quando sonho?

Dessa vez eu talvez nem consiga esperar, possa ser que eu encontre qualquer coisa por aí e me sirva disso como passatempo, alimentando esse meu lado faminto já bastará para que eu espere em paz.

Eles prometeram que dessa vez iria ser mais vantajoso, mas não me disseram o quanto terei de esperar até que aconteçam as próximas horas.

Dessa vez, dessa vez, sempre dessa vez, nunca agora, nunca de imediato e não venha abrir aquele sorriso perguntando como estou, por que dessa vez estou de saco cheio de minhas respostas forçadas.

Estou pensando em deixar de escrever da forma como escrevo, sim, porque não se pode guardar-se pelo mínimo detalhe que aja, to cansado dessa minha opressão, desse meu silencio inescrupuloso, pois se quero, devo ir atrás com objetividade e ânsia (sede).

O outono vai chegar e minha meta ainda não foi alcançada, sim, eu também possuo metas e pretendo cumpri-las antes do meu tempo se encerrar.

Augustinianamente eu volto a pensar, como se a única maneira de pensar fosse por obrigação ou por sacrilégio, ao fato de que tudo não passa de uma diversão saudável, quando há meses atrás resolvi dar um passo a beira da minha realidade e cai numa queda gostosa e eterna, uma gargalhada presa de tão imensa, uma loucura passageira que se foi como qualquer ave sulina que retorna de onde se protege e aqui estou eu amparado por esta droga metafórica que continua a esmagar-me dias e noites afim.

Oh querida, oh querida Clementina...

O estéreo ligado numa música sem noção, uma cama vazia onde um corpo sonolento jazia, um abajur que com muito sacrifício pendurei no teto, uma andarela com luzes oscilantes, um pedestal, um homem no seu odinoque, platchando sua sede e sua decadência, se achando o único sofredor no manto terrestre, egoísta moderno, civilizado, não por escolha, mas por indicação, travestido de sombra e diabolicamente chateado com seu câncer na mão, assim simplesmente aceso, simplesmente mortal.

O desejo de te ligar mesclando-se com a vontade de ficar em casa, sair à noite preparado para uma seção horrorshow, e no entanto cansado e acabado.

Oh querida, oh querida Clementina...

Enfim o som pára e não sinto vontade de virar o disco, escolho continuar com o silencio, escolho não mais fazer escolhas insensatas, escolho manipular-me e deixar-me à deriva, sem âncoras, sem segredos, apenas guardado com as armas escondidas.




(Jefferson dos Santos)






“Vou dizer o que sinto sem querer dizer nada, acabar o barro e estancar as mágoas, ficarei logo ao lado numa casa pequena.”

Dizia um bilhete encontrado sobre a mesa.
Algo não lembrado havia sido feito, ou até mesmo algum mal entendido, mas o fato é que a condenação caia sobre si e aquele singular bilhete nem precisava de assinatura para reconhecer quem o escrevera. A verdade poderia ser encoberta e esquecida depois de certo tempo, mas eu preparei tanta coisa, me esforcei ao máximo para lhe agradar, me lembrei até por você, e ansioso fiquei pela espera e pelo desistir, ou talvez desistir e esperar.
Tive vontades nesses últimos tempos que me foram um surto de loucura e/ou cansaço.
Amanhã acordarei mais cedo e coloco na caixa do correio algo que me conforte:

“Mantive distancias das lembranças, estou imune aos mesmos horizontes e lúcido o bastante para me enlouquecer.”

Eu poderia ter citado o gnomo ruícamp...


Fomos...

Descasos

Doce resto daquilo que nunca sobra, raridade humana daquilo que corrompe, velho vicio, novas substancias, sábia maneira de não se entregar, infeliz desejo que carrego de prontidão sempre e toda vez que nos encontramos pelos caminhos diários.

Usa-se esse fardo quando necessário, nega as reações de um instinto natural, máquina condensadora de nenhum afeto, tentei prosseguir e continuo tentando, mas tento menos toda vez que me foge, quando vejo que uma pequena porta bloqueia a entrada me afastando do alinhamento constante, percebo o quanto vivi e o quanto não consigo me afastar.

Estou cansado, precisando dormir, mas uma chamada me obriga a fazer o que ainda não fiz, ultrapassando e esquecendo tantas vertentes, invertendo as cores e clareando o horizonte, vejo mil rosas pálidas, caindo sobre esses pés que trago descalços, sobre minha cabeça tanta culpa, tantos problemas, tantas sedes, poucos inimigos.

Ele continua por lá a lançar velhas mágoas ao mar, sentado em silencio nem vê que a rua passa entre a massa e a confusão, redigindo certas idéias ele chega à conclusão e encerra mais uma página da sua vida.

(jefferson dos santos)

Esfinge



Entender como os rumos são criados e depois cria-los, ascender essa chama e depois retirar-me, coagir com as adversidades e ainda por cima agir ordinariamente, acho que assim eu consigo me livrar dessa coisa estranha que pulsa meu fluxo sanguíneo e que perece quando tenta pensar.

Hoje eu abri os olhos como sempre fiz, só que com um peso a menos, e não encontrei ao meu lado uma cama vazia, a ausência corroeu o vazio e trouxe em troca um amontoado de anseios, dispostos desordenadamente a cima dos nossos enigmas.

Cansei de decifrar essa sua existência, quanto mais eu procuro entender mais abstraído eu me vejo, vai ser melhor se for do meu jeito?

Não, não vai ser mesmo.

No entanto eu já falei demais, tentando adquirir certas conquistas de maneira não óbvia, esqueci no meio do caminho quem eu era, ao que eu vejo e ao que nós vemos posso ter certeza que não há muitas diferenças, desde que a falta e as ações repressivas, regressivas, depressivas e intuitivas sejam vistas como são e como devem manter-se exauridas.

Eu tento na medida oposta em que não consigo e aniquilado busco um grito na amargura da força esgotada perante a decapitação dos sentidos vitais para que assim você ao menos entenda que eu te amo de uma maneira que não sei por que, mas que não consigo admitir.

.

(jefferson dos santos)

Um travesseiro de sonhos


Eu tenho uma vida extra no armário,
Tenho dois quartos de uma dose que vou tomar,
Tenho um amigo que nunca me disse uma palavra,
Tinha inimigos, mas perceberam que sou inofensivo.
Tenho cadarços desamarrados e uma folha alucinógena nas mãos.
Tenho tempo para me perder e perdido tenho tempo para viver.
Tenho uma dor interna, substancial.
Tenho vontades inexpressivas, tenho uma coleção de segredos.
Já os desejos eu deixei de querê-los, mas ainda os tenho.
Tenho em minha mente lembranças raras de noites passadas.
O olhar pela janela que não mostrava nada.
A luz psicodélica que tenho viva em minha mente
E o suspiro inicial que trago antes das decisões.
Tenho medos, os medos me têm.
Tive coragem quando as preces não resolveram,
Tive pressa quando o tempo não vingou.
Tenho uma pedra pequena que trago no bolso.
Não tenho muita coisa nesse instante,
Queria ter a idade dos que nunca vieram a terra.
Agora tenho uma dor, a tenho todos os anos,
Tenho momentos loucos, e uma carga chegando.
Tenho alegria, quando muita euforia, quando pouca alegoria.
Tenho dias solitários em meio ao carnaval do povo.
Tenho a paz que fabrico, tenho a paz que cultivo.
Tenho uma cadela que tem amor pra receber.
Em mim trago muita coisa, mas quantidade enquanto qualidade se torna caridade.
Tenho versos idiotas que esconderei,
Pensamentos avulsos, ilimitados, sinceros.
Tenho um lado vazio, um raio de luz aprisionado,
Uma alegria engarrafada.
Tenho trabalho a fazer, e férias para recusar.
Tenho um piano velho de duas oitavas,
Uma guitarra abandonada igual a tantas,
Uma flauta tristonha e uma gaita enferrujada.
Não tenho empenho, tenho somente vontades.
Poucas certezas, menos ainda sobriedade.
Tenho uma praia que não é só minha,
Tenho liberdade até que eu me sinta livre.
Tenho obrigações metabólicas.
Tenho um espelho fosco, uma voz chateada.
Uma breve lembrança da profundidade,
Mas não tenho um livro negro de magias brancas.
Tenho respostas para poucas perguntas
Tenho sede, e da sede não sei tirar proveito.
Tenho olhos cansados,
E um travesseiro de sonhos.

(Jefferson dos Santos)

Arremate





E nos versos que aqui farei
Na varanda dos meus dias
Vou falar toda a verdade
Vou falar o que escondia
Vou dizer ao mundo inteiro
Do amor que me sorria

Do tempo que ta passando
Da amizade que aconteceu
Dos momentos que já vivemos
Do nervoso que já me deu
Na hora que eu fui falar
E pedir um beijo seu

De tudo que eu não disse
Da metade que já falei
Só uma parte foi inteira
A outra parte eu guardei
Guardei, mas quero falar.
Expressar o que pensei

Eu pensei no amanhã
Renascendo em mais um dia
Daquele dia passado
Do teu lado eu me tremia
Estava louco para dizer
Que o amor em mim batia

Tenho medo de arriscar
Um pedaço de minha vida
De talvez até magoar
Uma flor assim querida
Mas um dia eu arrisco tudo
E evito a despedida

To fazendo todos os planos
Para quando o dia chegar
Mas acho que é impossível
Em seu mundo poder entrar
Às vezes creio que é demais
Em uma chance acreditar

Te vejo acima de tanta coisa
Que nada posso alcançar
Sou pequeno e distraído
Pouco posso lhe ensinar
Se o que sinto me aperta
Como vou lhe conquistar?

Eu preciso de uma saída
Encontrar uma solução
Declarar tudo que penso
Esclarecer minha intenção
E mesmo que não me ame
Vou livrar-me da aflição

Só penso se algum dia
Eu vier a perceber
Que neguei por omissão
Evitei te conhecer
Rejeitei o que procuro
Um amor por merecer

Vou lutar contra o fantasma
De viver na solidão
Ao seu lado me alegro
Faz bem ao coração
Com você eu fico em paz
Sua voz é minha canção

O tempo que é tão grande
Para o amor fica encolhido
Pouco tempo que te conheço
Muito tempo que foi perdido
Falta tempo para dizer
Que te quero aqui comigo

To com sono e vou dormir
Vou sonhar com um beijo seu
A noite vai ser curta
Pra noite do sonho meu
Vou ficar uma noite inteira
Relembrando os olhos teus

Me perdoa se falo muito
Se exponho tudo que sou
Não encontro outra maneira
De falar com mais fervor
De dizer que quero muito
Encontrar o seu amor

E no silencio do meu tédio
Pink floyd me auxilia
Escrever já não consigo
Ta faltando sua companhia
No final de qualquer tarde
Durante todos os dias

Já falei tudo que sinto
Mas ta faltando melhorar
Vou falar em outra coisa
Vamos ver no que vai dar
Vou falar mais de mim
Só não pode piorar

Entre todos os seres vivos
Que já pude conhecer
Sou aquele imutável
Limitado ao proceder
Pouco sei do que vivi
Pouco tenho a oferecer

Errante por natureza
Confuso com exatidão
Tímido e abestalhado
Uso mal minha expressão
Meu repúdio, minha conduta.
Meus defeitos, minha prisão.

Ensandecido pela verdade
Corroído pelo sabor
Democrata, capitalista
Libertário, ditador
Hipócrita, reacionário
Honesto, trabalhador.

Minhas faltas, meus desvios.
Meu desejo, meu poder
Sou humano como tantos
Como tantos vou morrer
Meu futuro me trás medo
E o presente eu vou viver.

Sou sonâmbulo imperativo
Ficcionado por diversão
Extremista, cabeça-dura
Psicótico, aberração.
De ilusões sou movido
Alegria é meu pendão

No estandarte da minha vida
Muita coisa pendurei.
Muita coisa sem importância
Pelas quais jamais voltei
E das coisas que tem valor
Todas elas eu guardei

Mas me falta tanta sede
Para o corpo me saciar
Falta a fé na esperança
Sobram restos em meu jantar
E o desejo de prosseguir
Sempre tenta me parar

Mas agora ta melhor
Já falei tudo que tinha
Vou voltar ao mesmo assunto
Desse breve poeminha
E deixar todos em paz
Encerrar logo essas linhas

Cada dia que vem e vai
Desde o dia que te conheço
São imensos e torturantes
Esses dias que não mereço
Ficar assim tão longe
Esconder o meu apreço

Mas um dia se resolve
E um jeito vamos dar
Se juntos ou separados
Alguma coisa vamos estar
Mas o tempo é torturante
Quero o tempo apressar

Pra saber logo de uma vez
O que pode acontecer
Se terei aqui do lado
Seu calor a me aquecer
E enquanto espero apressado
Outro careta vou ascender

Na fumaça do cigarro
Pela carta que escrevi
Muitas cinzas misturadas
Com a vontade de partir
Arrumar cada palavra
E depois me despedir

E quando lúcido estiver
Em frente ao apartamento
Vou gritar, me acabar
Vou cantar pelo relento
Não pretendo acorda-la
Só de vê-la eu me contento

Vou tirar todas as noites
Para um verso escrever
E assim entorpecido
Outra vez adormecer
E num verso grandioso
Vou falar só de você.

Eu preciso que esse cordel
Seja breve ao terminar
Já falei tanta besteira
Eu preciso me calar
Esperar a oportunidade
De uma rima me faltar

Pra deixar neste vazio
Minha triste condição
De viver atordoado
Distraído, sem atenção
De pensar o tempo todo
Em ganhar seu coração



(...)
Tempo depois...
(...)


Depois de um certo tempo
Por aqui eu vou passar
Pra falar o que aconteceu
Dos detalhes eu vou contar
Da tristeza que escondi
E agora vou demonstrar

Por esse cordel me declarei
E agora vou encerrar
Deixar nele minha alegria
A vontade de um dia voltar
Com mais força e precisão
Para nele meu amor expressar

Por enquanto deixarei aqui
Uma saudade tão imensa
Um desejo assim contido
Uma certeza tão intensa
Um suspiro entalado
E versos sem recompensa

Mas o tempo é aliado
Da minha ansiedade
Vou ao tempo dar uma trégua
Esperar sua metade
Fazer parte dessa outra
Que espera a felicidade

E sua voz ao me dizer
Que pouco lhe conquistei
Que nada realizamos
Desse tudo que sonhei
E na dose tão amarga
Da cerveja que entornei
Um desejo tão profundo
Do qual jamais verei

Vou passar dias completos
Tão inteiros que nem entendo
A olhar no horizonte
Caminhar pelo relento
Parar e estagnar
Em seu apartamento

Relembrar será possível
A cada dia que nascer
Vou deixar meu vestígio
Esperar seu aparecer
Refazendo todos meus planos
Para o mundo me esquecer.

Eu pensei num verso
Que fosse espiritual
Que falasse da vida
Que não fosse banal
Que desse a resposta
Que tivesse um final

Mas esse verso não existe
Dele não posso me usar
Versos assim são difíceis
E eu não posso criar
Pouco sei escrever
Muito preciso me calar

No rádio um som confuso
Que nada me faz pensar
Várias versões de uma só música
E nenhuma eu sei cantar
Preciso de algo mais forte
Algo que eu possa meditar

Nessa cidade fantasma
Pelas esquinas abandonadas
O calor da vida encerra
Mortos vivos pelas sacadas
Olhos foscos e sem vida
E a esperança exterminada

E na sentença que me deram
Com a certeza que nunca vi
Vou juntar cada pedaço
Quando meu corpo explodir
Vou impor minha lei
E depois desistir

Vou tomar todas as doses
Que ninguém jamais tomou
Entregar-me a tanta sede
Escorregar pelo pudor
Vou voltar ao mesmo ponto
Onde jamais ninguém voltou

E quando a festa tiver fim
Vou continuar dançando
Relembrando os velhos tempos
E o futuro vai passando
Por entre as brechas do meu sono
E eternamente irei sonhando

Se o distúrbio for maior
Do que meu corpo suportar
Vou deixar que a onda venha
E me leve ao alto mar
Entorpecer de ilusão
E depois me espedaçar

De filósofo contemporâneo
A platônico modernista
Um resto de cada coisa
Subtraiu de minha lista
E aquilo que eu queria ser
Ta se perdendo de vista

Um grito, um até logo
Uma incerteza recontada
Com as folhas de um livro velho
Com tantas folhas rasgadas
Que sempre se repetem
E nunca entendo nada

Meu analista enlouqueceu
Ninguém mais vai me ajudar
Nem de ajuda eu preciso
Só falta me encontrar
Aceitar minhas condições
E me por em meu lugar

Entender o que não existe
Enxergar o que não vejo
Cobiçar minha alegria
Dispensar cada desejo
Atear fogo na casa
Evitar tudo que almejo

E aqui eu me despeço
Com uma vontade de voltar
Para fazer outros versos
Com a certeza de te amar
Talvez um dia ou nunca mais
Este cordel vou encerrar.


.












Mas não vou desistir
Vou lutar até o fim
Aprendi a te querer
E não vou sair assim
Triste e abatido
Dou valor ao que há em mim

Ao dormir eu me lembro
Dos meus dias ao teu lado
Desistir não vai ajudar
Não preciso desse passado
Se o que sinto é o bastante
Continuarei apaixonado

E quando chato estiver
No limite da insistência
Não pretendo perturbar
Consumir sua paciência
Mas viver pelo que sinto
Traduz minha existência

E entre as diferenças
Os obstáculos são reais
Alguns tão imensos
Outros tão banais
Alguns sem motivo
Outros até demais

E entre todas as certezas
Das quais eu trago em mim
Nenhuma me dói tanto
Nenhuma é tão ruim
Do que ficar aqui parado
Tentando ouvir um sim

Que vindo de você
Com o mais belo instante
Aquele que nem imagino
Tão simples e fascinante
Momento raro, inesquecível.
E nunca visto antes

E que a paz dos teus olhos
Iluminem essa estrada
Que percorro todos os dias
Pensando em minha amada
E que a força permaneça
A guiar nossa jornada




Continua...?


.


.


.


(JEFFERSON DOS SANTOS)











The rain has moved on
And left a new day
Nothing seems to move everything is still
It’s just a perfect day
The shadows and light
That move with the wind
Hidden violets grow splashed with summer spray
Just another perfect day
On the wild and misty hillside
Fear is nature’s warning
Hunger here is never far away
And all of this world
Is for children who play
Days that never end
always should remain
Another perfect day




Perfect Day(Miriam Stockley)

(...)

É hora de sair e pedir um tempo ao tempo, tentar parar ao menos o relógio da sala, dar uma volta inteira pelo caminho mais longo e depois ofegante tentar lembrar o que eu queria esquecer, mas a chuva cai forte, faz frio e lá a solidão é maior, é mais vazio caminhar em paz do que não conseguir cerrar essa ligação mental com o mundo dela.

No rádio um cantor embriagado me convence a esperar mais um pouco, entorpecido pelo néctar da desilusão, ele prossegue em seu ritmo melancólico a falar da vida, a falar do amor, a falar de tanta coisa que a paciência com ele esgota e o meu próximo plano é fazê-lo calar-se.

E seu eu ficar louco?

E se a cura para minha loucura se tornar impossível?

E se for loucura acreditar em minha loucura?

Dispensado dos tratamentos, considerado curado e ainda louco!?

Peço que em caso de óbito confirmado, que não me internem num reduto fechado, cercado e amontoado com outros loucos, um dia lá é uma eternidade aqui. Joguem-me na rua, no céu ou no mar, apenas me deixem, somente me esqueçam.


.
.
.
(jefferson dos santos)

(...)

É exagero tentar clarear os reflexos das luzes noturnas no visor da noite escura, indecisões numa via de mão única, olhar pro lado e sentir a ausência de quem resolve partir, na cama onde os sonhos são cruéis, a lembrança dos erros que atormentam, a precisão minuciosa da indiferença, não me interessa passar uma vida atrás dos fatos procurando novas provas e julgando a condenação dos enforcados.

Há uma trepidação no horizonte, confuso sigo o caminho que a luz me guia e quando a luz se apaga é preciso sentar, ter calma e esperar outra ascender.

Vê-la passar por aqui me fez tão bem, passei o dia todo nas alturas, flutuando sem oscilação por cima de todos os meus problemas.

Dos dias da semana que espero te ver, sentado num canto vazio com o seu lugar guardado ao meu lado, mas você devia passar por aqui todos os dias, se toda sexta-feira começasse com uma visita sua, faria todos os dias virarem sexta-feira.

E eu que já acordo pensando em você, procuro uma solução para os meus dias, uma solução para essa maneira compulsiva de pensar na distancia que ainda não delimitamos e encerrar as páginas desse conto com um final feliz.

Talvez minha maior opção seja o abismo do esquecimento ou até mesmo possa ser que não existam outras opções e por mais que doa forte a dor do silêncio, a voz da razão teima em não sair.

E no meio de um verso mal escrito, das palavras que eu não sei escrever, da única maneira que consigo expressar meus pensamentos sem tocar na insegurança do passado, se encontra a verdade encoberta de escudos, escondida por entre as faces dos momentos que não consigo descrever.

E ela passou por mim, acenou-me, alegrou-me, me fez feliz, deixou uma saudade de um breve momento que passou tão rápido quanto eu pude aproveitar, mas ela se foi rápido, veio com pressa, tinha que ir e foi, mas ela volta e outra vez sentirei meu coração pulsar mais forte como a muito não pulsava, verei a luz que os olhos dela possuem, verei o sorriso que ela não precisa guardar, o desejo que ela suscita aqui toda vez que passa por mim. Vai ser bom quando ela passar e ficar, não sair mais daqui, simplesmente chegar e se alojar, trazer os versos que ela pretende me mostrar, trazer a força que eu tanto procuro, a vontade de acordar todos os dias e sentir aquele frio na barriga ao lembrar da noite passada, perdido nos braços que cobrem minha saudade.


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(jeffrson dos santos)

Busca

3 dias e o tempo parece nunca passar, um final de semana nunca foi tão longo e uma frase mal ouvida nunca foi tão cruel.

O que será que foi dito enquanto eu estava em relapso momentâneo de atenção?

Ela usou da minha falta de concentração para dizer algo importante e agora um sentimento estranho de dúvida foi criado e que está devorando aos poucos a minha capacidade de não pensar nela.

(...)

Numa noite calma de uma sexta-feira, que passa apressada, aquela voz me liga, no meio de um amontoado de pratos, encharcado de sono e ervas, justamente pensando nela, desejando vê-la, ouvi-la, tocá-la. E nessa atmosfera de desejo e saudade a confusão toma forma em minha cabeça, pois eu sei que eu deveria ter certeza de cada palavra, de cada resposta e principalmente das perguntas em tons afirmativos.

(...)


E de repente eu acordo na madrugada, meio tonto, quase rouco, espero algo acontecer, mas que algo mais pode acontecer as duas da madrugada?

Ouço a resposta da pergunta que achei que tinha feito, mas a resposta é falsa, é minha resposta, é minha vontade de me responder, de acabar com as dúvidas e com as perguntas, de encerrar as páginas de um livro negro, monótono e imenso.

Em cada solução um soluço a parte, solucionar os problemas não é tarefa minha, pelo menos é isso que quero acreditar, deixarei os problemas morrerem a margem do descaso e do esquecimento, mas o caos ainda sobrevive e a vontade não tem nome nem receio próprio e só há um caminho certo dentre centenas de errados.

(...)


Cada resto desse fúnebre momento se dissolve em gotas densas de uma chuva matinal, em pleno tédio de um domingo que só estava começando.
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(jefferson dos santos)

A...A

Meu raio de sol escurecido, estrela guia do rumo incerto, sorriso único da manhã seguinte, tristeza dormente que me apetece, recanto fiel das dores leves, aceita meu suspiro de insegurança e toma as rédeas dos passos que me levam por caminhos distantes e faça dos dias meu refúgio, das dores minha lição, da vida minha quimera, do amor o meu refrão.

Enquanto espero o viajante voltar (aquele viajante que vive longe, que vive a voar, que foi embora pelas veredas da inconstância, e que agora decide voltar) vou ficar aqui estagnado, parado no mesmo lugar.

Minha doce libélula de fim de tarde, tragada pelo dever de ir embora, não adiantaria minha suplica de evitar a despedida, mas a certeza da sua volta talvez seja meu maior preceito.

E porque te colocaram em meu caminho se nada obtenho dessa ausência, púrpura da essência universal, passaria tantas noites quantas me fossem possível ao seu lado, parado no relance dos novos tempos, vivendo minha alegria, minha tão louca alegria.

Meu silencio mortal me levará ainda que eu mereça a qualquer lugar onde o arrependimento das palavras que eu não disse possam me machucar ao lembrar que a tive tão próxima quanto aquele beijo que não pude roubar.
.
.
.


(Jefferson dos santos)

Pohemia

Nesse tempo sem ação
Aqui estou a escrever
Se começo a pensar
Penso logo em você

E assim vou me arriscar
Nessas linhas de agora
Vou mostrar a todo o mundo
Que o amor não vai embora.

Cada dia que se passa
Nessa terra que nasci
Sou obrigado a suportar
A certeza de partir

Permanecer é proibido
Ir embora fui mandado
Nem ao menos me ouviram
Sem razão fui rejeitado

Queriam me redimir
A crer que nada sou
Mas não nasci otário
Vamos ver quem mais errou.

Vou mudar de assunto
Pensar no que é certo
Esquecer, vou conseguir
Vamos ver quem é mais esperto.

Se meus dias serão curtos
Minha vida é bem vivida
Se o fim já esta chegando
Já preparo a despedida

Cansei das mentiras
Das tantas orações
Cansei da insanidade
De crer nas pregações

Nesse mundo tão cruel
Sem paz e sem amores
Viver é mais difícil
Entre lobos e pastores

Confiar eu necessito
Mas me falta convicção
De crer nessas palavras
Acreditar nesse sermão

Boa vida minha senhora
Deixa eu aqui quieto
Um dia até entendo
E deixo o manifesto
Um dia até concordo
E fico mais esperto.

(...)

Vou ganhar muito dinheiro
Com o fim que ta chegando
Vou lançar uma nova igreja
Vou impor todos meus planos

Na porta de lá vai ter
Palhaço e diversão
Vai ter gente do mundo inteiro.
Para ouvir o meu sermão

Vou falar de uma colina
Que eu mesmo vou fazer
E o sermão da montanha
Me fará enriquecer.

Vai ter cálices e mais cálices
Recheados de tantos vinhos
E ninguém no meio do povo
Vai tomar tudo sozinho

A partilha eu vou pregar
Vou mandar cês partilharem
Vamos todos na oferta
Ofertar o que ganharem

Falei o que não devia
Percebi que exagerei
Sempre faço essa besteira
De falar o que pensei.

Na verdade eu me importo
Com a fé dos irmãos
Deixarei todos em paz
Me calar é a solução.

Mas falar não é proibido
Meu direito eu posso usar
Mas percebo que excedi
Me empolguei ao revidar.



Voltarei ao assunto
Pelo qual eu comecei
Vou falar do meu amor
Encerrar logo de uma vez.

Se eu disse que o amor não acaba
Era tudo uma piada
Fiz tudo sem intensão
a verdade esta errada.

O amor foi-se embora
E nada dele ficou
Nem o cheiro em minha roupa
Nem a lembrança do que foi dor

E se a piada foi pesada
Desculpas não vou pedir
Chega de tanta caretice
Não quero mais me repetir.

To saindo pro ultimo trago
Na ultima hora do dia
Se a certeza foi sua arma
A minha não vai ser a alegria.


(fim)

POR ENQUANTO A SÓS

Não, eu não quero nem saber, chega de muito papo, queremos mais contato, muita ação e aprendizado, chega de blá-blá-blá, eu quero me encontrar, te encontrar e enrolar os fios dessa vida.

Não queremos rever os mesmos vídeos que já não fazem a maior graça, nem as revistas coladas, nem as vozes no rádio de pilha.

Hoje queremos a redenção dos filhos bastardos, cantando vivas pela felicidade, derramando nosso suor na avenida que leva o nome de uma santa pastora, quero esquecer dos tormentos que causei e que sofri, ignorar cada motivo para enclausurar-me e largar-me por enquanto nos encantos do canto suave que soa tão baixo quanto eu posso alcançar.


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(jefferson dos santos)

Ao amigo imaginário!

Pelos vales que me tentam, nessa forma mutável e renascente dos ventos matinais.

Pelos caminhos estreitos desse rumo que me tomaram. Nessa sede e nesse temor que caem do alto do mais alto dos céus.

Pelos cantos nos quais já guardei o meu silencio e pelas orações dos infiéis arrependimentos.

Só o resto do sorriso que ainda resta na lembrança que rasteja agonizante com a velha esperança de sobreviver, que mostra ser forte, quão forte será a chama que se apaga e dela só o cheiro sufocante da fumaça continua a sufocar.

Na calçada fria, numa fria e desprezível noite, estavam aqueles dois sentados. Ah, se aqueles dois soubessem que de nada adiantaria estarem ali, sentados ou deitados, esquecidos ou assombrados, afastados ou abraçados, já que a noite é uma só no meio de tantos dias inúteis que só passam por assim dizer.

Louco, tu que andas por onde nunca andei, que não alimenta a fome e nem sacia tua sede, me fala para onde ir, qual rumo, qual desgraça escolher, qual sentimento confiar, qual desejo valerá a pena, quanto tempo custa um sorriso e se com o pouco tempo que tenho posso comprar um pouco mais de tempo.

Louco, nós que gritamos na romaria noturna dos velhos sonhos passados, fala de uma vez por todas os teus segredos da vida, a tua genialidade de nada ter e mesmo assim viver, pois eu, que tudo tive, preferia nunca ter tido, e o tudo que tive prefiro nem pensar em nunca mais ter.

Guarda o lençol do amigo que morre, para que outros débeis felizes possam se aquecer ao teu lado ou se achar melhor ascenda uma chama que por mais breve que seja, fará o brilho apagado ascender na retina cansada do teu sofrimento.
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(jefferson dos santos)

O que eu não devia dizer!

Iria falar dos teus olhos sem cor, da foto desbotada que guardei, da única imagem que posso preservar viva em minha lembrança, com um sorriso um pouco maior do lado esquerdo, da cabeça deitada num ombro que não consigo imaginar, enfim, eu só queria conseguir falar como nunca mais falei, como nunca mais te falei, como nunca mais falarei.

Meus instintos deturpados, saturados de tanta saudade, tanta vontade de perder-me por aí, pelo motivo maior que acabou, dúvidas e mais dúvidas amontoadas de forma irregular no depósito de ilusões.

Passei tanto tempo temendo por um dia te ver como uma distante ilusão, como um fardo que tenho que carregar, entalado com um suspiro no momento que sem querer encontro aquela velha foto perdida em minha pasta de arquivos e que não tive e nem tenho coragem de deletá-la.

Como são cruéis os novos recados de amor, e como são ainda mais cruéis as suas novas declarações de amor, como são cruéis meus pensamentos ainda mais confusos, como são cruéis os dias que passaram, como são cruéis os homens de boa vontade e os louvores que continuam fazendo, as combinações de tempo, lugar e espaço, as idéias, as novas conversas, a voz que deve ter mudado e se não mudou continua mesmo assim sendo cruel.
Preservei minha conduta inconcebível de tempos atrás, enclausurei e amordacei os pensamentos de usar-me para propósitos não legais, omiti ao mundo minha metade terrorista de te fazer refém, de te trazer por vontade própria para junto de mim, e sei que você não viria, mesmo se você quisesse.

Atirei tantas pedras no telhado do céu, fiz gravuras no portão de entrada, aquele portão imenso pelo qual desejam passar um dia, desenhei você segurando um flor murcha com os cabelos caídos ao ombro, mesmo sabendo que seu cabelo quase não existe mais, fiz duas bolas coloridas no lugar dos olhos, mesmo sabendo que o castanho dos teus olhos são irrepresentáveis, fiz nuvens, um sol amarelo, coloquei arvores ao fundo e voltei do sonho antes mesmo de me desenhar ao teu lado, pois a certeza de sonhar demais só não pode ser pior que a certeza de nunca possuí-la.
(jefferson dos santos)

MOMENTO NOSTÁLGIA!!d^^b
























































































































Eu sonhei que plantava uma semente, da semente nada de novo acontecia, mas quando a primeira folhinha saiu do solo, minha ansiedade foi tão grande que um fino dos mais finosos finos foi o suficiente para acabar com minha ansiedade...

(dedicado á F., A., E., L., R., V., D., T., J., P., S., e muitos outros estimados)

...zZzZZZzz...

“...zZzZZZzz... pela paz ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pelo sonho ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pela luz ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pela vida ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pela saudade ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pelo esquecimento ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pelo amor ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pelos amigos ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pelos nobres companheiros ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pela incerteza ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pela esperança ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pela razão ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pela carne ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pelo sangue ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pelo real ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pelo supremo ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... pelo sabor ...zZzZZZZZzz...”
“...zZzZZZzz... por viver ...zZzZZZZZzz...”



(Jefferson dos Santos)

Depois do tempo que já passou

.

E definitivamente parei de escrever...

Em cada página que eu enfrentava, cada linha de um velho caderno qualquer, até mesmo nos tantos rascunhos, era impossível enterrar de vez tudo que não vai passar.

Lutei com as forças necessárias para voltar deferente, para voltar como se nunca tivesse voltado, mas não deu, não vai dar por enquanto.

É muito, o pouco que consigo escrever me deixando intacto, sem tocar naquilo que ainda doe.


(J)