Relatos diversos I
O que é um homem sem a solidão? Sem a paixão que o arremessa de cabeça em outro mundo?
Todo homem ama e se não ama é por que já amou.
Todo homem sente em si o desejo de acompanhar, de fazer feliz e se não sente é por que já sentiu.
A dor de um homem pode aparecer como uma ferida exposta que demora a coagular, ou até mesmo pode ser rara e nunca vista em lugar nenhum, mas o fato é que ela existe.
A dor pinta a poesia tanto quanto a alegria, é preciso rir tanto quanto chorar, saber que tudo passa até mesmo a maior das desgraças ou a mais forte das ressacas.
(...)
Relatos diversos II
A noite agora me ilumina, aumenta a criatividade para criar novas perversões, novas saídas para o estado caótico e deturpado do meu desejo inconfessável, é a noite que se revela irmã, mulher e inimiga e a mesma noite que ajuda na contaminação de mentes puras como a minha.
Eu trocaria a noite por você, largaria meu escudo implacável, mas a trairia movido pela força dela, amaria as duas em uma só cama, a noite e você, me doaria ao extremo para saciar tua sede e com a minha sede saciar a da noite.
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Relatos diversos III
Uma ligação me chamando para sair, nem deu para dizer que o cansaço era maior, esse calor que vêm às vezes e que sempre me diz para onde ir.
Uma dose num bar sujo, num copo nem tão limpo, numa mesa a dois, um gole, uma tontura, a vontade de algo mais, eu que satisfeito, enfim terminei como comecei, voltei pro mesmo lugar onde recebi a ligação, amanhã eu esqueço enquanto hoje eu finjo entender, um aperto na voz, sair sem olhar para trás.
Ao menos a conta dá para pagar.
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Relatos diversos IV
Com uma decisão e várias dúvidas ele decidiu se estabelecer naquela velha casa, ali se esperava encontrar um grande vazio devido ao tempo de abandono, mas o que ele encontrou foram rastros de vidas longínquas, teias imensas de aranhas antigas cobriam com seus véus a mobília envelhecida, a poeira em demasia possuía todos os cômodos, o teto ameaçava oscilar bastante e enquanto durasse o vento, mas dentro dele algo o obrigava a ficar ali e era como que de repente apareceria uma imagem divina de alguém que não virá.
(...)
Relatos diversos V
O suor escorrendo pelo corpo, sua sedução me tateando dos pés a cabeça, um momento a menos quando o próprio momento passa, um ser envolto de loucura e prouver, um ser que sente falta quando a loucura passa e o prazer se enlouquece.
Era-se o tempo de bonança, entra-se o tempo de hibernação, talvez o carinho armazenado não tenha sido o suficiente para esse inverno que virá, mas tudo se repete mais uma vez, já deveria estar acostumado, ao menos não serei possuído.
(...)
(jefferson dos santos)
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