Eu tenho uma vida extra no armário,
Tenho dois quartos de uma dose que vou tomar,
Tenho um amigo que nunca me disse uma palavra,
Tinha inimigos, mas perceberam que sou inofensivo.
Tenho cadarços desamarrados e uma folha alucinógena nas mãos.
Tenho tempo para me perder e perdido tenho tempo para viver.
Tenho uma dor interna, substancial.
Tenho vontades inexpressivas, tenho uma coleção de segredos.
Já os desejos eu deixei de querê-los, mas ainda os tenho.
Tenho em minha mente lembranças raras de noites passadas.
O olhar pela janela que não mostrava nada.
A luz psicodélica que tenho viva em minha mente
E o suspiro inicial que trago antes das decisões.
Tenho medos, os medos me têm.
Tive coragem quando as preces não resolveram,
Tive pressa quando o tempo não vingou.
Tenho uma pedra pequena que trago no bolso.
Não tenho muita coisa nesse instante,
Queria ter a idade dos que nunca vieram a terra.
Agora tenho uma dor, a tenho todos os anos,
Tenho momentos loucos, e uma carga chegando.
Tenho alegria, quando muita euforia, quando pouca alegoria.
Tenho dias solitários em meio ao carnaval do povo.
Tenho a paz que fabrico, tenho a paz que cultivo.
Tenho uma cadela que tem amor pra receber.
Em mim trago muita coisa, mas quantidade enquanto qualidade se torna caridade.
Tenho versos idiotas que esconderei,
Pensamentos avulsos, ilimitados, sinceros.
Tenho um lado vazio, um raio de luz aprisionado,
Uma alegria engarrafada.
Tenho trabalho a fazer, e férias para recusar.
Tenho um piano velho de duas oitavas,
Uma guitarra abandonada igual a tantas,
Uma flauta tristonha e uma gaita enferrujada.
Não tenho empenho, tenho somente vontades.
Poucas certezas, menos ainda sobriedade.
Tenho uma praia que não é só minha,
Tenho liberdade até que eu me sinta livre.
Tenho obrigações metabólicas.
Tenho um espelho fosco, uma voz chateada.
Uma breve lembrança da profundidade,
Mas não tenho um livro negro de magias brancas.
Tenho respostas para poucas perguntas
Tenho sede, e da sede não sei tirar proveito.
Tenho olhos cansados,
E um travesseiro de sonhos.
(Jefferson dos Santos)
Tenho dois quartos de uma dose que vou tomar,
Tenho um amigo que nunca me disse uma palavra,
Tinha inimigos, mas perceberam que sou inofensivo.
Tenho cadarços desamarrados e uma folha alucinógena nas mãos.
Tenho tempo para me perder e perdido tenho tempo para viver.
Tenho uma dor interna, substancial.
Tenho vontades inexpressivas, tenho uma coleção de segredos.
Já os desejos eu deixei de querê-los, mas ainda os tenho.
Tenho em minha mente lembranças raras de noites passadas.
O olhar pela janela que não mostrava nada.
A luz psicodélica que tenho viva em minha mente
E o suspiro inicial que trago antes das decisões.
Tenho medos, os medos me têm.
Tive coragem quando as preces não resolveram,
Tive pressa quando o tempo não vingou.
Tenho uma pedra pequena que trago no bolso.
Não tenho muita coisa nesse instante,
Queria ter a idade dos que nunca vieram a terra.
Agora tenho uma dor, a tenho todos os anos,
Tenho momentos loucos, e uma carga chegando.
Tenho alegria, quando muita euforia, quando pouca alegoria.
Tenho dias solitários em meio ao carnaval do povo.
Tenho a paz que fabrico, tenho a paz que cultivo.
Tenho uma cadela que tem amor pra receber.
Em mim trago muita coisa, mas quantidade enquanto qualidade se torna caridade.
Tenho versos idiotas que esconderei,
Pensamentos avulsos, ilimitados, sinceros.
Tenho um lado vazio, um raio de luz aprisionado,
Uma alegria engarrafada.
Tenho trabalho a fazer, e férias para recusar.
Tenho um piano velho de duas oitavas,
Uma guitarra abandonada igual a tantas,
Uma flauta tristonha e uma gaita enferrujada.
Não tenho empenho, tenho somente vontades.
Poucas certezas, menos ainda sobriedade.
Tenho uma praia que não é só minha,
Tenho liberdade até que eu me sinta livre.
Tenho obrigações metabólicas.
Tenho um espelho fosco, uma voz chateada.
Uma breve lembrança da profundidade,
Mas não tenho um livro negro de magias brancas.
Tenho respostas para poucas perguntas
Tenho sede, e da sede não sei tirar proveito.
Tenho olhos cansados,
E um travesseiro de sonhos.
(Jefferson dos Santos)
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