
Veio-me a lembrança que eu mais quis esquecer.
Senti novamente como se a dor tivesse voltado.
Foi igual a quando abri os olhos e vi que estava só.
A vontade de falar como nos velhos tempos.
A ternura rasgada por uma fina navalha de preconceitos.
Tempo em que fazer planos era magnífico, e as horas tinham solidez.
Mas um vazio pairou, uma chama se apagou e todos usaram isso para comprovar suas previsões maquiavélicas e estupidamente encobertas por falsos dogmas que até hoje não consigo aceitar ou ao menos sequer admitir.
E de novo eu percebo que tudo ressurgi dentro de mim, é só remexer nesse armário velho e a coisa toda me envolve impulsivamente sem controle.
As musicas daquele tempo não posso ouvir mais.
Fiz uma lavagem memorável nas lembranças boas, mas não tive coragem de jogá-las fora, a única saída foi guardá-las longe o mais necessário possível.
Toda vez que você lembra eu tento continuar esquecendo, dói em mim e em você também, mas se você não lembrar, quem vai?
Um texto triste e uma certidão de inesquecível é o que tenho no intimo daquele a que não conheço mais.
Não tive muito o que rasgar, e quando uma das poucas lembranças finalmente foi perdida, renasce como uma fênix toda essa quimera largada por motivos medíocres.
Se confuso eu ainda sigo, é somente pelos mesmos problemas que desisti de entender.
(jefferson dos santos)
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