É hora de sair e pedir um tempo ao tempo, tentar parar ao menos o relógio da sala, dar uma volta inteira pelo caminho mais longo e depois ofegante tentar lembrar o que eu queria esquecer, mas a chuva cai forte, faz frio e lá a solidão é maior, é mais vazio caminhar em paz do que não conseguir cerrar essa ligação mental com o mundo dela.
No rádio um cantor embriagado me convence a esperar mais um pouco, entorpecido pelo néctar da desilusão, ele prossegue em seu ritmo melancólico a falar da vida, a falar do amor, a falar de tanta coisa que a paciência com ele esgota e o meu próximo plano é fazê-lo calar-se.
E seu eu ficar louco?
E se a cura para minha loucura se tornar impossível?
E se for loucura acreditar em minha loucura?
Dispensado dos tratamentos, considerado curado e ainda louco!?
Peço que em caso de óbito confirmado, que não me internem num reduto fechado, cercado e amontoado com outros loucos, um dia lá é uma eternidade aqui. Joguem-me na rua, no céu ou no mar, apenas me deixem, somente me esqueçam.
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(jefferson dos santos)
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