
Emplastos devoluptos estúpidos, currantes porfalicos medíocres, canastras atéias famintas, celofanes idiotas e piropteros insignificantes, catatéias depravadas, anciãs dessa desgraça e da vergonha cética, corpos à deriva nesta lama pútrida de carências.
E aqui estou a desencadear marolas de cansaço, sentindo algo que imensamente preferiria não sentir, mas lembro de quem magoei quando a muito não sabia dar valor, das vezes que errei por alimentar uma chama que não havia em mim, por não interpretar com cautela todos os enigmas para por um fim nos pensamentos tolos e imaturos.
Pássaros tardes, avante retorno, sinais urbanos desse som que amo, amor vazio pelo som urbano, alguns entre tantos no meio do nada são poucos, vozes eclípticas que não tardam pássaros, confundi-me, recrutam-me, queimem-se, pois há pelo que lutar nas ruas, lutem pelo silencio que lhe é de direito, enfeitem suas janelas de distração.
- E aí?
- O que?
- Ontem, lá.
- Ah! Ontem?
- É.
- Nada demais, só um vazio e em seguida um clarão.
- Só?
- Na verdade é difícil descrever, não lembro de muita coisa, sei que eu estava sentado tomando um café, quando começaram a gritar, os gritos viam de algum lugar muito longe e eram trazidos pelo vento tão rápidos que pareciam efeitos de algum sintetizador imitando um assovio desesperado, depois só consigo lembrar de uma forte explosão e mais nada.
- Ouvi dizer que vai se repetir.
- Eu duvido que efeitos como aqueles possam se repetir.
- Mas disseram no jornal...
- Que se dane a droga de jornal, e que se dane você também, se achou interessante que aquilo tenha acontecido, então espera o dia que você vai ficar cara a cara com aquilo, aí você pode vim me dizer que não consegue nem lembrar do que fez um dia antes daquela porra ter voltado.
- Mas dizem que é o começo do fim!
- Que se dane, vá à merda quem disse isso, aquilo foi o fim, acabou, a aniquilação já aconteceu, acorde, você já não é mais quem você deixou de ser!
- Você deve ter batido a cabeça, nunca pensei que um dia pudesse dizer isso, mas você ta falando asneira.
- Então você acha que eu fiquei louco? Faça o seguinte, identifique-se no meio dos outros, tente chamar atenção de quem quer seja, ache um espelho e observe o espectro vazio que há entre o espelho e o reflexo do que há atrás de você, tente pelo menos sentir prazer, coma isso e me diga o que sente.
- Me parece bom, mas num tem gosto.
- Ótimo, e agora consegue entender?
- Oh não, me ajude, eu estou morto!
- Fico feliz que tenha compreendido.
- E o que eu faço agora?
- Nada, apenas esqueça o prazer.
(jefferson dos santos)
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