Ao amigo imaginário!

Pelos vales que me tentam, nessa forma mutável e renascente dos ventos matinais.

Pelos caminhos estreitos desse rumo que me tomaram. Nessa sede e nesse temor que caem do alto do mais alto dos céus.

Pelos cantos nos quais já guardei o meu silencio e pelas orações dos infiéis arrependimentos.

Só o resto do sorriso que ainda resta na lembrança que rasteja agonizante com a velha esperança de sobreviver, que mostra ser forte, quão forte será a chama que se apaga e dela só o cheiro sufocante da fumaça continua a sufocar.

Na calçada fria, numa fria e desprezível noite, estavam aqueles dois sentados. Ah, se aqueles dois soubessem que de nada adiantaria estarem ali, sentados ou deitados, esquecidos ou assombrados, afastados ou abraçados, já que a noite é uma só no meio de tantos dias inúteis que só passam por assim dizer.

Louco, tu que andas por onde nunca andei, que não alimenta a fome e nem sacia tua sede, me fala para onde ir, qual rumo, qual desgraça escolher, qual sentimento confiar, qual desejo valerá a pena, quanto tempo custa um sorriso e se com o pouco tempo que tenho posso comprar um pouco mais de tempo.

Louco, nós que gritamos na romaria noturna dos velhos sonhos passados, fala de uma vez por todas os teus segredos da vida, a tua genialidade de nada ter e mesmo assim viver, pois eu, que tudo tive, preferia nunca ter tido, e o tudo que tive prefiro nem pensar em nunca mais ter.

Guarda o lençol do amigo que morre, para que outros débeis felizes possam se aquecer ao teu lado ou se achar melhor ascenda uma chama que por mais breve que seja, fará o brilho apagado ascender na retina cansada do teu sofrimento.
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(jefferson dos santos)

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