3 dias e o tempo parece nunca passar, um final de semana nunca foi tão longo e uma frase mal ouvida nunca foi tão cruel.
O que será que foi dito enquanto eu estava em relapso momentâneo de atenção?
Ela usou da minha falta de concentração para dizer algo importante e agora um sentimento estranho de dúvida foi criado e que está devorando aos poucos a minha capacidade de não pensar nela.
(...)
Numa noite calma de uma sexta-feira, que passa apressada, aquela voz me liga, no meio de um amontoado de pratos, encharcado de sono e ervas, justamente pensando nela, desejando vê-la, ouvi-la, tocá-la. E nessa atmosfera de desejo e saudade a confusão toma forma em minha cabeça, pois eu sei que eu deveria ter certeza de cada palavra, de cada resposta e principalmente das perguntas em tons afirmativos.
(...)
E de repente eu acordo na madrugada, meio tonto, quase rouco, espero algo acontecer, mas que algo mais pode acontecer as duas da madrugada?
Ouço a resposta da pergunta que achei que tinha feito, mas a resposta é falsa, é minha resposta, é minha vontade de me responder, de acabar com as dúvidas e com as perguntas, de encerrar as páginas de um livro negro, monótono e imenso.
Em cada solução um soluço a parte, solucionar os problemas não é tarefa minha, pelo menos é isso que quero acreditar, deixarei os problemas morrerem a margem do descaso e do esquecimento, mas o caos ainda sobrevive e a vontade não tem nome nem receio próprio e só há um caminho certo dentre centenas de errados.
(...)
Cada resto desse fúnebre momento se dissolve em gotas densas de uma chuva matinal, em pleno tédio de um domingo que só estava começando.
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(jefferson dos santos)
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