24/12/2009

Não sei se é certo o que vou lhe dizer, se é ao menos justo o que vou lhe contar.

Posso guardar isso tudo e sair do caminho tão depressa que nem notarão minha passagem, mas é preciso e necessário que eu fale.

Talvez eu não saiba como dizer, talvez eu nem tenha o que dizer e por mais que seja errado eu preciso vê-la, eu preciso falar de uma vez por toda dos detalhes tão pequenos que não se apagam, do sorriso que recebi, da atenção que consegui.

Quem sabe eu deveria ter evitado que fosses embora tão depressa, segurado em teus braços e ao menos ter tentando dizer: - Fica mais um pouco!

Um portão foi fechado a minha frente e outro foi fechado aqui dentro, quando dei por perceber você já estava longe o suficiente para não me ouvir, mas próxima o bastante pra me amar.

Penso a cada dia que passa depois daquele, que esperar pode não dar certo ou tentar pode até não ser tão fácil, mas que falar de você esta me fazendo bem, me faz bem, me fará bem.

Eu queria tanto apagar o passado com meu singelo querer, tentar uma única vez e ter a certeza que tentei.






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(jefferson dos santos)
Hoje padece o meu querer, do esquecimento que há pouco tempo já passou.
Não me recito como outrora, já não me aceito sem a solidão.
Acordarei pela manhã o pobre Mathias, confessarei os motivos de tua existência, falarei da realidade que não o afetava e da inconsistência do meu interesse, irei entregá-lo ao fato de nunca ter existido.
Não quero me importar com as lembranças que eram minhas enquanto me vi em meus próprios olhos, não aceito mais essa procura pelo que não se pode ver ou tocar.
De todos os decretos que criei para me modelar, acho que esse não terá tanta importância, será um decreto neutro, por se tratar de decreto existencial.













(Jefferson dos santos)

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The Tokens (The Lion Sleeps Tonight)

Na floresta, a imensa floresta, o leão dorme esta Noite
Na floresta, a quieta floresta, o leão dorme esta Noite

Perto da aldeia, a pacífica aldeia, o leão dorme esta Noite
Perto da aldeia, a quieta aldeia, o leão dorme esta Noite

Venha minha querida, não tenha medo, minha querida,O leão dorme esta noite.
Venha minha querida, não tenha medo, minha querida,O leão dorme esta noite.
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Decerto que meus dias são confusos, a saudade uma incógnita e a lucidez distante, mas não me atento ao ruivo do vento no telhado da minha casa e nem as goteiras na varanda, não consigo me levantar para concertá-las, nem sei onde guardei aquele back que já apaguei, do ultimo trago que não soltei, ainda resta muita fumaça a encher minha mente, minha cabeça ta cheia de novas lições, novas maneiras, só que as atitudes são as mesmas, não busco conseguir o que deveria ser meu, se é para ser que seja então.

Peço desculpas todos os dias, cometo erros todos os dias, se cada erro fosse realmente perdoado, talvez eu os cometesse mais uma vez.

A onda esta batendo forte agora, esta me levando para longe do que existe, cansado de tudo e de todos prosseguirei num outro caminho, talvez mais confuso que o ultimo, mas em matéria de confusão, estou cheio das mesmas coisas.

Já nem sei o que era antes disso tudo, não me lembro com exatidão do passado, talvez nada disso tenha valido a pena, ou quem sabe todos estavam certos, no entanto não vejo frutos nas árvores que plantei, não vejo galhos firmes na árvore que aquela decisão devastou.

Vou-me embora para onde?

Há um arsenal de caminhos munidos de esperanças e expectativas, há muitas chances e pouco entusiasmo para escolher entre tantas.

Chegaram as encomendas pro nosso antigo endereço, despachei as minhas e guardei as suas.




(Jefferson dos Santos)
Hoje eu apaguei meu abajur de sonhos, tranquei a janela dos ventos e parei de pedir ajuda.

Ainda teimo em não apagar a luz da escada, é preciso mantê-la iluminada, é preciso apagá-la de vez, seu andar que não vai voltar, pela escada não vai mais subir, já não será necessário mantê-la acesa.



Vende-se um mar...


...um mar de sonhos!
- Mathias acorda! Ei Mathias, levanta aí! Tenho uma coisa pra lhe contar!

- Vai dormir! Já viu que horas são?

- Mathias é sério, dessa vez é sério!

- E o que foi agora? Vai dizer que ela vai voltar?

- Não amigo, muito pior, muitíssimo pior!

- Oxe, então desembuxa logo homem e conta o que te passas!

- Pois é Mathias só posso dizer isso no momento, deixa eu acordar direito, sentir o peso cair de verdade, deixa a tempestade passar pra depois avaliar algum estrago. Vá dormir Mathias, já falei o necessário!


- Então tá! Boa noite!

- Boa.

- Mathias?

- O que foi agora?

- Só não apaga a luz, to começando a ter medo do escuro!



(J)

Fim do Mundo

Há um pedaço de madeira caído no meio da estrada, frases escritas há muito tempo. Derrubado pela força do tempo, invisível de sua função, omitindo sua mensagem, porém resguardado de sua imposição. Num gesto de força e coragem levantaram-na e a colocaram novamente em seu devido lugar, em seguida prosseguimos o mesmo caminho, sem ao menos atentarmos ao aviso escrito naquela velha placa, a certeza de que nada nos deteria e a dúvida do que nos era alertado se mesclam, pode ser que o que estava escrito nem tenha tanta importância, mas mesmo assim ainda me encontro a pensar no que poderia prever ao ler seu conteúdo.

O caminho se tornou estreito em alguns pontos, enquanto caminhávamos um sentimento de observância vindo dos densos galhos de tantas árvores que moravam a beira da estrada reinava sobre nossa mente, não havia animais pelas redondezas, a fauna era escassa, a noite se anunciava de uma forma constante, a cerca de cinco horas que o sol ameaçava se pôr e até agora nada acontece, uma forte dor de cabeça me obriga a perder o animo pelo passeio, mas não da pra voltar sozinho, não agora.

De repente tudo escurece como se a luz tivesse sido apagada, não há estrelas no céu, a lua minguante e o brilho de marte clareiam os passos amedrontados, olhos atentos surgem nas arvores gigantescas, o barulho da noite na voz dos grilos e da coruja, morcegos rasantes em seus vôos ameaçam se bater em nós, o frio da noite e a necessidade de um abrigo acolhedor apressam a busca pela casa que já deveríamos ter encontrado.

Como se fosse do nada:

- É aqui?
- Acho que sim!
- Parece sem vida!
- Também estou achando!
- Pretende bater na porta?
- E por que não?
- Sei lá! - Mas acho que não deveríamos arriscar tanto! – Já são dez da noite e as pessoas poderão já estar dormindo!
- Bobagem, eles sabem que viríamos, devem estar até preocupados!
- Mas... não há luzes acesas!
- Acenderão quando chamarmos!
- Então vá na frente, prefiro esperar aqui de longe!
- Iremos juntos, nada de nos separarmos dessa vez!
- Putz, não vai da certo!
- Não fala assim, nós decidimos juntos que viríamos!
- Eu sei, mas estou com um mau pressentimento! – Como se não devêssemos arriscar tanto dessa vez!
- Já falei que é tudo bobagem sua, nada vai acontecer, confie em mim, eu te protejo de qualquer coisa, estamos juntos nisso, certo?
- Certo, mas mesmo assim ainda não me sinto bem em fazer isso!
- Entendo perfeitamente, mas precisamos acreditar no que pretendemos fazer, e depois, não temos nada a perder!
Após três toques uma voz alegre e carismática grita do outro lado da porta:
- Espere um segundo, já estou indo!

Mãos tremulas, coração acalmado pela certeza de ter alguém, os segundos não exatos, o tempo breve, porém longo devido à ansiedade, um pulsar acelerado no peito, o cansaço pedindo um fim, as pernas já não pensam mais em caminhar tudo de novo, chegamos aqui e ao pensar que o caminho possa ser feito outras vezes nos trás um sentimento de exaustão, não nos sobra coragem nem forças para repeti-lo por enquanto.

Nesse intervalo de erupções mentais uma luz é acesa de cada vez pela casa, como se a própria casa acordasse aos poucos, meio sonolenta e devagar, a ultima luz foi a da varanda que estávamos, em seguida a porta rangendo deu passagem a uma senhora bela, cabelos grisalhos, rugas, idade avançada, porém feliz, disposta e simples. A primeira impressão que tive era de estar frente a frente com a sabedoria, aqueles olhos exalavam carinho, aconchego e amparo, finalmente a certeza de estarmos no lugar certo aliviou nossas preocupações.

- Pois não o que desejam?
- Boa noite, viemos em nome de seu filho, ele nos disse que aqui seriamos bem recebidos!
- Se meu filho mandou vocês, então sejam bem vindos, podem entrar! Só não olhem a bagunça!

Cômodos iluminados, um cheiro de lavanda vindo de algum incenso já apagado, mobílias antigas, porém belas, enfeitavam toda a casa numa harmonia suave, o calor aconchegante e a paz daquele lugar nos davam a melhor recepção que poderíamos imaginar.
Fotos espalhadas pelas paredes se misturavam com um papel de parede desbotado, fotos antigas e vazias, alguma coisa faltava nas imagens, mas não dava pra perceber o porquê dessa impressão.

- Sintam-se a vontade, mostrarei o quarto que vocês passarão a noite!
- Muito obrigado agradecemos pela sua atenção!
- Vocês conheceram meu filho?
- Sim senhora, seu filho nos falava muito bem da senhora!
- Pena não poder vê-lo mais!
- Sinto muito, mas tenho certeza que ele a amava infinitamente!
- Bom, vamos lá, já é tarde e vocês precisam dormir, amanhã teremos um belo e longo dia pela frente!
- Com toda certeza, não vejo a hora de tirar meus sapatos e tomar um banho frio!
- Venham por aqui!
(...)

A luz não se fixava em intensidade, tínhamos a leve e macabra impressão de que a qualquer momento um curto-circuito incendiaria todos os cômodos, preferimos apaga-la e ascender algumas velas, a cama rangia irritantemente, a decoração meio tímida acolhia nosso cansaço com muita paz, a parede floral, um criado-mudo antigo sustentava alguns livros sobre ocultismo, a impressão de estarmos sendo observados perdurava noite adentro, por mais que quisesse acreditar em algo assombroso o impacto da realidade e o local dissipavam essa insegurança de minha cabeça.

Alguém bate na porta:

- O jantar está na mesa, não demorem!
- Muito obrigado, já estamos descendo!

Tomamos um banho, ou melhor, o melhor banho de toda uma vida, a necessidade fez um simples banho frio se tornar em algo sublime e prazeroso.

- De quem era aquele quarto que nós iremos dormir?
Perguntei com um ar de curiosidade inegável.
- Era o quarto de hospedes, a muito tempo que ninguém dormia nele!
- Não parece que está a muito tempo esquecido, a sensação que sinto dentro dele é que estou tomando o lugar de alguém.
- Como assim?
Perguntou-me Alice assustada!
- Ah! Eu posso te contar uma história?
Perguntou-nos a senhora que se chamava Elisa!

Afirmamos com a cabeça que sim, mas no fundo havia um grito entalado querendo explodir e dizer: - Pelo amor de Deus não fale mais nada!

A fome passou, lógico, quem comeria depois de tanto suspense?

E assim nos foi contada uma bela historia:

- A cerca de 20 anos morava nessas redondezas um senhor chamado Manoel. Manoel era um senhor prestativo, zeloso e beberrão, bebia até tantas da noite, não tinha mulher, pois a que tinha foi-se embora devido a seus exageros em relação ao álcool, a única filha de Manoel havia falecido aos 13 anos em decorrência da peste. A vida de manezinho, como era conhecido por aqui, era sobretudo passiva, todos gostavam muito dele, ajudava todo mundo no que fosse preciso e cabível, sua reputação de homem marcado pela dor ia longe, pois sua historia começa muito antes de Manoel ter vindo morar no “Fim do Mundo”.
(...)

Era verão e o calor estava escaldante, os termômetros marcavam 30° C, o colégio que Manoel estudava ficava longe de casa, era preciso tomar dois ônibus e praticamente viajar durante uma hora á deriva, no balanço dos amortecedores. Manoel apesar de parecer sério era acima de tudo irrequieto, impaciente, teimoso, tinha uma cabeça nova agora, marcada pela adolescência, em casa era um jovem amado e apesar de suas revoltas dignas da idade, tinha pais adoráveis, que se esforçavam ao máximo para compreendê-lo e ama-lo. Em seu colégio que estudava a cerca de um ano, havia feito muitas amizades, andava com uma turma meio que digamos, da barra pesada, não faziam mal a ninguém, mas todavia, não assistiam aula, curtiam suas tardes e suas loucuras como quem nunca vai envelhecer, eram muitos no bando, entre homens e mulheres se encontravam também pessoas de diferentes etnias, diferentes pensamentos, diferentes condições físicas e sociais, mas estavam juntos pelo desejo de aproveitarem a liberdade de estarem longe de casa e longe dos olhares maternos e paternos.

Manoel seguiu seus estudos na calmaria da vida, sem muito esforço para não ficar louco de tanto estudar e sem muito desleixo, para não ter de pedir esmolas no futuro, gostava das amizades, algumas só mantinha por interesse, como todos os seres humanos que habitam a face da terra, mesmo que o interesse seja apenas para se sentir bem. Conhecia o pipoqueiro, o bibliotecário, o porteiro, era bem vistos por alguns professores e ignorado por outros que nem notavam sua presença, falava com quem o conhecia e quem não o conhecia acabava conhecendo, não se incomodava em incomodar os outros, não fazia por mal, era apenas seu jeito banal de se fazer notado. Usava adereços exóticos, era movido pelo gosto punk de ser, sua aparência mal cuidada era normal em vista a tantas diversidades encontradas num colégio tão grande.

Dentro de seu circulo de amizade, se encaixavam quase todas as pessoas, exceto aquelas ditas como banais, como por exemplo, um grupo de jovens, metidos a porra nenhuma, que se achavam os populares do lugar, mas dentro desse enorme circulo havia uma pessoa em especial, uma jovem chamada Clara.

Clara entre todas as outras não tinha nada de especial, a não ser seu belo e simples sorriso, seu mistério, sua precisão no olhar, sua beleza, diga-se de passagem, não era igual a mais linda Vênus, nem tampouco uma Afrodite, mas para Manoel era a mais bela entre todas as outras. Clara exalava paz, conforto e carinho, conversar com clara era para Manoel o momento mais singelo e necessário possível, clara tinha aquele dom cativante, acolhia as dores de Manoel sem nem sequer saber delas, era até mesmo o motivo não único, mas principal que tirava Manoel de dentro de qualquer aula, chata ou não.

Clara sabia que Manoel sentia algo mais por ela, ele já havia lhe confessado seu interesse, mas Manoel era brincalhão demais, por vezes chegava até exagerar em certas brincadeiras e talvez isso e outros fatores desconhecidos os mantiveram numa superficial relação de afeto, nada mais passava disso.

Nem Clara e nem Manoel se conheciam a fundo, a vida de ambos era desconhecida entre si, havia muitas coisas a descobrirem e o tempo prometia dar conta disso tudo.
Os dias se passaram, as séries foram avançando uma a uma, Clara era estudiosa, porém tinha dificuldades em algumas matérias, Manoel odiava estudar, mas entendia certos assuntos com mais facilidade, viveram seus dias de estudantes com uma certa distancia, uma distancia pequena, se gostavam muito, mas nunca se deram a oportunidade de um relacionamento maior, o fato de serem amigos bastavam à aquela época.
(...)

- Bom! – Vamos dormir agora! – Amanhã agente termina!
-Ah não! – Estava tão bom dona Elisa!
Suplicou Alice.
- Nem estamos tão cansados assim!
Tentei êxito, mas aquela senhora era teimosa, percebemos que não poderíamos convencê-la e só nos restava a paciência de esperar o outro dia.

Havia um longo corredor, que dava-nos passagem até o quarto de hóspedes, percorre-lo não nos seria tão confortável, a iluminação rara vinda por detrás e o final obscuro que se anunciava a nossa frente, como se a qualquer momento algo fosse sair da escuridão, não dava para negar a tensão, mas atravessamos definitivamente aquele estranho corredor, que apelidamos de corredor fantasma.

A cama rangia bastante, mas remediamos com algumas penitencias, aquele quarto já não era tão excitante como imaginávamos e decidimos dormir um pouco mais cedo.

(toc toc)!!!

- Bom dia! – O Café-da-manhã estará pronto daqui a 30 minutos, se esfriar não será tão saboroso.

Certamente dona Elisa não ouviu nossa resposta e percebeu a porta aberta e que o quarto estava vazio, Alice acordou cedo, cessou meu sono pelo meio, queria sair para caminhar um pouco, meu mau humor me deixou incapacitado de gerar opiniões.

Chegamos na hora exata, o cheiro do café se espalhava pelos arredores da pequena fazenda, a noite muitas coisas deixaram de serem vistas, as arvores eram belas e de tamanhos Gulliverianos, os animais agora reinam, entre patos e galinhas havia um grande galo, provavelmente foi quem acordou Alice, imaginei-o numa panela dourada, banhado em azeite, umedecido com um belo vinho do sul da Itália, estranhei a ausência de cachorros, numa fazenda, mesmo de pequeno porte, a ausência de cachorros é algo atípico. No pasto dava pra ver um pequeno rebanho bovino embaixo de uma mangueira grande e extensa.

A fome pediu preferência em meio ao que poderíamos explorar mais tarde e decidimos entrar.
Dona Elisa nos falou das redondezas, do riacho que ficava mais a baixo, dos vizinhos distantes, aonde podemos ir e de onde podemos voltar, falou também que precisava de uma ajudinha para alimentar as galinhas, percebi nessa hora que pato também poderia ser chamado de galinha, me dispus a alimenta-los com a simples condição de que ela os contasse uma pequena parte da historia quando eu acabasse minha tarefa. Ela concordou dando um leve sorriso e me ofertando um pãozinho de mel.

Terminado minha árdua tarefa, decidi tomar um rápido banho, a caminhada me fez suar e um banho frio irá me deixar mais leve.

Ela havia se sentado na sala, ligou o som num volume muito baixo, mas que dava para ouvir com clareza o som, sentei numas almofadas que estavam jogadas pelo tapete e olhei em direção ao corredor procurando por Alice.

- Dormiram bem à noite?
- Sim senhora, como anjos!

Assim que Alice chegou dona Elisa começou a contar:

- Manoel concluiu os estudos no colégio, Clara ainda tinha um ano para estudar e a ausência de Manoel os separaram. Cada um seguiu seu caminho. Há quem diga que eles ainda se falavam de vez em quando, ou tenham se visto durante esse período de distancias, mas o tempo percorreria a linha das horas e traria um novo começo, ameaçando um final feliz.

Numa noite de um dia qualquer o encontro previsto e requerido aconteceu, não encontraram nesse dia somente um ao outro, mas sim as razões que os levaram até ali, decidiram viver algo novo, algo que entre eles nunca se passou.

(...)

Foram seis anos de plena convivência, Manoel desprendia de si todo o amor que guardava em seu peito, clara se entregava aos encantos de uma relação perfeita, a vida era bela afinal.

De repente algo novo aconteceu e Manoel não soube explicar, algo havia acontecido com o amor de Clara, os dias passaram a serem longos, o tempo já não passava tão rápido, o brilho que Clara trazia em seus olhos havia se dissipado, Manoel sentia que alguma coisa estava por acontecer.

Numa manhã de domingo Manoel levantou-se cedo e resolveu preparar o café da manha com muita dedicação, depositava nesta tarefa todo seu afeto, queria agradar a Clara, queria reverter algo pronunciado, mas Clara estava cheia de tudo, não suportava mais a presença de seu companheiro, não se sabe ao certo o que motivou esse sentimento em Clara, pois há poucos dias atrás ela própria se mostrava apaixonado por ele.

Clara levantou-se e não suportando ver Manoel com aquela cara de pastel tentando agradá-la, decidiu ir embora, dessa vez para sempre.

O teto afundava sobre sua cabeça, Manoel quis chão para se segurar e não achou, o porto seguro estava naufragando junto com as embarcações que nele estavam amarradas, tentou organizar as idéias, decidiu ter calma e quando percebeu o que estava acontecendo, caiu em si e na realidade.

Não se sabe ao certo o que aconteceu naquele dia com Manuel, viu sua amada partir e ele ficar, quis ser forte, mas não havia razões para ser.

Perder Clara era algo inimaginável, nunca passou em sua cabeça viver longe de quem ele amava e decidiu deixá-la ir, decidiu não resistir, afinal Clara tinha o direito de decidir sobre quem amar.

Manoel se trancou dentro de si mesmo, era visto pelos cantos de casa, não fazia mais compras, não brincava com os cães, esqueceu da cerveja aos domingos, das canções antigas, esqueceu de Clara, esqueceu de sonhar, esqueceu de viver.

O tempo não perdoa quem dele se esquece e passou por Manoel levando dele muito mais do que ele possuía.

Antes que Manoel morresse no tédio de sua vida terrena, foi decidido transferi-lo para um lugar mais calmo, longe das lembranças terrenas. Manoel adorava a paz do interior, adorava animais, passou a adorar a solidão e uma pequena fazenda foi comprada em seu nome.

Manoel não parecia estar satisfeito em seu novo lar, mas o tempo se encarregou de amenizar as feridas do passado, fazendo desse novo lugar um refugio para suas dores. Esqueceu de Clara como quem se esquece de andar de bicicleta e passou a cuidar das coisas ao seu redor.

Como toda fazenda tem seu nome, Manoel decidiu batizar a sua, a chamou de “Fim do Mundo”, colocou uma bela placa bem na entrada com o nome escrito em letras grandes, passou a prosseguir finalmente o seu caminho.

(...)

- Já é o suficiente por enquanto, continuo a historia depois do jantar.
- Dona Elisa?
- Sim!
- Manoel morava nesta casa?
Perguntei com muita curiosidade.
- Morava sim!
- E o que aconteceu com ele?
Indagou Alice.
- Vocês saberão no desenrolar da historia.

(...)

O dia estava perfeitamente lindo, as cores, o sons, a natureza se mostrava em face de seus milagres diários.

Dona Elisa foi cuidar das tarefas necessárias para manutenção do pequeno sitio, enquanto Alice e eu saímos para explorar um pouco mais daquele lugar.

Decidimos analisar o conteúdo daquela placa que vimos na entrada e constatamos que era a mesma placa que dona Elisa se referia na historia, de fato Manuel realmente existira, mas ainda faltava muita coisa para darmos um fim a tantas interrogações.

Finalmente Manoel enlouquecera? O que aconteceu com Clara? Qual o motivo que levou Clara a decidir pelo fim de um relacionamento tão belo? Pelo que sabemos Manuel não era uma má pessoa, e acima de tudo ele a amava.

Atentamos para um novo fato, a fazenda apesar de pequena possuía dimensões notáveis, havia hortaliças e pomares, animais que precisavam de muito cuidado, como uma senhora poderia cuidar de tudo sozinha?

Enquanto ajudava dona Elisa no concerto da cerca que foi danificada por uma vaca que tentou transpô-la, ela me falou que não era necessário eu esperar tanto pelo fim da historia, à noite ela nos contaria todo o final e assim cessariam todas as nossas duvidas.

Na hora do almoço nos foi servido um belo frango, suspeitei do galo que acordara Alice, mas pude vê-lo no terreiro e percebi que ainda não havia chegado a sua hora.

À tarde fomos até o riacho que ficava nos fundos da propriedade, voltamos no final da tarde e encontramos dona Elisa sentada na varanda admirando em silencio o por do sol.

- Tem bolo na cozinha, se estiverem com fome sintam-se servidos.
- A senhora ler pensamentos?
Perguntei brincando.

Um maravilhoso bolo de fubá estava em cima da mesa, confesso que nunca em toda a minha vida, havia comido um bolo tão saboroso.

Percebi que na frente da casa tinha uns pedaços de madeira que seriam usados para fogueira, dona Elisa havia chamado alguns vizinhos para cearem junto a nós.

Finalmente a noite chegou e junto com ela foram chegando um a um os vizinhos que moravam nas proximidades, pessoas alegres, divertidas, acolhedoras, típicas de um vilarejo modesto, conversas engraçadas, piadas fora de hora, fizeram nossa noite espetacular. Após o jantar nos despedimos de todos os convidados e finalmente quando o ultimo havia ido embora dona Elisa ajeitou a fogueira para que a mesma continuasse a oferecer calor por mais tempo e perguntou se queríamos ouvir o resto historia.

- Eu falei que Manoel tocava violão?
- Não!
Respondi de imediato.
- Pois é, ele não era um exímio tocador, mas se perdia em pensamentos quando tocava, era a melhor forma que ele tinha de esquecer de si mesmo. Ele por sinal gostava muito de uma musica em especial, se me permitem posso cantar um pouco dela.
- Claro que sim, ficaremos honrados com isso!
- Bom, acho que começava assim:

“Se um dia fores embora
Te amarei bem mais do que esta hora
Me lembrarei de tudo que eu não disse
E de quando havia tudo que existe
Quando choramos abraçados
E caminhamos lado a lado
Por favor amor me acredite
Não há palavras para explicar o que eu sinto
Mesmo que tenhamos planejado
Um caminho diferente
Tenho mais do que eu preciso
Estar contigo é o bastante
Certas coisas de todo dia
Nos trazem a alegria
De caminharmos juntos lado a lado por amor
E quando eu for embora
Não, não chore por mim.” (Renato Russo)


Ovacionamos dona Elisa com aplausos, nunca havíamos ouvido uma canção tão linda.

Ela continuou:

- Manoel depois que veio morar aqui decidiu recomeçar sua vida, trabalhava arduamente nas tarefas necessárias da fazenda e ainda tinha tempo para ajudar aos outros.

Viveu solitário durante 4 anos, até que conheceu Helena.

Helena por sua vez era uma mulher de hábitos urbanos, conheceu Manoel num passeio que fez por essas regiões, ele a ajudou com o pneu de seu carro que estava furado bem na entrada da fazenda, ela se apaixonou de imediato pela simplicidade de Manoel e pela primeira vez depois de Clara, Manoel decidiu se entregar ao amor.

Mas ambos não se conheciam direito e a relação foi ficando estreita conforme o tempo passava, Helena engravidou, Manoel não era mais o mesmo, as complicações de um relacionamento tão estranho o tornava vulnerável aos vícios, ao estresse, em fim Manoel estava no alcoolismo.

Judite nasceu saudável, era bela como a mãe, Manoel passou a amar aquela criatura com todas as suas forças, Judite trouxe o brilho aos olhos cansados do pai, trouxe vida a fazenda, trouxe paz ao coração do casal e finalmente passaram a ter uma vida harmoniosa.

Em 1992 houve um surto de contaminação em todo o país, a doença era inofensiva para alguns, mas quem fosse escolhido pela morte seria de imediato tombado pelo seu poder, Helena adoeceu juntamente com Manoel, ambos se preocupavam muito com Judite que até então não apresentava os sintomas da doença, mas quando os pais apresentavam melhoras veio o que eles mais temiam, Judite passou a apresentar os sintomas da doença e de uma forma mais intensa, foram dias de desespero para ambos, até que ela não resistiu.

O brilho se apagou de uma vez por todas, Helena foi embora, Manoel voltava a beber, a fazenda ruiu, os dias ficaram cinzas e Manoel decidiu não mais viver.

Os últimos dias de Manoel foram velados por todos os amigos mais próximos, ele não tinha parentes conhecidos, ninguém sabia qual era sua origem.

Quando numa manhã de um dia qualquer, Manoel não pode se levantar, estava debilitado, não era constatada nenhuma doença, alguns diziam que era mal de existir, ele apenas não tinha vontade de existir.

De repente surge uma figura na porteira, era uma mulher de estatura média, cabelos curtos, olhos castanhos, bela, serena, chegou até nós e perguntou por ele, a levamos até o quarto que Manoel estava e que por sinal hoje é o quarto de hóspedes, nos disse que queria ficar a sós, demorou muito tempo, Manoel apresentou uma repentina melhora, seus olhos se encheram de lágrimas, a mulher saiu em seguida, deixando Manoel muito feliz.

Não se sabe ao certo qual o motivo de Clara e Manoel nao estarem juntos, esse é um segredo que Manoel levou ao túmulo, ou talvez nem ele mesmo conseguiria entender.

Manoel viveu mais 2 anos depois da tal visita e veio a falecer sem motivo algum, apenas dormiu e não mais acordou.

- E quem era a tal mulher?
Perguntei aflito.
- Ainda não sabes?
Indagou-me dona Elisa e em seguida falou.
- Era a única mulher que Manoel realmente amou!


(FIM)




(jefferson dos santos)
Escrevi meu melhor verso,
Trouxe de dentro de mim minhas melhores palavras,
Deveria ter paciência para guardá-las,
Por mais que queira explodir,
Devo perceber o mundo ao meu redor,
Meus estilhaços não devem ferir quem me cerca.




(jefferson dos santos)
Durante certo tempo, um tempo qualquer sem delongas, um tempo voraz, uma noite acintosa, era preciso fraquejar ao pensar na loucura.

Enquanto louco me achei lúcido, e lúcido me achei perdido.


Caminhando pelos cantos daquela areia movediça, enquanto sugava-me a fé, pude avistar caiz distantes, reconheci meu corpo pútrido lançado em tantas ondas, absorvido por tantos grilhões, velado por tantos ideais.


Já não quero mais pensar, por hoje já não preciso do meu corpo ao meu lado, busco a profundidade da mente, busco responder agressivamente ao silencio e em seguida me silenciar, me resguardar, proteger-me de quem me aceita, violar todos as regras em busca do sentido real que nunca deixei de acreditar, tenho pavor de pensar, penso em nunca mais pensar, em nunca mais escrever, em nunca mais desabafar em linhas ininterruptas de folhas em branco, riscadas por cores nada cintilantes, apenas quero usar o fosco para demonstrar minha maior alegria, para rebuscar minha maior tristeza, desperdiçar meu tempo fazendo do meu tédio meu remédio, meu vicio inconcebível, minha sede inafiançável, meu valor incontestável, meu querer violado, minha cabeça pede descanso em meio ao mundo cruel...






(jeffeson dos santos)

O que poderia eu ser se eu nada sei quem eu sou?

O que dizer se é mais fácil correr do eu, se o eu nunca fez por querer ser sempre eu?

Se eu não me quiser, nada posso fazer para que o eu me queira.

Eu até entendo, eu ate aceito, mas ao mesmo tempo nem entendo, nem concordo.

Ah! E daí se querem buscar respostas onde nem eu mesmo sei achar.

Não esperem que eu sinta saudades, nem ao menos seja vivido por desilusões.

Tenho um braço guerreiro que já não sabe o que é vencer.



Fazer o que se ela quis assim.

Que nada sei é a única certeza que aceito.

E a vida que outrora busquei,

Será a vida que sempre me leva de volta pro mesmo ponto de partida.

Desculpa por tentar esquecer.

Desculpa por ser mais forte que os próprios golpes.

Perdão se meu corpo se desfalece por pensar em tudo que falei um dia.

Realmente o único perdão que preciso acreditar, é o perdão que não pude reconsiderar.

Mágoas?
Tristeza?
Vida?
Desejo?
Palavras?
Nada?
Causos?
Sinceridade?
Respeito?
Crença?
Paixão?
Lucidez?
Liberdade...

Eu que tentei me libertar, aceito que se libertem de mim.

A minha bagagem já estava arrumada, minhas trouxas estavam dobradas, meu abajur de sonhos, que há muito já citei, continua no mesmo lugar, esquecido como tantos outros suspiros de minha curta vida medíocre.

Eu conheço meu sorriso, reconheço meu querer, vou correr pra longe por uns tempos do muito que há de você em mim, mas nada posso garantir do que minha memória é incapaz de apagar.









(Jefferson dos santos)
Queria muito não sentir o que sinto, medo.

Queria muito esquecer o que preciso, você.

Estou tentando me libertar das amarras, vida.

Estou sem rumo, sem anseio, sem esperança, perdido numa redoma de vidro e sem espectadores, só dores.

O tolo que sou e que nem sabe usar as palavras, pede socorro, meu corpo sofre de angustia, meus olhos eu preciso arrancá-los, minha boca eu preciso perdê-la, minhas mãos eu preciso amputá-las, eu preciso e não consigo aceitar minha precisão, eu quero e não consigo querer com exatidão.

Meu coração me mostrou o quanto sou frágil, o quanto sou mortal, o quanto posso sofrer ao fazer alguém sofrer.

Já não sei ao certo o que me guia, suplico aos céus e nada ouço, suplico a deus e nada vejo, suplico ao tudo e nada mereço.

Queria um remédio que sanasse todas as minhas dores, todos os meus medos, todos as minhas insanidades, todo o meu penar.

Desculpa por não ter sumido dessa vez, mas preciso gritar mesmo que seja através de letras.
Preciso de tanta coisa, preciso me evitar, preciso me eliminar, me subtrair, me incinerar, me abstrair.

Minha alma já não tem mais valor algum, minha salvação eu mandei ir embora, meu sonho eu joguei fora e nem sei como eu o deixei partir.




(jefferson dos santos)

Aracaju 11/11/09

Olá Mathias! Escrevo-te desta vez no intuito simplório de explanar meu sentido e minhas concepções, espero que tenhas um tempo breve para desperdiçá-lo lendo esta minha carta, este meu desabafo, esta minha inquietação.

Gostaria antes de tudo de avisar que por aqui as coisas estão acontecendo na aspereza contínua da vida, nada acontece nesta cidade, nada surgi nestes horizontes, está sendo mais fácil perder um dia de sol do que ganhar um dia de chuva, sem contar a bagunça que se encontra em meu mundo, pela casa se vê roupas, livros, fotos, cartas, presentes, canetas, papeis, brinquedos velhos, lembranças antigas, e tantos outros pelo chão, estou tentando me levantar dessa bagunça e procurar um canto melhor, minhas tardes continuam a exalar um aroma de saudade, um imenso vazio reina triunfante por sobre meus dias.

Ultimamente venho sentindo algumas dores fortes, não sei ao certo de onde vem estas dores, mas sinto que nenhum remédio soluciona, faço uso indiscriminado de muitas substancias e nenhuma me trás conforto ou paz.

Sinto meu rosto cadavérico, minha alma assustada, meu corpo moribundo, meu sorriso borrado, minha ansiedade estampada, meus olhos cansados, minhas roupas manchadas...

Tenho motivos suficientes para me jogar no meio da confusão, dar um safanão no primeiro em minha frente, dar uma rasteira no outro ao lado, um empurrão no mais baixo, um tapa escondido no mais alto, um abraço num amigo antigo que nunca mais tinha visto, um pisão naquele mané da 4ª série, um dedo pra professora chata, um soco no guarda folgado, um sorriso pra quem devolve outros, acenar pra quem conheço, ignorar quem me desconhece, amar a quem não me esquece, ajudar a quem mais crer na prece e enfeitar a rua ladrilhada para o meu amor passar.

Lembra da foto que caiu no lago?

Pois é, mantive-a intacta depois de tudo que passou por mim, até evito fita-la, afim de nunca mais rever os traços de minha idade e da minha solidão.

Por esta oportunidade de esclarecer minhas dores e desabafa-las te agradecerei infinitamente, é óbvio que possuis uma notável paciência e que continues assim, mudo e sem razão.





P.S. Avisa a todos aí que não sinto tantas saudades, o que realmente sinto é um abismo de vazio e medo por não vê-los ao meu lado nos momentos que mais preciso.





Ass.: Jefferson dos santos

Cordel da Despedida

Das dores que já senti
Nenhuma me dói tanto
Essa me aperta a alma
Me faz viver em prantos
Dor forte e traiçoeira
Dor do desencanto.

Acredito na esperança
Boto fé na divindade
Já falei ate com Deus
Esse me falou de verdade
Mas agora me pergunto
Onde está a felicidade?

A força dos meus dias
Nunca mais quer voltar
Dizem que foi embora
Que deixou de me amar
Dizem até que mora longe
Já não pode me encontrar.

Foi na noite do dia 3
O peso da vida a cair
Meu amor quis ir embora
Meu amor que quis partir
Meu coração em pedaços
Um sonho que ja perdi.

Não mais verei teus olhos
Nem teus lábios beijarei
O sorriso fecha a porta
Vou perder quem eu amei
De todos os pecados
Esse é o maior que já pequei.

Se ao teu lado fui feliz
Do meu lado me ajeito
Sem você vou prosseguir
Esse vazio dentro do peito
Minha alma pede paz
Vou esquecer dos meus conceitos

Nada mais terá sentido
Desse tudo que sonhei
Vou mudar todos os planos
Esquecer-te eu não irei
Refazer minhas esperanças
Começar donde parei

Dedicarei este poema
Aos versos que já não fiz
Aos textos que não farei
As prosas que já escrevi
A você que me esquece
A mim que te perdi

Queria eu ser a verdade
Nem que seja por um só dia
Pra te provar o que sinto
Pra te trazer minha alegria
Pra aquecê-la em meus braços
Dissipar minha agonia

Que deus seja louvado
Pela força da oração
E que ele me explique
Porque essa confusão
Estou querendo ouvir dele
Qual será sua opinião
E mesmo que não me ouça
Ou despreze meu coração
Terá que me mostrar
Uma justa explicação
Não me importo com a demora
Se forem dias de aflição
Só espero que ele diga
Qual será minha punição
Por amar quem me amava
E perde-la sem razão.
Que esta droga de doutrina
Caia vil pelo chão.





(Jefferson dos santos)
Deixaremos para trás coisas sem nenhuma importância, arquivaremos velhos papeis que se desgastaram principalmente por culpa minha, eu acho, irei deletar para sempre cada faísca desse fogo que se apagou em você, processarei pelas perdas todos os envolvidos e encerrarei minha trajetória como quem encerra uma vida em cinco segundos.
Tirarei essa idéia tola de que o passado existiu da minha concepção, amarrotarei minhas camisas novamente, tentarei voltar ao que era, tentarei me livrar do aperto, desatarei o nó da garganta, complicaria ainda mais se continuasse a dizer o que você não quer mais ouvir.

A partir deste parágrafo nada mais deverá ser levado a sério.

Os efeitos estão aparecendo aos poucos, a percepção do mundo é diferente agora, o equilíbrio está prejudicado, há movimentos em todos os lados, não consigo me concentrar, há um mar de sal em frente e uma montanha de ventos atrás, nem me lembro mais do que pretendi esquecer, ainda está só começando a já me sinto possuído totalmente por este poder sobrenatural que veio de qualquer lugar que não me interessa saber nesse momento, outros estão alcançando o êxtase da felicidade e não conseguem parar de rir, o desespero existe, não podemos negar este fato, mas é insignificante se comparado com a euforia que acelera os batimentos coronários, sinto poder voar agora, vejo asas crescerem, não há mais uma definição de cor pro mundo, pelo que vejo nem cinza existe nesse dilema, só cores vivas, psicodélicas seria a palavra exata, vontade de pular de cima da casa só para testar as asas, não querem me deixar subir lá em cima, ficarei quieto, deixarei de gastar minha loucura dessa forma, agora a fome bate e os pratos parecem discos voadores a passar pela minha cabeça, me esconderei embaixo da mesa, aqui eles não me machucarão, temo que haja vida dentro da porcelana, partículas dominadoras que penetram pelo ouvido e dominam meu cérebro, alguém caiu na piscina e me deu a mesma idéia, agora tentarei ser um peixe sem chamar atenção do tubarão, o tubarão tentou me devorar naquele dia que pisei numa alga na praia, me tornei um deus, sinto que posso realizar todos os meus desejos, pelo menos a porta se abriu quando eu quis, agora falta testar isso em você, mas não devo fazer isso, me lembrei que deveria te esquecer, tentarei te esquecer, vejo que meu poder falhou, droga deus não pode me ajudar... Mais que droga é essa? Fazem oito horas que estamos presos nesse paradigma e não tenho nenhuma esperança que isso irá passar logo, putz deveria ter tomado menos, a quantidade foi proporcional a dor, a necessidade de enlouquecer, a quantidade foi mensurada por um louco que queria ficar louco, então não devo reclamar, mas a hora de voltar já passou, se me ligarem vai rolar sujeira, aquela arvore talvez possa me ajudar, ela quer me dizer algo, o som do silencio é profundo, a falta de não ter o que fazer pode talvez ser melhor que viver tendo o que fazer em vão.

De ilusão meu corpo não sobreviveria.


(Jefferson dos santos)
Um ultimo mergulho e pronto, me sinto melhor da tristeza, nem me vejo por entre meus pensamentos, esqueci que devia lembrar por mais tempo, esqueci que devo esquecer, escondi minhas pegadas embaixo desse sistema, dessa hipocrisia, desta droga de ilusão.

O mar está mais forte agora, as ondas me cobrem e me levam a deriva, como dizia aquele senhor: - Deixa o mar te levar, o mar é seu amigo!

Esses meus motivos, aquelas minhas idéias, aquelas minhas loucuras, já não tenho mais o mesmo vigor para voltar a cometê-las, no entanto é possível assinalar o contorno do vento e evitar um furacão maior.

Eu que não sou de palavrões, tenho um arsenal deles aqui guardado, tenho munição para três cruzadas, cinco guerras mundiais e nove conflitos territoriais, mas num entanto não há necessidade alguma de disparar todo esse poderio, tão insignificante quanto quem irá proferi-los, para as paredes do meu quarto.

Comprei passagens de ida para o final do arco-íris, estou vendendo pela metade do preço para quem estiver interessado, motivo? Não os usarei, não agora.

Boa noite!
Sonharei a cada chance que eu tiver de enlouquecer!!!
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Adeus!


Eu que pensei na solução pros meus dias,

Resoluto quis negar-me a felicidade,

Sem causa e sem direito quis tomar meu rumo,

Amarrei as sandálias nas mãos,

Ajeitei um pouco de força,

Estufei o peito adiante... e fracassei.

Fracassei em ter saído sozinho,

Fracassaria se tivesse saído sem você,

Seu amor é tudo que preciso,

Sua companhia é muito mais do que pude querer,

E eu que tanto pedi pra ser feliz,

Hoje sei o quanto tenho a chance de ser.

Jamais esquecerei que meu caminho escuro

Necessita demais da luz dos teus olhos!

E que minha vida continue a mudar,

Que a mudança me faça um alguém,

Um homem, seu eterno companheiro,

Seu chão, seu alicerce, sua alegria...

Ao te ver de regresso, vi meu coração pulsar, vi mais cores em minha vida, e a esperança voltar.
Por mais que se queira, não se pode negar, a vida só é inteira com um bem para amar.


Eu preciso te ver, para falar de minha vida, para falar de você.


O sol já se foi, escureceu meu viver, a lua até que veio, mas nada pode fazer.
E nesse rumo que escolhi me aperta o coração, por ter de ver partir, o amor da minha canção.


(Jefferson dos Santos)

Sentado na areia ouvi um louco falar sobre a saudade,
Sentei na areia e busquei entender a falta que tudo faz,
O louco foi embora, mas deixou a saudade em marcas na areia,
Havia pegadas demais para segui-lo.

A ferrugem nos olhos cegava meu ponto de vista,
Roubava-me as forças dos argumentos,
Tentei entender, tento entender, tentarei entender,
Mas já não sei como.

Já precisei seguir o mesmo caminho,
Encurtei meus passos,
Demorei muito mais para ir embora,
Pegadas diminutas a passos curtos.

Eu penso em quando eu precisar pensar em você.
Onde saber que posso entender?
Meu pensamento ainda está ressonando,
As noites serão curtas demais pro meu cansaço.

Darei sorrisos em troca de pouca memória,
Mas nada me será tão inútil quanto a solidão,
Mas nada nos será tão desnecessário quanto a ilusão,
Mas tudo será tão preciso quanto o sorriso que me acena de longe,
Dizendo que ta descansando, afirmando que vai ficar bem,
Gesticulando que está tudo bem,
E eu acreditando que falta muita falta, sobra muita ausência,
Restam poucas saídas, e sobrevivem eternas esperanças.

Meu poder de nada poder ser,
Meu saber de nada saber fazer,
Minha vontade de ter vontade de lhe deixar a vontade,
Nossos dias que foram dias,
Serão dias,
Pois nada mais do que simples dias,
De um dia que faz pouco tempo que passou.

E as canções que nem tentei escrever,
Estarão por hoje guardadas,
Trancafiadas num criado-mudo-surdo-cego qualquer.

E o rumo?
Sem mundo não sei responder.
E o rumo?
Em meu mundo falta você.



(Jefferson dos Santos)
Os momentos passam pela nossa frente,
a incerteza de estar deixando tudo acontecer no instante certo,
a vontade de fazer tudo de uma só vez,
arrumar a vida num fechar de olhos,
se entregar sem limites como se já tivessem passado tantos séculos,
sorrir do nada ao pensar em você,
ver meu dia a cada dia mais dia,
mais vida na mesa,
mais cores em seus olhos,
vontade de sair pulando,
pregando o que sinto,
mensurando o imensurável,
arquitetar planos,pensamentos distantes de tudo,
menos da lembrança de que você existi e eu te encontrei.




(jefferson dos santos)
Deveria existir um dicionários pra momentos difíceis.
Lá poderíamos encontrar as melhores saídas pra tudo.
Em cada folha existiriam um manancial de saídas, meios, práticas, soluções e frases para aliviar tantas coisas, principalmente a dor de quem a gente tanto admira.
Deveria conter um manual de instrução com decisões já revisadas e certificadas pelo ISO (9001).
Mas enquanto fico sonhando com uma coisa dessas, tentarei fazer o que posso, com muito medo de no final não fazer nada.

(jefferson)

.
De tudo que improvisamos na essência da vida,
De cada anseio que nos arremessa de peito aberto pra sonhar,
Das noites que passo pensando em você,
Do inegável poder que seu sorriso exerce sobre mim,
Dos teus olhos que eu não canso de fitar,
E do sorriso que tanto busco vislumbrar,
Nada é mais certo do que essa vontade louca de te ver.

Já não aceito meu dia sem a lembrança,
A sutil lembrança que você existe.

Mudei meus planos ao te encontrar,
E de tudo que eu possa fazer só uma coisa é certa,
Te ver me faz mais feliz.


(Jefferson dos Santos)


.
Antes até da matéria, antes mesmo do sentido primário do próprio ser, da incidência de qualquer tipo de raciocínio, da desfragmentação do real, da metamorfose macrobiótica que marca a passagem do espírito para o corpo, da troca de horizontes paralelos por ângulos convexos e planos, da reestruturação de fatores da personificação e antes de tantas mais, será preciso mensurar os espaços ideológicos gerados a partir de uma fonte especifica e desconhecida.
Não devemos acarretar atributos desmedidos numa visão paramétrica do que já se conclui, ou subtentar a verbalização do existir, nem ao menos arremessar compenetrações em âmbitos opostos e de naturezas inexplicáveis.
A partir da disseminação do acontecido, se faz óbvio e intraduzível a desabstração do convulso e a concretização do paradoxo ocasional.
É certo que mesmo anulando todo o sistema e submetendo todo intuito do acontecer, ao que chamamos de sublimação cósmica, chegaremos enfim ao que diremos ser conhecido por sonho.
(Jefferson dos Santos)























(DDI)

Trancafiado na ilusão de ser um ponto referencial de apoio, amarrado com linhas de seda e amassado num canto qualquer de sonhos, encontrei aquele pedaço de papel.
Há coisas que nem sei como fui capaz de escrever, pensar, expressar e não gritar.
Existiam letras ilegíveis mesmo para quem o escreveu, versos incompletos e dispersos, soluços de um instante distante, versos sutis e esperanças futuras, nada sei do conteúdo, nada fiz para entender, nada pude compreender daquele que um dia passou por mim, daquele que mudou, viveu, reinventou-se, subjugou-se, transmutou-se, e nada aprendeu.
Ainda sinto as mesmas dores, as mesmas preocupações, ainda continuo mortal.
Em discagem direta inter-estrelar (DDI) tentei falar com alguém lá de cima, mas ninguém me atendeu, nem mesmo uma telefonista pra mim da satisfação, nem linha se percebia entre eu e o alto.
Meu partido está na ilegalidade, minha comissão de ética passa agora por um decoro parlamentar, querem golpear nosso estado, decretar estado de sítio, anistiar meus sonhos, torturar minhas verdades, alienar meus pensamentos, enlouquecer é o que posso conseguir.
O telefone mudo continua a me afligir, a voz do outro lado continua a não falar, ouço risos enquanto uma torcida inteira é derrotada, sinto falta de tanta coisa que ainda nem fiz.
Das metas que tracei só uma consigo por em pratica, de nunca parar de escrever.



(Jefferson dos Santos)

O amor de Chico!


Certo dia de sol qualquer, margarida meio confusa e abatida quis tirar a prova do amor de Chico.
Ela precisava saber a intensidade do amor que Chico sentia e um dia desses resolveu interrogá-lo:
-Chico você me ama?
Perguntou margarida meio sem jeito.
-Claro que te amo, uai.
Respondeu Chico relutante.
Apesar dessa resposta rápida e convicta margarida ainda achou pouco, queria mais, pra ela faltava uma certeza maior, então disse ao Chico:
-Se ocê gosta de mim então prova!
Chico pensou, pensou, pensou e falou de braços bem abertos:
-Eu gosto de ocê assim, desse tamanho!
Margarida retrucou:
-É pouco!Eu quero mais!
Chico meio confuso, abriu os braços o máximo que pode, quase deu uma volta inteira em seu próprio corpo e disse:
-Eu gosto de ocê inté desse tamanho!
Margarida ainda descrente falou:
-Ainda é pouco Chico, to vendo que ocê não gosta mermo deu!
E Chico sem saber o que fazer voltou a pensar e finalmente lhe veio uma grandiosidade, ao que disse:
-Margarida o meu amor por ocê é do tamanho de uma pança de elefante!
Margarida em prantos gritava:
-Ocê ta comparando nosso amor a uma pança de elefante Chico?
Chico tentando remediar disse:
-Não margarida, não é isso, é só no tamanho!
Margarida enxugando as lágrimas continuou a duvidar dizendo:
-Ainda é muito pouco!
Chico já não sabia o que fazer, até que voltou a pensar e gritou:
-Meu amor por ocê vai daqui inté a lua!
Margarida chorando, choramingou:
-Quer dizer que ocê só me ama de noite?
Chico desesperado falou:
-Então meu amor por você vai daqui inté o sol!
Margarida em lágrimas chorou:
-Quer dizer que ocê só me ama de dia Chico?
Chico pôs as mãos na cabeça, como se estivesse pedindo socorro, até que teve uma idéia.
Começou a se afastar de margarida e foi caminhando, caminhando, andando e caminhando, até que chegou bem longe e disse:
-Margarida, meu amor por ocê vai inté aqui!
Margarida já com raiva disse:
-Ainda é pouco!
Chico andou mais, e mais, e um pouco mais, até que chegou num ponto bem alto e bem longe e na hora do grito escorregou, caiu morro abaixo, rolando feito pedra e ao chegar no fim da queda, todo machucado, nariz arrebentado, braço arranhado, perna dolorida, cabeça ferida, quatro contorções e uma fratura exposta, disse:
-Margarida, eu amo você que inté dói!
Nessa hora margarida sentiu um frio na barriga, um balouçar de pernas, sentiu-se fora do chão até que gritou:
-Oh Chico!Você é tão romântico.


FIM



P.S. E viveram felizes para todo o sempre!^^


Texto original tirado de uma Revista em quadrinhos que eu li a muito tempo atrás e adaptado por Jefferson dos Santos.
Por uma pedra na mão troquei um pôr-do-sol, por um abraço fiel deixei uma eternidade, por um mar fui engolido, por uma ilha abandonado, pelo meu sonho consumido e o que me resta?
Foram os olhos encharcados que me cegaram por instantes, foram as vésperas da ansiedade que me levaram a nunca ser nada, por um triz eu seria esquecedor, por muito menos ainda eu seria um falsificador ideológico conturbando minha própria fé.
Gira minha vida e a faz parar num lugar melhor, prometo não abrir os olhos, prometo esperar dessa vez, são as promessas que sempre deixo de cumprir.
Empurra meu ócio abismo adentro, quem dirá que fui alguém?
Disperse os espíritos que nunca se cansam de tentar, ajuda-me senhor a ser mais forte que minhas fraquezas, não quero um novo coração, apenas peço por um concerto nesse velho coração que já não sabe a que se apegar, aperta-o contra a parede e o faz confessar, faça-o falar, já que isso eu não sou capaz.
Joga-me no esquecimento das tardes inesquecíveis, minimize a janela que me leva a tantos caminhos confusos e abre de uma vez por toda a porta que nunca fiz questão sequer de tentar abrir, aproveita e aguarde um momento enquanto eu lavo minhas roupas, quero estar limpo dessa vez.
Em meus bolsos nada alem do que esperança, em minha mochila nada alem de certezas, em minhas mãos nada alem de forças para não fraquejar.
Façam-me o favor de serem humanos, não me levem a mal, mas nada do que vi me alegrou, é preciso muito mais do que amar, é preciso acima de tudo ter coragem para enfrentar o amor, pois quando se ama de verdade o sofrimento é uma pedra alojada no inverso do calçado, um espinho imperecível, mas nada demais pra quem tem fé, o difícil é saber até quando essa fé é suficiente.
(jeff)

Eu vou pedir-te apenas mais um desejo e nada mais.
Ilumina a noite do meu bem, clareia o sono da força que me guia, faz companhia, trás companhia, seja companhia, vela teu pensamento, não a deixa esquecer-me, a faça sonhar-me mesmo por uma décima fração de um segundo qualquer perdido em meio a tantas madrugadas sem ela, aquece o frio que enfraquece, salienta o desejo que esvaece, acorda a calmaria e adentra no recanto que guarda a beleza dela.
Diz a ela que sem ela eu nem sei o que sou, diz a ela que com ela eu nem mensuro o que eu seja, diz tudo que ela já sabe que eu diria e mais um pouco daquilo que eu já disse há tantos dias, fala que a quero, preciso e venero, fala que falo sozinho tudo que a distancia não permite que eu diga.
Ajeita meu sono, endireita meu cansaço, aproveita e me trás inspiração, só não aumenta a saudade que essa já não consigo suportar.
(jeff)


A distancia pela janela que deixa tempos, a saudade pela vontade que deixa suspiros, a vida pelas mãos que deixam certezas, o retorno pela esperança que deixa sonhos, o mundo pela porta que deixa solidão, o grito pelo vento que deixa o frio, a ausência pelo sentido que deixa marcas, os traços pelo rosto que deixam desejos, a espera pela via que deixa rastros, os passos pelo espaço que deixam fatos, a lembrança pelo agora que deixa o ontem, o sorriso pelos meus lábios que deixei levar.

De todas as coordenadas onde se encontras só uma é exata.

Por hoje não posso te achar, por hoje te encontrar é quase impossível, mas em mim você faz abrigo, aqui dentro eu nem preciso procurar, é só me calar que sinto cada célula do teu corpo em unção com o meu.

As medidas que nos afastam, os montes que atravessam na frente, as curvas que desorientam o meu situar, os pára raios solitários que arranham tantos céus deixando escorregar um tom assinalado por tanta escassez.

Por hoje eu só encontro o mar, por hoje acercarei meu espírito das boas lembranças, por hoje serei eu e meu sentir.
(jeff)
Hoje reajustei o horário dos meus dias, fiz este feito obsequiando o silencio da minha solidão.
Dias sem você e ainda tento continuar vivo por fé ou por vontade, não sei ao certo o que me guia.
A única imagem que guardo na mente me trás seus olhos, seu sorriso, seus traços conjugados por algum tempo verbal mais que perfeito, o som de sua voz que soa às vezes tão perto me fazendo senti-la ao meu lado e tudo que há em você e que não tento esquecer.
Aquele meu breve letárgico sonho que tive, aquele mesmo que outrora me comoveu, aquele único que nunca mais sonhei, sonho não deveria ser único, sonhamos um sonho por noite e quase nunca se repetem, mas foi um sonho que nos aproximou, um sonho tão belo que nada tem haver com esse pesadelo que nos envolve, que gela frio minha alma, que tenta sufocar um amor que ressurgiu tão intenso e tão puro.



Sonhos precisam ser levados a serio, decreto num decreto próprio e sem seguidores qualquer, que meus sonhos não deixarão de serem respeitados, empreitados, aguardados, guardados, cultivados, executados, equilibrados, vivenciados, almejados, simplificados, substanciados, objetivados, concretizados, alicerçados, modelados, adaptados, planejados e modulados, incentivados, consagrados e eternizados.



Entre tantos entretantos, há um tanto maior de prantos, um óbvio distúrbio manancial, uma cabeça sem repouso, um vestígio de sabores lá no quintal desértico da sede armada, guardo em meu bolso pedaços inteiros da metade que sou, por onde passei sempre deixei uma parte desse todo que me acaba, meus cartões de visita acabaram e a fábrica não me da previsão de novos, mas improviso singelos aterros provisórios tentando me contorcer num duto esquecido, vendo a luz como uma miragem, vendo a vitória a alguns palmos de distância.


O hospício, sim, meu hospício que tanto amei, onde as paredes nunca me engolem, no qual aprendi a ser feliz, nesse belo hospício vivenciei tantas descobertas e havia esperança de tantas mais, mas hoje não posso me agarrar a ele, devo mudar de repartição, devo buscar outro ambiente, adentrar pela porta da frente, estufar o meu peito e crer que estou livre dos hospícios passados.



Dizem os antigos que ainda nem nasceram, que não há resto maior de sobras do que a sobra que nunca resta, seria ironia do destino a vida parar de pulsar meus sonhos, logo agora que descobri tudo que tanto procurei, não sonho em morrer na praia, com a boca encharcada de salitre e os olhos vermelhos de areia, tudo que eu já não sou mais ainda é pouco pro que posso fazer por você.




(jeff)

Se o mundo cair sobre minha cabeça, com que cabeça eu vou pensar?
Se meu jeito não for aceito, com que jeito eu vou amar?
Se o sol não secar a lama, de que lama vou me levantar?
Se a tarde insiste em morrer, em que tarde eu vou mudar?
Se o dia sempre renasce, até que dia eu vou sonhar?
Se você é meu amor, como sem você eu posso ficar?
Se seu mundo é meu mundo, como em seu mundo não entrar?
Se no fim de arco-íris há um pote repleto de tantas felicidades, como não querer te encontrar?
Se o horizonte não sabe de mim, porque não faze-lo me assimilar?
Se todo milagre é divino, até onde devo acreditar?
Se as palavras foram feitas pra serem ditas, então porque me calar?
Se nossos beijos são tão indispensáveis, como viver sem seus lábios beijar?
Se minhas perguntas não cessam, como aprender sem perguntar?
Se a verdade é perfeita, como me alto verificar?
Se em seus olhos me encontro, como os seus olhos não amar?
Se as rosas mortais são eternas, então sei que nelas vou te encontrar.
Se o mudo sonho do mundo é cego, se o resto do lado do avesso é incerto, se a metade imperfeita da vida não interessa, se a morte nunca trás dores eternas, se a vida vivida em instantes raros pode acabar de repente, se ao teu lado me sinto em paz, se em tua paz me sinto acolhido, se não sei viver sem você, se tudo que eu preciso encontro ao teu lado, se o medo de viver em mim não mais existe, se a certeza do futuro melhor encontro com você, se e somente se meus desejos estão voltados para a mulher que amo, se nada mais importa nesse mundo do que viver em sua companhia, como negar que posso ser diferente sempre e a cada dia?
Mas me diga só mais uma vez que me amas para que eu possa me erguer novamente com as forças renovadas.
Se a chama apagada da vela acesa, no quarto escuro iluminado pelo teu corpo, na cômoda discreta que governa aquele silêncio, no abajur cor de sonhos que sempre lhe faz companhia, no retrato falado em anseios, na espera vertiginosa dos sabores matinais, naquela madrugada fria de um verão qualquer, no canto gemido de um sino ao longe, no vento sem rumo que sopra em teus cílios, nas tranças amarrotadas de seu vestido, no laço incandescente dos teus dias, na aspereza de nossa saudade e na visão sonora do meu amor, insistir em não apagar, pode ter certeza que é porque trago no bolso combustível suficiente para nunca apaga-la.





(jeff)
Em meu fazer, há vestígios óbvios de sua presença.
Há um toque só teu em minha vontade de viver
Há fatos inteiros nessa grande metade que me preenche
Leio todos os dias nossa sinopse e já não preciso ativar o repeat
Cada momento que vivemos parece único e necessário.


Já não há dias que sejam dias sem os dias que são seus dias, como todo e qualquer dia que se diarize em forma de dia que se completa junto ao teu dia, já que meu dia fica mais dia quando passo dias ao lado de seus dias.

TE AMO
(jeff)
Abro meus olhos em pleno êxtase, meu corpo petrificado, minha visão falha e ainda estou a me recuperar e nem sei do que me recupero, a sala vazia, barulhos desconhecidos, vozes estranhas, luzes expiráveis, integrais dissimuladas, derivações tão impróprias que já luto para saber quem sou, vasos partidos em mosaicos, lembranças dos sonhos que já busquei, mas muita falta que paira no ar, muitas fantasias desconexas, falas proféticas ao lado, unções embriagadas pelo silêncio nostálgico que acalma minha sede, ferve minha angustia, equilibra meu torpor, salienta minha insipidez pelo que já não sei como cultivar.
Minutos que passam sem a mínima noção de que o tempo nos mata a cada passo que damos, a idade chegará e o medo de não ter um lugar guardado no expresso das 23h13min aperta frio o peito meu.
Estarei deitado em minha rede de esperanças, ascenderei as luzes mais distantes e evitarei que ofusquem meus olhos, minha varanda fria me guardará enquanto estarei disposto a pensar, terei um tempo curto para pensar, então pensarei o mais rápido que conseguir, deixarei de lado um copo qualquer de veneno, talvez esse veneno me sirva para espantar os insetos, meu repelente está longe demais para ir buscá-lo, por hoje não pensarei nas derrotas, nem nas vitórias, nem nas urgências, nem no futuro, deixarei minha amplitude se concentrar em tudo que jamais deixei de querer, encontrei um amor e o que faço para não perde-lo?
Passam passos pela minha porta, sentidos se encontram em cada esquina, aqueles velhos ainda sentam na calçada a fim de jogarem conversas aos ouvidos daqueles que estão a fim de apanhá-las, falam do tempo, do mundo que conhecem, das coisas que desconhecem e que lhes arrancam tantos suspiros, das estórias que já viveram, dos amores que encontraram e que se eternizaram, queria tanto estar sentado ao lado deles, só pra falar como um amigo distante sobre meus anseios.
Meu maior medo é perder quem eu amo, mas maior que esse medo é o meu amor, amo como se amanhã fosse o ultimo dia a se viver, amo na esperança de ser amado o tempo necessário de minha vida, a vida por mais bela que seja é comparsa do tempo, as peças que o tempo me prega são por demais inalcançáveis.
Há sombras em baixo do travesseiro, minha cabeça repousa lá em baixo, meus sonhos repousam no avesso de minha fronha, meu edredom esquenta minha saudade, meu colchão já não suporta o peso de meu cansaço, ligo o rádio antigo, companheiro de tardes inigualáveis, manhãs indesejáveis e noites tão curtas, deveria pedir desculpa a ele por quase nunca prestar atenção ao que sai dos alto-falantes, prefiro que falem sozinhos enquanto me guardo para sonhar e fico pensando em quando estarei ao lado da mulher que amo, velando teu sono, esquentando teus desabafos, conversas boas antes de pegar no sono, resolver complicações no silencio da noite, se preocupar com as crianças no quarto ao lado, lembrar da porta semi-aberta, do café da manhã para fazer, das obrigações para se cumprir, da felicidade que tanto almejamos e que tanto nos fará bem.
Talvez meu destino esteja mostrando suas garras...
Aumento a percepção para conseguir ouvir o que querem me dizer, talvez estejam me chamando, talvez seja preciso me calar para ouvir.
As incertezas me pedem licença para irem embora, abro a porta dos fundos e as deixo invadirem a casa de quem as precisam, garotos brincam na rua e estão a chamar pelos nossos, aqueles olhos que não tiro um segundo sequer da mente estão a brincar em meio a uma grande multidão que pula feliz, se a vida me desse outras escolhas jamais escolheria outras além dessas, faço minhas melhores escolhas pensando em nossa felicidade e sei que estás fazendo o mesmo.
Estou guiando meu rumo, faróis altos, atenção redobrada em todas as curvas, aclives e declives, estou alerta, protejo quem amo, dorminhocos no banco de trás nem sentem a distancia que percorremos, sua companhia ao meu lado, sua voz ainda me deixa louco de amor, uma pausa para um beijo e seguiremos viajem em direção a terras distantes, descobriremos todas as belezas da vida lado a lado, a chuva torrencial lava a estrada percorrida, conversas tão indispensáveis ajudam a superar a ansiedade dos moleques, percebo uma estrela cadente lá no alto, passando devagar, pedidos já foram feitos, mais uma pausa para um beijo e a vida recomeça a cada instante.
Tantas pessoas sorrindo, dando boas vindas a um dia especial que se anuncia, preparativos para tantas coisas, sinto meu peito apertar, meu mole coração quer sumir alguns instantes para gritar bem alto o quanto sou feliz, preciso tanto dizer que o melhor dia chegou e que junto com ele ainda me resta uma vida inteira para se viver, vejo parentes distantes, conhecidos já desconhecidos pelos anos, pessoas que nem sei donde vieram, fazem parte do seu lado, o meu lado me comove por saber que todos estavam esperando por esse dia em minha vida, seu lado me comove por saber que também estavam esperando por esse dia em sua vida, alguém me cutuca, fazem brincadeiras na hora errada e que misturam a ansiedade com a alegria, um nó na garganta ao saber que somos o centro das atenções, pois sei o quanto sou tímido e o quanto és feliz, já não me seguro, uma lágrima de felicidade salta dos meus olhos e molha meu rosto, a lágrima mais parece uma criança em júbilos, me perguntam por coisas que já nem me importo, me interessa saber que horas são, o porquê de sua demora, tantos rostos se derretendo em lágrimas felizes, tanta esperança dominando nossos futuros, tanta vida ao nosso redor e de repente a porta se abre, a musica que toca ao fundo me eleva, olho aos céus e não quero acordar do sonho...
Superamos nossos obstáculos, superaremos nossas pequenas e tão necessárias discussões, eu entendo que serão necessárias as brigas, problemas serão os mínimos detalhes de uma vida tão cheia de alegria.
Aquele resultado chegou, meu corpo estremeceu ao ler as linhas da minha vida, já não sabia onde caber de tanta realização, me senti de uma maneira que ainda não saberei explicar, deixo apenas aqui o pouco que percebo em meu coração, finalmente meu rumo estava traçado, meus soluços se misturavam com tua explosão de felicidade, demos mais um pausa para um beijo, escolhemos tantas coisas, imaginamos tantas coisas, vivenciaremos tantas mais.
Seu aniversário chegou bem depois do meu, os preparativos de ultima hora, nunca faço nada antecipado, mas estou tentando mudar esse meu lado, par ou impar pra quem lhe acordará, a sorte caiu sobre mim, uma pausa para suspirar, uma festa para celebrar, um dia e uma vida inteira para agradecer por tudo.
O por do sol à frente, juntos sentamos na varanda de meus dias, meus dias pintados por você com as cores do arco-íris, lembranças boas, perspectivas de um rumo a se seguir, o céu fica escuro, as estrelas clareiam o céu, aquela que tem seu nome brilha mais forte, constelações da infância que ainda estão a brilhar, o fascínio ainda presente, o amor pelos seus desejos, o desejo pelo seu amor, a tarde que já passou, a noite que reina, o dia que virá e a certeza da vida perfeita.
O dia inteiro na labuta e o aconchego dos teus braços que há muito me são indispensáveis, que há tantos dias me fazem companhia, que há tantos anos me velam, que há milhares de horas me acompanham, me guiam, me fazem tomar as escolhas mais sábias.
Tenho medo das palavras que digo sem pensar, frases que não elaboro, atitudes tão puras, mas ingênuas às vezes e que não sei como calcular as conseqüências, pensar em te perder me submete ao sofrimento, mas já aprendi que devo parar de gesticular sua perda e me concentrar em sua felicidade, em como faze-la me amar todos os dias sempre mais...
Nossas conversas no telefone, conversas tão necessárias que me trazem tanto conforto, adoro o som de sua voz, seu sorriso me trás a fé nos dias de tristeza, momentos curtos que se eternizam na lembrança quando passam, se me fosse concebido o direito do tempo, passaria décadas envolvido em nossas conversas, milênios entregue a nossos tão sublimes beijos, eras entregue ao nosso amor que tanto me liberta, mesmo tendo certeza de que não somos imortais, ainda vai me restar a esperança de te encontrar em algum lugar depois que tudo isso passar.
Não esquecerei o dia que passou e deixou marcas tão boas de serem lembradas, aquela fria calçada, aquele sereno repentino e passageiro, aquelas conversas breves e sem muita necessidade, nossa necessidade estava em nos tomarmos nos braços, aquela noite que avançava às horas, a multidão que passava ao nosso redor, éramos invisíveis ao mundo naquele momento e ainda somos invisíveis quando estamos juntos, a demora do ensaio se protagonizar, a despedida e o primeiro beijo a se esperar, um momento tão eterno quanto breve, um segundo sem rumo entregue em teus braços, uma vida passada perante os nossos lábios, a saudade que ferve na distancia...
Esperarei algumas horas para escrever o próximo parágrafo, estou a esperar por um grande acontecimento que já tem hora marcada, estou ansioso, confesso, estou muito feliz por saber que viverei isso, estou sendo tomado por uma felicidade impar, ensaio todas as palavras que sei que posso não conseguir falar, não vejo a hora de olhar em teus olhos, apertar bem forte suas mãos, adentrar em meio ao silêncio, sentir suas mãos suarem, minhas pernas balançarem, meus olhos se encharcarem, as palavras faltarem, seus olhos me inundarem.
(...)
Poderei continuar agora, em meu peito bate um coração diferente, pulsa mais forte este simples coração que se engrandece a cada dia que passo ao teu lado, nosso primeiro dia como namorados e a chuva que nos lava, apesar do frio, meus pensamentos me aqueciam, sua presença lapidava toda e qualquer situação, a noticia divulgada em todos os jornais, a vontade de gritar aos cantos do universo, falar ao padeiro que te amo, ao frentista que te adoro, ao guarda que vivo mais feliz, ao mundo que encontrei uma razão para viver, fazer decretos e mais decretos, ordenar ao mundo que pare por um instante para ouvir meu grito de amor, esse sentimento que me aconchega, meus olhos que não negam o que sinto, minha louca saudade, sua presença, continuarei falando de tudo que há em você e que me faz tão bem, estou à deriva em teu mar, minhas velas estão guardadas, você me guiará seu mundo adentro, estarei ao teu lado, quero estar sempre ao teu lado, vou estar sempre ao teu lado, preciso estar sempre ao teu lado.
Felizmente não há mais porque lutar pelo paraíso, encontrei meu próprio paraíso, encontrei você...
As lembranças me acompanham em todo e qualquer momento, posso estar pulando no abismo da correria dos dias, mas você estará em minha mente me fazendo prosseguir com fé.
Aquelas tardes frias, a fogueira como companhia, conversas sublimes, carinhos tão únicos, calor tão preciso, o tempo que corre desesperado, nem sabe que não damos importância a ele, seu sorriso, seu riso puro que tanto luto para ouvir, me tornaria um eterno palhaço só para ter a prazer de vê-la sorrindo, aquele sorriso que tanto me tira suspiros ao pé do telefone, uma pausa para mais um beijo, a pausa que se prolonga por horas e horas, dias e mais dias, o êxtase de ser amado, o êxtase de amar, dizer te amo bem baixinho, errar o alvo e sem querer beijar tua orelha, não faço questão de ser bom de mira, me jogar ao relento dos minutos, esquecer dos encalços que queimam na fogueira, pôr mais lenha no fogo, pôr mais amor em teus olhos, pôr mais vida em teus dias, cultivar as sementes que plantamos, prestar atenção por alguns minutos em Juca e Marley, mantê-los longe da fogueira, voltar pro teu lado, pedir um carinho, fazer um dengo e prosseguir durante uma vida inteira nesse nosso recanto...
(...)
Porque é tão difícil viver ao teu lado?
As coisas aconteciam tão bem, de uma forma tão bela e natural, a vida que nos rodeava enquanto estávamos a nos amar, os momentos difíceis que estão nos afligindo, tantos poréns do seu lado e apenas um porém do meu, nossos planos onde estão?
Não me cansarei de te amar, mas não percebo essa força em você, tenho medo de ser abandonado por causa de minhas diferenças, tenho medo que minhas diferenças lhe prejudiquem, não vejo luz em meu caminho, meus faróis estão quebrados, minha dor me entorpece, minha loucura me esquece, mas tem nada não, sempre me sinto só quando mais preciso de um ombro para me amparar.
Cadê seu carinho?
Cadê seus beijos?
Cadê minha esperança?
Cadê meu sorriso?
Cadê o brilho em teus olhos?
Não consigo ver nesse escuro, tropeço em tudo pelo caminho, você que tanto me deu amor, eu que tanto te amo, você que sempre esteve guardada em meu coração, eu que estou sendo posto pra fora do seu.
O que eu posso fazer se ainda não sinto nenhuma presença divina em mim?
Não sei como colocar essa fé aqui dentro, então porque tantos obstáculos para o nosso amor?
Se fosse tão fácil eu já estaria prostado aos pés de quem você tanto ama...
Enquanto essas diferenças estiverem apertando minha alma estarei lançado à imensidão do oceano que me devora, estarei flutuando nas tormentas de meus dias, estarei só, pensando em como nunca te perder, me resolvo de tantas maneiras e a vontade que sinto é de esmurrar meu avesso, por para fora toda essa dor, já não suporto o peso dos dias, já nem sei se quero ser alguém, tanto sentimento bom dentro de mim e ainda me sinto imundo.
(...)
Como você havia profetizado: “E mesmo que não dure, mesmo que o futuro reserve surpresas indesejáveis, eu sempre saberei que AMEI verdadeiramente AMEI e o melhor... Fui AMADA!”.
Já não tenho muito que falar, minhas palavras se guardam, me esquecem por enquanto, já não vejo inspiração para escrever tantas coisas, mesmo que eu fosse escrever não haveria mais nada para falar, por isso a ausência dos meus textos é a melhor saída, pelo menos quando voltar a escrever já não restará muita coisa de você neles, estou passando por uma purificação pensa mental, coisa minha mesmo, coisa de quem luta para não sofrer...
Sei que devo parar de lhe tentar, devo deixá-la seguir seu caminho, buscar seu paraíso sem minha tentação, sem meu peso, sem minha cruz, deixarei de ser uma pedra no meio dos teus passos e isso não é só promessa, é um compromisso com a tua salvação.
A cada dia eu reconheço o mal que te fazia estando ao teu lado, agora que estás livre de mim só espero que sejas feliz e lute sempre pelo que deseja.
Quanto a mim, não se preocupe, tenho caminhos a trilhar também, caminhos que nem sei aonde me levarão, mas também seguirei um rumo.
Aprenderei que as escolhas que tomamos devem ser feitas com grande maturidade e com muita cautela, por isso escolho buscar uma resposta para todas as perguntas que plantei em mim enquanto estive ao teu lado.
Só tenho a certeza de uma coisa: nunca esquecerei o brilho dos teus olhos e o amor que te entreguei...
(...)
Estarei sentado no caiz com os olhos vidrados no horizonte, talvez seu barco possa ser visto ao longe, como uma estrela cadente passando rápido, por isso não quero perder o momento em que você passar, ascenderei uma fogueira para você saber que já passou por aqui e que ainda resta vida neste deserto...
(...)
Hoje sei o quanto sou ao teu lado e o quanto sou feliz...
CONTINUA...

Hoje no silêncio do quarto falei com ele, é bem verdade que eu mais falei do que escutei, mas ele me entendia, sabia que eu precisava falar...
Tentei ser indireto, indiscreto, reto, concreto, mas ele ouvia ainda assim.
Disse verdades, inverdades, metades, vaidades, mas ele me entendia acima de tudo.
Pensei em coisas absurdas, mudas, desnudas, confusas, mas ele suportava me ouvir.
Até que finalmente peguei no sono, me desliguei de mim mesmo, já não falava mais comigo, já não queria me ouvir, estava distante do meu próprio mundo, cego, louco, atordoado.
Sinto falta de nossas conversas, meus monólogos, sinto falta da companhia que eu mesmo me faço, das frases que só eu suporto saber, o ele eu que me esquece é somente o eu ele que me acontece, me ouço, me mordo, me cogito, me alteio, me rebaixo, me encaixo, me assisto, me deleto, me concluo, me encerro e nada sei do que serei.
O eu ele saiu por ai sem rumo tomar, disse que volta, mas não sabe quando, disse que foi tomar um ar, mas não sabe onde se encontrar, eu já nem quero que o meu eu volte, por mim eu me desligo da tomada e passo a vegetar, não vou me apavorar por não ter o que pensar, quanto mais quebrar homizios risíveis em minha tão machucada cabeça.
(jefferson dos santos)
O céu noturno de hoje a noite, as estrelas invisíveis do céu nú, minha cabeça que da voltas em tantas lácteas por aí, acompanhado por tantos outros halleys, que engulam-me as nebulosas, afastem-se buracos negros, espectros fisicos da natureza, me acolham estrelas solares, pois sua presença só dura milhares de mil anos...


(jeff)

"Enquanto o Inverno não Chegar'





Eu chego devagar, como sino estridente da criptomancia fisiológica, meu corpo de verbo séptico das minhas frases alheias, que remanece perante uma certeza do ontem e do hj, mas desfalece com medo do futuro.
E quando eu for crescer, o que vou ser?
E quando eu quiser viver ,como vai ser?
E quando eu precisar chorar, como parar?
E quando eu precisar sorrir, com quem vou rir?
E quando eu precisar cantar, que vai escutar?
E quando eu quiser tocar, QUEM VAI AGUENTAR?
E quando eu precisar gritar, como calar?
E quando eu for sonhar, com que olhar?
E quando eu precisar morrer, sem nem viver?



(jeff)
Meu enredo escarno, fatídico, ilusório, armado, velho enredo mísero, incerto, confuso e banal, enredo maldito das ânsias abortadas, das frases fracionadas, facções de verbos desprovidos, carrascos revoltos da comédia diária, peças animadas de um teatro morto, gárgulas da hipocrisia meridional, falsos insultos sem vigor, jogo corrupto de tédios, nortes de um rumo atípico, sentidos medíocres do néctar venenoso de lágrimas inocentes, fundos intactos de um cozer impróprio, carnes extraviadas de uma fome esquecida, oficio maquiavélico da minha própria dor, enredo que não mais escrevo, casta de tribos extintas, hierarquia improvisada de golpes ilegais, sonífero mortal da realidade.
És tu, estúpido enredo de meu teatro inacabado, que me persegue aterradoramente para um fim me levar, que esconde meu rosto manchado por lágrimas aflitas, és tu enredo maestro de tantas vidas, não dependo mais de ti para ser feliz, enredo vertiginoso, pecaminoso, periculoso, infeccioso, arco orgulhoso do nó que te destrói, fonte astuta finita, salubridade temerosa, ruivo estridente do sofrer, me livro deste enredo cruel.
Meu corpo será enterrado a beira de qualquer esquecimento, meu corpo pútrido um dia será anunciado, não peço coro nem velas, não quero choro nem sorrisos, não quero lembranças nem planos, não quero perdão nem ódio, não quero reza nem orações, quero o brilho dos olhos lacrimejados do meu amor, quero a sede dos beijos que te dei, quero seu coração pulsando pelo meu já parado, não quero arrependimento, quero levar a ultima lembrança do ultimo instante, do ultimo sorriso, do ultimo mow, da ultima chuva, do ultimo abraço, não quero levar o que não posso deixar, apenas saiam da frente e deixe meu amor passar.
Não quero túmulo, para que não seja saqueado, nem caixão, para que não seja pesado me enterrar, não quero um lugar só meu, para que não seja fácil me achar, não quero buraco, para que não seja fácil me esconder, não quero vizinhos, para que não os incomode, me joguem ao mar, me devorem ao fogo, dêem sumiço ao tudo que sou, preciso ser largado ao vácuo do acaso, do que me adianta homenagens depois de cego para ver e surdo para ouvir?
Mandem chamar meu violão, deixe-o me ver partir, avisem aos meus chapeis que fui viajar para bem longe e que lá não se usa chapéu, diga ao meu cobertor que não sinto frio nem calor, guardem meus textos num lugar que ninguém os encontre, já não me servirá mais a comoção pelo que eu escrevia, a mediocridade será maior agora, já que ninguém queria ler, não será agora que vão fazer isso, se possível os enterrem comigo, não esqueça nenhuma folha que por descuido rabisquei, não maltratem quem eu amo, não gritem com quem eu estimo, meus estimados bichos merecem tanto respeito quanto vocês, avisem na biblioteca que o livro vai ser devolvido, ao seguro que morro feliz, ao papa que nunca acreditei, aos amigos que os agradeço por aquela tarde, por aquele futebol mal jogado, não esqueçam de avisar ao mar que não volto mais por lá, a policia que não mais serei suspeito por aquilo que não carrego, ao bêbado que minha inveja pela sua loucura foi satisfatória, mas quando o mundo quiser-me acusar finjam que não me conhecem, neguem minha alegria, minha tristeza também, escondam a verdade desse mundo que não merece nossos suspiros ao pé do silêncio e não esqueçam de louvarem o por e o nascer do sol sempre e em cada dia.
Arrastem cada pedaço vil dessa dor que se aproxima para longe dos teus dias, pois força não é resistir a forca, é não deixar que te amarrem lá...




(Jefferson dos Santos)