Aracaju 11/11/09

Olá Mathias! Escrevo-te desta vez no intuito simplório de explanar meu sentido e minhas concepções, espero que tenhas um tempo breve para desperdiçá-lo lendo esta minha carta, este meu desabafo, esta minha inquietação.

Gostaria antes de tudo de avisar que por aqui as coisas estão acontecendo na aspereza contínua da vida, nada acontece nesta cidade, nada surgi nestes horizontes, está sendo mais fácil perder um dia de sol do que ganhar um dia de chuva, sem contar a bagunça que se encontra em meu mundo, pela casa se vê roupas, livros, fotos, cartas, presentes, canetas, papeis, brinquedos velhos, lembranças antigas, e tantos outros pelo chão, estou tentando me levantar dessa bagunça e procurar um canto melhor, minhas tardes continuam a exalar um aroma de saudade, um imenso vazio reina triunfante por sobre meus dias.

Ultimamente venho sentindo algumas dores fortes, não sei ao certo de onde vem estas dores, mas sinto que nenhum remédio soluciona, faço uso indiscriminado de muitas substancias e nenhuma me trás conforto ou paz.

Sinto meu rosto cadavérico, minha alma assustada, meu corpo moribundo, meu sorriso borrado, minha ansiedade estampada, meus olhos cansados, minhas roupas manchadas...

Tenho motivos suficientes para me jogar no meio da confusão, dar um safanão no primeiro em minha frente, dar uma rasteira no outro ao lado, um empurrão no mais baixo, um tapa escondido no mais alto, um abraço num amigo antigo que nunca mais tinha visto, um pisão naquele mané da 4ª série, um dedo pra professora chata, um soco no guarda folgado, um sorriso pra quem devolve outros, acenar pra quem conheço, ignorar quem me desconhece, amar a quem não me esquece, ajudar a quem mais crer na prece e enfeitar a rua ladrilhada para o meu amor passar.

Lembra da foto que caiu no lago?

Pois é, mantive-a intacta depois de tudo que passou por mim, até evito fita-la, afim de nunca mais rever os traços de minha idade e da minha solidão.

Por esta oportunidade de esclarecer minhas dores e desabafa-las te agradecerei infinitamente, é óbvio que possuis uma notável paciência e que continues assim, mudo e sem razão.





P.S. Avisa a todos aí que não sinto tantas saudades, o que realmente sinto é um abismo de vazio e medo por não vê-los ao meu lado nos momentos que mais preciso.





Ass.: Jefferson dos santos

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