
(DDI)
Trancafiado na ilusão de ser um ponto referencial de apoio, amarrado com linhas de seda e amassado num canto qualquer de sonhos, encontrei aquele pedaço de papel.
Há coisas que nem sei como fui capaz de escrever, pensar, expressar e não gritar.
Existiam letras ilegíveis mesmo para quem o escreveu, versos incompletos e dispersos, soluços de um instante distante, versos sutis e esperanças futuras, nada sei do conteúdo, nada fiz para entender, nada pude compreender daquele que um dia passou por mim, daquele que mudou, viveu, reinventou-se, subjugou-se, transmutou-se, e nada aprendeu.
Ainda sinto as mesmas dores, as mesmas preocupações, ainda continuo mortal.
Em discagem direta inter-estrelar (DDI) tentei falar com alguém lá de cima, mas ninguém me atendeu, nem mesmo uma telefonista pra mim da satisfação, nem linha se percebia entre eu e o alto.
Meu partido está na ilegalidade, minha comissão de ética passa agora por um decoro parlamentar, querem golpear nosso estado, decretar estado de sítio, anistiar meus sonhos, torturar minhas verdades, alienar meus pensamentos, enlouquecer é o que posso conseguir.
O telefone mudo continua a me afligir, a voz do outro lado continua a não falar, ouço risos enquanto uma torcida inteira é derrotada, sinto falta de tanta coisa que ainda nem fiz.
Das metas que tracei só uma consigo por em pratica, de nunca parar de escrever.
(Jefferson dos Santos)
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