Por uma pedra na mão troquei um pôr-do-sol, por um abraço fiel deixei uma eternidade, por um mar fui engolido, por uma ilha abandonado, pelo meu sonho consumido e o que me resta?
Foram os olhos encharcados que me cegaram por instantes, foram as vésperas da ansiedade que me levaram a nunca ser nada, por um triz eu seria esquecedor, por muito menos ainda eu seria um falsificador ideológico conturbando minha própria fé.
Gira minha vida e a faz parar num lugar melhor, prometo não abrir os olhos, prometo esperar dessa vez, são as promessas que sempre deixo de cumprir.
Empurra meu ócio abismo adentro, quem dirá que fui alguém?
Disperse os espíritos que nunca se cansam de tentar, ajuda-me senhor a ser mais forte que minhas fraquezas, não quero um novo coração, apenas peço por um concerto nesse velho coração que já não sabe a que se apegar, aperta-o contra a parede e o faz confessar, faça-o falar, já que isso eu não sou capaz.
Joga-me no esquecimento das tardes inesquecíveis, minimize a janela que me leva a tantos caminhos confusos e abre de uma vez por toda a porta que nunca fiz questão sequer de tentar abrir, aproveita e aguarde um momento enquanto eu lavo minhas roupas, quero estar limpo dessa vez.
Em meus bolsos nada alem do que esperança, em minha mochila nada alem de certezas, em minhas mãos nada alem de forças para não fraquejar.
Façam-me o favor de serem humanos, não me levem a mal, mas nada do que vi me alegrou, é preciso muito mais do que amar, é preciso acima de tudo ter coragem para enfrentar o amor, pois quando se ama de verdade o sofrimento é uma pedra alojada no inverso do calçado, um espinho imperecível, mas nada demais pra quem tem fé, o difícil é saber até quando essa fé é suficiente.
(jeff)

Nenhum comentário: