Sentado na areia ouvi um louco falar sobre a saudade,
Sentei na areia e busquei entender a falta que tudo faz,
O louco foi embora, mas deixou a saudade em marcas na areia,
Havia pegadas demais para segui-lo.

A ferrugem nos olhos cegava meu ponto de vista,
Roubava-me as forças dos argumentos,
Tentei entender, tento entender, tentarei entender,
Mas já não sei como.

Já precisei seguir o mesmo caminho,
Encurtei meus passos,
Demorei muito mais para ir embora,
Pegadas diminutas a passos curtos.

Eu penso em quando eu precisar pensar em você.
Onde saber que posso entender?
Meu pensamento ainda está ressonando,
As noites serão curtas demais pro meu cansaço.

Darei sorrisos em troca de pouca memória,
Mas nada me será tão inútil quanto a solidão,
Mas nada nos será tão desnecessário quanto a ilusão,
Mas tudo será tão preciso quanto o sorriso que me acena de longe,
Dizendo que ta descansando, afirmando que vai ficar bem,
Gesticulando que está tudo bem,
E eu acreditando que falta muita falta, sobra muita ausência,
Restam poucas saídas, e sobrevivem eternas esperanças.

Meu poder de nada poder ser,
Meu saber de nada saber fazer,
Minha vontade de ter vontade de lhe deixar a vontade,
Nossos dias que foram dias,
Serão dias,
Pois nada mais do que simples dias,
De um dia que faz pouco tempo que passou.

E as canções que nem tentei escrever,
Estarão por hoje guardadas,
Trancafiadas num criado-mudo-surdo-cego qualquer.

E o rumo?
Sem mundo não sei responder.
E o rumo?
Em meu mundo falta você.



(Jefferson dos Santos)

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