Se o mundo cair sobre minha cabeça, com que cabeça eu vou pensar?
Se meu jeito não for aceito, com que jeito eu vou amar?
Se o sol não secar a lama, de que lama vou me levantar?
Se a tarde insiste em morrer, em que tarde eu vou mudar?
Se o dia sempre renasce, até que dia eu vou sonhar?
Se você é meu amor, como sem você eu posso ficar?
Se seu mundo é meu mundo, como em seu mundo não entrar?
Se no fim de arco-íris há um pote repleto de tantas felicidades, como não querer te encontrar?
Se o horizonte não sabe de mim, porque não faze-lo me assimilar?
Se todo milagre é divino, até onde devo acreditar?
Se as palavras foram feitas pra serem ditas, então porque me calar?
Se nossos beijos são tão indispensáveis, como viver sem seus lábios beijar?
Se minhas perguntas não cessam, como aprender sem perguntar?
Se a verdade é perfeita, como me alto verificar?
Se em seus olhos me encontro, como os seus olhos não amar?
Se as rosas mortais são eternas, então sei que nelas vou te encontrar.
Se o mudo sonho do mundo é cego, se o resto do lado do avesso é incerto, se a metade imperfeita da vida não interessa, se a morte nunca trás dores eternas, se a vida vivida em instantes raros pode acabar de repente, se ao teu lado me sinto em paz, se em tua paz me sinto acolhido, se não sei viver sem você, se tudo que eu preciso encontro ao teu lado, se o medo de viver em mim não mais existe, se a certeza do futuro melhor encontro com você, se e somente se meus desejos estão voltados para a mulher que amo, se nada mais importa nesse mundo do que viver em sua companhia, como negar que posso ser diferente sempre e a cada dia?
Mas me diga só mais uma vez que me amas para que eu possa me erguer novamente com as forças renovadas.
Se a chama apagada da vela acesa, no quarto escuro iluminado pelo teu corpo, na cômoda discreta que governa aquele silêncio, no abajur cor de sonhos que sempre lhe faz companhia, no retrato falado em anseios, na espera vertiginosa dos sabores matinais, naquela madrugada fria de um verão qualquer, no canto gemido de um sino ao longe, no vento sem rumo que sopra em teus cílios, nas tranças amarrotadas de seu vestido, no laço incandescente dos teus dias, na aspereza de nossa saudade e na visão sonora do meu amor, insistir em não apagar, pode ter certeza que é porque trago no bolso combustível suficiente para nunca apaga-la.





(jeff)

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