Durante certo tempo, um tempo qualquer sem delongas, um tempo voraz, uma noite acintosa, era preciso fraquejar ao pensar na loucura.

Enquanto louco me achei lúcido, e lúcido me achei perdido.


Caminhando pelos cantos daquela areia movediça, enquanto sugava-me a fé, pude avistar caiz distantes, reconheci meu corpo pútrido lançado em tantas ondas, absorvido por tantos grilhões, velado por tantos ideais.


Já não quero mais pensar, por hoje já não preciso do meu corpo ao meu lado, busco a profundidade da mente, busco responder agressivamente ao silencio e em seguida me silenciar, me resguardar, proteger-me de quem me aceita, violar todos as regras em busca do sentido real que nunca deixei de acreditar, tenho pavor de pensar, penso em nunca mais pensar, em nunca mais escrever, em nunca mais desabafar em linhas ininterruptas de folhas em branco, riscadas por cores nada cintilantes, apenas quero usar o fosco para demonstrar minha maior alegria, para rebuscar minha maior tristeza, desperdiçar meu tempo fazendo do meu tédio meu remédio, meu vicio inconcebível, minha sede inafiançável, meu valor incontestável, meu querer violado, minha cabeça pede descanso em meio ao mundo cruel...






(jeffeson dos santos)

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