Queria muito não sentir o que sinto, medo.

Queria muito esquecer o que preciso, você.

Estou tentando me libertar das amarras, vida.

Estou sem rumo, sem anseio, sem esperança, perdido numa redoma de vidro e sem espectadores, só dores.

O tolo que sou e que nem sabe usar as palavras, pede socorro, meu corpo sofre de angustia, meus olhos eu preciso arrancá-los, minha boca eu preciso perdê-la, minhas mãos eu preciso amputá-las, eu preciso e não consigo aceitar minha precisão, eu quero e não consigo querer com exatidão.

Meu coração me mostrou o quanto sou frágil, o quanto sou mortal, o quanto posso sofrer ao fazer alguém sofrer.

Já não sei ao certo o que me guia, suplico aos céus e nada ouço, suplico a deus e nada vejo, suplico ao tudo e nada mereço.

Queria um remédio que sanasse todas as minhas dores, todos os meus medos, todos as minhas insanidades, todo o meu penar.

Desculpa por não ter sumido dessa vez, mas preciso gritar mesmo que seja através de letras.
Preciso de tanta coisa, preciso me evitar, preciso me eliminar, me subtrair, me incinerar, me abstrair.

Minha alma já não tem mais valor algum, minha salvação eu mandei ir embora, meu sonho eu joguei fora e nem sei como eu o deixei partir.




(jefferson dos santos)

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