Aquele meu breve letárgico sonho que tive, aquele mesmo que outrora me comoveu, aquele único que nunca mais sonhei, sonho não deveria ser único, sonhamos um sonho por noite e quase nunca se repetem, mas foi um sonho que nos aproximou, um sonho tão belo que nada tem haver com esse pesadelo que nos envolve, que gela frio minha alma, que tenta sufocar um amor que ressurgiu tão intenso e tão puro.



Sonhos precisam ser levados a serio, decreto num decreto próprio e sem seguidores qualquer, que meus sonhos não deixarão de serem respeitados, empreitados, aguardados, guardados, cultivados, executados, equilibrados, vivenciados, almejados, simplificados, substanciados, objetivados, concretizados, alicerçados, modelados, adaptados, planejados e modulados, incentivados, consagrados e eternizados.



Entre tantos entretantos, há um tanto maior de prantos, um óbvio distúrbio manancial, uma cabeça sem repouso, um vestígio de sabores lá no quintal desértico da sede armada, guardo em meu bolso pedaços inteiros da metade que sou, por onde passei sempre deixei uma parte desse todo que me acaba, meus cartões de visita acabaram e a fábrica não me da previsão de novos, mas improviso singelos aterros provisórios tentando me contorcer num duto esquecido, vendo a luz como uma miragem, vendo a vitória a alguns palmos de distância.


O hospício, sim, meu hospício que tanto amei, onde as paredes nunca me engolem, no qual aprendi a ser feliz, nesse belo hospício vivenciei tantas descobertas e havia esperança de tantas mais, mas hoje não posso me agarrar a ele, devo mudar de repartição, devo buscar outro ambiente, adentrar pela porta da frente, estufar o meu peito e crer que estou livre dos hospícios passados.



Dizem os antigos que ainda nem nasceram, que não há resto maior de sobras do que a sobra que nunca resta, seria ironia do destino a vida parar de pulsar meus sonhos, logo agora que descobri tudo que tanto procurei, não sonho em morrer na praia, com a boca encharcada de salitre e os olhos vermelhos de areia, tudo que eu já não sou mais ainda é pouco pro que posso fazer por você.




(jeff)

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