“Enquanto caminhava te perdi”

Ontem enquanto caminhava pela beira da estrada, indo em direção a qualquer lugar, pude ver almas jogadas pela pista e não eram almas de acidentados e sim de esquecidos que foram largados pelo caminho. Era triste vê-los pedir socorro e não poder ajudar e era mais triste ainda olhar pra trás e ver que também estava deixando muitas pela trilha a qual estava seguindo.
Decidi voltar e apanha-las de volta, mas o pior de tudo é que não mais as reconhecia e não sabia nem mesmo o que estava procurando, me vi perdido, angustiado em meio a elas e percebi que aquele era um passado que quis muito esquecer e já havia conseguido.
“- De repente uma me segurou pela perna e gritava alto, perdão, perdão por tudo, não pensei que chegaria a esse ponto, mas perdão, perdão...”
Confesso que me esforcei ao máximo para reconhecê-la, até perguntei seu nome... Foi em vão nada me fez lembrar quem era e o que me fez de tão ruim para pedir com tanto fervor e suplica um perdão que eu não reconhecia em mim.
Elas molhavam a pista com lágrimas, sujavam a pista com seus nomes e descobri que muitos amigos também andavam ao meu lado deixando centenas de almas para trás junto comigo, era como se todos necessitassem deixar essas criaturas pela estrada.
Tentei te procurar, com medo de que também estivesse por lá, mesmo sabendo que talvez não conseguiria te reconhecer. Até que finalmente te vi... Não no rastro de almas que eu deixava e sim a minha frente como uma esperança a ser vivida. Meu sorriso criou vida, meus olhos se encharcaram, meu coração mostrou estar ainda mais vivo e minha alegria reapareceu, corri ao teu encontro e não te alcancei...
Não entendo o que sempre aconteceu, você estava a minha frente e de repente evapora como uma brisa que se foi tal qual tempestade, pude te ver perante meu horizonte como uma oásis de vida no meio de um deserto de almas sem fé e tudo que explicava ser uma libertação se tornou angustia, saudade sem ser, medo sem saber do que, sonho nunca sonhado, esperança não vivida e pior de tudo amor sem um por que.



JEFFERSON DOS SANTOS


16 DE JULHO DE 2008

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