“CONDUÇÃO SEM RUMO”

Eu sempre soube do seu desejo de me crer além do ponto de descida, eu sempre desci milhas depois só pra caminhar do teu lado, deixei de dormir cedo só pra te-la acordada até um pouco mais adentro de sua intimidade, eu sempre me mantive afetado pelo afeto facial que suas fantasias me faziam fundamentar dentro de minha fortaleza férrea e agora fermentada e finalizada pela sua natureza fanática, eu sempre, toda vida, todos os dias, todos os instantes, em todas as circunstâncias já sabia do meu peso mental por carregar minhas culpas, minhas tão grandes culpas, eu sabia das mentiras e acreditei, sabia falar verdades e me omiti, sabia perdoar e abusaram de mim por isso, sabia correr e mesmo assim fui pego pelo medo de ser desmascarado por coisas que nunca fiz!
Desço dessa solidão e improviso milhares de sonhos, centenas de desejos, dezenas de vontades e poucas esperanças de chegar ao fim de tudo com a certeza da gratidão merecida e demasiadamente inoportuna que só você sabe omitir, alias te peço de volta todos os meus anseios e minhas sinopses, minhas cicatrizes e minhas lembranças, minhas dissonâncias e minhas saudades, minhas ilusões e minhas inconcebíveis e demoradas decisões.
Retardo no improviso de sempre todo e qualquer vestígio nômade, que insiste sem anseio ou vontade, quebrar os altos distúrbios de uma vida sem rumo.
Me detenho perante um castelo de medos, em frente ao próprio acaso, ao lado do único caminho a seguir, em meio ao horizonte turvo, abaixo do céu que cai, acima da terra que me devora e tudo isso pela necessidade de me fazer sobrevivente de uma tempestade que quer passar e levar um pouco de mim.
Me agarrarei neste galho e nenhum vento terá força suficiente para me matar afogado no pavor de saber aonde serei levado e lançado com fúria e com toda força que nele encerra.
Me acostumei a não ser tão forte quanto esse simples, premeditado, prepotente e desastrado vento que se transforma em brisa diante dos teus olhos que brilham não sei para onde.
Deixo que o vento me leve e aceno pelo retrovisor dos meus sonhos, mas não vejo ninguém por ele, todos já se deixaram arrastar ventania adentro.
JEFFERSON DOS SANTOS

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