Arremate





E nos versos que aqui farei
Na varanda dos meus dias
Vou falar toda a verdade
Vou falar o que escondia
Vou dizer ao mundo inteiro
Do amor que me sorria

Do tempo que ta passando
Da amizade que aconteceu
Dos momentos que já vivemos
Do nervoso que já me deu
Na hora que eu fui falar
E pedir um beijo seu

De tudo que eu não disse
Da metade que já falei
Só uma parte foi inteira
A outra parte eu guardei
Guardei, mas quero falar.
Expressar o que pensei

Eu pensei no amanhã
Renascendo em mais um dia
Daquele dia passado
Do teu lado eu me tremia
Estava louco para dizer
Que o amor em mim batia

Tenho medo de arriscar
Um pedaço de minha vida
De talvez até magoar
Uma flor assim querida
Mas um dia eu arrisco tudo
E evito a despedida

To fazendo todos os planos
Para quando o dia chegar
Mas acho que é impossível
Em seu mundo poder entrar
Às vezes creio que é demais
Em uma chance acreditar

Te vejo acima de tanta coisa
Que nada posso alcançar
Sou pequeno e distraído
Pouco posso lhe ensinar
Se o que sinto me aperta
Como vou lhe conquistar?

Eu preciso de uma saída
Encontrar uma solução
Declarar tudo que penso
Esclarecer minha intenção
E mesmo que não me ame
Vou livrar-me da aflição

Só penso se algum dia
Eu vier a perceber
Que neguei por omissão
Evitei te conhecer
Rejeitei o que procuro
Um amor por merecer

Vou lutar contra o fantasma
De viver na solidão
Ao seu lado me alegro
Faz bem ao coração
Com você eu fico em paz
Sua voz é minha canção

O tempo que é tão grande
Para o amor fica encolhido
Pouco tempo que te conheço
Muito tempo que foi perdido
Falta tempo para dizer
Que te quero aqui comigo

To com sono e vou dormir
Vou sonhar com um beijo seu
A noite vai ser curta
Pra noite do sonho meu
Vou ficar uma noite inteira
Relembrando os olhos teus

Me perdoa se falo muito
Se exponho tudo que sou
Não encontro outra maneira
De falar com mais fervor
De dizer que quero muito
Encontrar o seu amor

E no silencio do meu tédio
Pink floyd me auxilia
Escrever já não consigo
Ta faltando sua companhia
No final de qualquer tarde
Durante todos os dias

Já falei tudo que sinto
Mas ta faltando melhorar
Vou falar em outra coisa
Vamos ver no que vai dar
Vou falar mais de mim
Só não pode piorar

Entre todos os seres vivos
Que já pude conhecer
Sou aquele imutável
Limitado ao proceder
Pouco sei do que vivi
Pouco tenho a oferecer

Errante por natureza
Confuso com exatidão
Tímido e abestalhado
Uso mal minha expressão
Meu repúdio, minha conduta.
Meus defeitos, minha prisão.

Ensandecido pela verdade
Corroído pelo sabor
Democrata, capitalista
Libertário, ditador
Hipócrita, reacionário
Honesto, trabalhador.

Minhas faltas, meus desvios.
Meu desejo, meu poder
Sou humano como tantos
Como tantos vou morrer
Meu futuro me trás medo
E o presente eu vou viver.

Sou sonâmbulo imperativo
Ficcionado por diversão
Extremista, cabeça-dura
Psicótico, aberração.
De ilusões sou movido
Alegria é meu pendão

No estandarte da minha vida
Muita coisa pendurei.
Muita coisa sem importância
Pelas quais jamais voltei
E das coisas que tem valor
Todas elas eu guardei

Mas me falta tanta sede
Para o corpo me saciar
Falta a fé na esperança
Sobram restos em meu jantar
E o desejo de prosseguir
Sempre tenta me parar

Mas agora ta melhor
Já falei tudo que tinha
Vou voltar ao mesmo assunto
Desse breve poeminha
E deixar todos em paz
Encerrar logo essas linhas

Cada dia que vem e vai
Desde o dia que te conheço
São imensos e torturantes
Esses dias que não mereço
Ficar assim tão longe
Esconder o meu apreço

Mas um dia se resolve
E um jeito vamos dar
Se juntos ou separados
Alguma coisa vamos estar
Mas o tempo é torturante
Quero o tempo apressar

Pra saber logo de uma vez
O que pode acontecer
Se terei aqui do lado
Seu calor a me aquecer
E enquanto espero apressado
Outro careta vou ascender

Na fumaça do cigarro
Pela carta que escrevi
Muitas cinzas misturadas
Com a vontade de partir
Arrumar cada palavra
E depois me despedir

E quando lúcido estiver
Em frente ao apartamento
Vou gritar, me acabar
Vou cantar pelo relento
Não pretendo acorda-la
Só de vê-la eu me contento

Vou tirar todas as noites
Para um verso escrever
E assim entorpecido
Outra vez adormecer
E num verso grandioso
Vou falar só de você.

Eu preciso que esse cordel
Seja breve ao terminar
Já falei tanta besteira
Eu preciso me calar
Esperar a oportunidade
De uma rima me faltar

Pra deixar neste vazio
Minha triste condição
De viver atordoado
Distraído, sem atenção
De pensar o tempo todo
Em ganhar seu coração



(...)
Tempo depois...
(...)


Depois de um certo tempo
Por aqui eu vou passar
Pra falar o que aconteceu
Dos detalhes eu vou contar
Da tristeza que escondi
E agora vou demonstrar

Por esse cordel me declarei
E agora vou encerrar
Deixar nele minha alegria
A vontade de um dia voltar
Com mais força e precisão
Para nele meu amor expressar

Por enquanto deixarei aqui
Uma saudade tão imensa
Um desejo assim contido
Uma certeza tão intensa
Um suspiro entalado
E versos sem recompensa

Mas o tempo é aliado
Da minha ansiedade
Vou ao tempo dar uma trégua
Esperar sua metade
Fazer parte dessa outra
Que espera a felicidade

E sua voz ao me dizer
Que pouco lhe conquistei
Que nada realizamos
Desse tudo que sonhei
E na dose tão amarga
Da cerveja que entornei
Um desejo tão profundo
Do qual jamais verei

Vou passar dias completos
Tão inteiros que nem entendo
A olhar no horizonte
Caminhar pelo relento
Parar e estagnar
Em seu apartamento

Relembrar será possível
A cada dia que nascer
Vou deixar meu vestígio
Esperar seu aparecer
Refazendo todos meus planos
Para o mundo me esquecer.

Eu pensei num verso
Que fosse espiritual
Que falasse da vida
Que não fosse banal
Que desse a resposta
Que tivesse um final

Mas esse verso não existe
Dele não posso me usar
Versos assim são difíceis
E eu não posso criar
Pouco sei escrever
Muito preciso me calar

No rádio um som confuso
Que nada me faz pensar
Várias versões de uma só música
E nenhuma eu sei cantar
Preciso de algo mais forte
Algo que eu possa meditar

Nessa cidade fantasma
Pelas esquinas abandonadas
O calor da vida encerra
Mortos vivos pelas sacadas
Olhos foscos e sem vida
E a esperança exterminada

E na sentença que me deram
Com a certeza que nunca vi
Vou juntar cada pedaço
Quando meu corpo explodir
Vou impor minha lei
E depois desistir

Vou tomar todas as doses
Que ninguém jamais tomou
Entregar-me a tanta sede
Escorregar pelo pudor
Vou voltar ao mesmo ponto
Onde jamais ninguém voltou

E quando a festa tiver fim
Vou continuar dançando
Relembrando os velhos tempos
E o futuro vai passando
Por entre as brechas do meu sono
E eternamente irei sonhando

Se o distúrbio for maior
Do que meu corpo suportar
Vou deixar que a onda venha
E me leve ao alto mar
Entorpecer de ilusão
E depois me espedaçar

De filósofo contemporâneo
A platônico modernista
Um resto de cada coisa
Subtraiu de minha lista
E aquilo que eu queria ser
Ta se perdendo de vista

Um grito, um até logo
Uma incerteza recontada
Com as folhas de um livro velho
Com tantas folhas rasgadas
Que sempre se repetem
E nunca entendo nada

Meu analista enlouqueceu
Ninguém mais vai me ajudar
Nem de ajuda eu preciso
Só falta me encontrar
Aceitar minhas condições
E me por em meu lugar

Entender o que não existe
Enxergar o que não vejo
Cobiçar minha alegria
Dispensar cada desejo
Atear fogo na casa
Evitar tudo que almejo

E aqui eu me despeço
Com uma vontade de voltar
Para fazer outros versos
Com a certeza de te amar
Talvez um dia ou nunca mais
Este cordel vou encerrar.


.












Mas não vou desistir
Vou lutar até o fim
Aprendi a te querer
E não vou sair assim
Triste e abatido
Dou valor ao que há em mim

Ao dormir eu me lembro
Dos meus dias ao teu lado
Desistir não vai ajudar
Não preciso desse passado
Se o que sinto é o bastante
Continuarei apaixonado

E quando chato estiver
No limite da insistência
Não pretendo perturbar
Consumir sua paciência
Mas viver pelo que sinto
Traduz minha existência

E entre as diferenças
Os obstáculos são reais
Alguns tão imensos
Outros tão banais
Alguns sem motivo
Outros até demais

E entre todas as certezas
Das quais eu trago em mim
Nenhuma me dói tanto
Nenhuma é tão ruim
Do que ficar aqui parado
Tentando ouvir um sim

Que vindo de você
Com o mais belo instante
Aquele que nem imagino
Tão simples e fascinante
Momento raro, inesquecível.
E nunca visto antes

E que a paz dos teus olhos
Iluminem essa estrada
Que percorro todos os dias
Pensando em minha amada
E que a força permaneça
A guiar nossa jornada




Continua...?


.


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(JEFFERSON DOS SANTOS)











The rain has moved on
And left a new day
Nothing seems to move everything is still
It’s just a perfect day
The shadows and light
That move with the wind
Hidden violets grow splashed with summer spray
Just another perfect day
On the wild and misty hillside
Fear is nature’s warning
Hunger here is never far away
And all of this world
Is for children who play
Days that never end
always should remain
Another perfect day




Perfect Day(Miriam Stockley)

(...)

É hora de sair e pedir um tempo ao tempo, tentar parar ao menos o relógio da sala, dar uma volta inteira pelo caminho mais longo e depois ofegante tentar lembrar o que eu queria esquecer, mas a chuva cai forte, faz frio e lá a solidão é maior, é mais vazio caminhar em paz do que não conseguir cerrar essa ligação mental com o mundo dela.

No rádio um cantor embriagado me convence a esperar mais um pouco, entorpecido pelo néctar da desilusão, ele prossegue em seu ritmo melancólico a falar da vida, a falar do amor, a falar de tanta coisa que a paciência com ele esgota e o meu próximo plano é fazê-lo calar-se.

E seu eu ficar louco?

E se a cura para minha loucura se tornar impossível?

E se for loucura acreditar em minha loucura?

Dispensado dos tratamentos, considerado curado e ainda louco!?

Peço que em caso de óbito confirmado, que não me internem num reduto fechado, cercado e amontoado com outros loucos, um dia lá é uma eternidade aqui. Joguem-me na rua, no céu ou no mar, apenas me deixem, somente me esqueçam.


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(jefferson dos santos)

(...)

É exagero tentar clarear os reflexos das luzes noturnas no visor da noite escura, indecisões numa via de mão única, olhar pro lado e sentir a ausência de quem resolve partir, na cama onde os sonhos são cruéis, a lembrança dos erros que atormentam, a precisão minuciosa da indiferença, não me interessa passar uma vida atrás dos fatos procurando novas provas e julgando a condenação dos enforcados.

Há uma trepidação no horizonte, confuso sigo o caminho que a luz me guia e quando a luz se apaga é preciso sentar, ter calma e esperar outra ascender.

Vê-la passar por aqui me fez tão bem, passei o dia todo nas alturas, flutuando sem oscilação por cima de todos os meus problemas.

Dos dias da semana que espero te ver, sentado num canto vazio com o seu lugar guardado ao meu lado, mas você devia passar por aqui todos os dias, se toda sexta-feira começasse com uma visita sua, faria todos os dias virarem sexta-feira.

E eu que já acordo pensando em você, procuro uma solução para os meus dias, uma solução para essa maneira compulsiva de pensar na distancia que ainda não delimitamos e encerrar as páginas desse conto com um final feliz.

Talvez minha maior opção seja o abismo do esquecimento ou até mesmo possa ser que não existam outras opções e por mais que doa forte a dor do silêncio, a voz da razão teima em não sair.

E no meio de um verso mal escrito, das palavras que eu não sei escrever, da única maneira que consigo expressar meus pensamentos sem tocar na insegurança do passado, se encontra a verdade encoberta de escudos, escondida por entre as faces dos momentos que não consigo descrever.

E ela passou por mim, acenou-me, alegrou-me, me fez feliz, deixou uma saudade de um breve momento que passou tão rápido quanto eu pude aproveitar, mas ela se foi rápido, veio com pressa, tinha que ir e foi, mas ela volta e outra vez sentirei meu coração pulsar mais forte como a muito não pulsava, verei a luz que os olhos dela possuem, verei o sorriso que ela não precisa guardar, o desejo que ela suscita aqui toda vez que passa por mim. Vai ser bom quando ela passar e ficar, não sair mais daqui, simplesmente chegar e se alojar, trazer os versos que ela pretende me mostrar, trazer a força que eu tanto procuro, a vontade de acordar todos os dias e sentir aquele frio na barriga ao lembrar da noite passada, perdido nos braços que cobrem minha saudade.


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(jeffrson dos santos)

Busca

3 dias e o tempo parece nunca passar, um final de semana nunca foi tão longo e uma frase mal ouvida nunca foi tão cruel.

O que será que foi dito enquanto eu estava em relapso momentâneo de atenção?

Ela usou da minha falta de concentração para dizer algo importante e agora um sentimento estranho de dúvida foi criado e que está devorando aos poucos a minha capacidade de não pensar nela.

(...)

Numa noite calma de uma sexta-feira, que passa apressada, aquela voz me liga, no meio de um amontoado de pratos, encharcado de sono e ervas, justamente pensando nela, desejando vê-la, ouvi-la, tocá-la. E nessa atmosfera de desejo e saudade a confusão toma forma em minha cabeça, pois eu sei que eu deveria ter certeza de cada palavra, de cada resposta e principalmente das perguntas em tons afirmativos.

(...)


E de repente eu acordo na madrugada, meio tonto, quase rouco, espero algo acontecer, mas que algo mais pode acontecer as duas da madrugada?

Ouço a resposta da pergunta que achei que tinha feito, mas a resposta é falsa, é minha resposta, é minha vontade de me responder, de acabar com as dúvidas e com as perguntas, de encerrar as páginas de um livro negro, monótono e imenso.

Em cada solução um soluço a parte, solucionar os problemas não é tarefa minha, pelo menos é isso que quero acreditar, deixarei os problemas morrerem a margem do descaso e do esquecimento, mas o caos ainda sobrevive e a vontade não tem nome nem receio próprio e só há um caminho certo dentre centenas de errados.

(...)


Cada resto desse fúnebre momento se dissolve em gotas densas de uma chuva matinal, em pleno tédio de um domingo que só estava começando.
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(jefferson dos santos)

A...A

Meu raio de sol escurecido, estrela guia do rumo incerto, sorriso único da manhã seguinte, tristeza dormente que me apetece, recanto fiel das dores leves, aceita meu suspiro de insegurança e toma as rédeas dos passos que me levam por caminhos distantes e faça dos dias meu refúgio, das dores minha lição, da vida minha quimera, do amor o meu refrão.

Enquanto espero o viajante voltar (aquele viajante que vive longe, que vive a voar, que foi embora pelas veredas da inconstância, e que agora decide voltar) vou ficar aqui estagnado, parado no mesmo lugar.

Minha doce libélula de fim de tarde, tragada pelo dever de ir embora, não adiantaria minha suplica de evitar a despedida, mas a certeza da sua volta talvez seja meu maior preceito.

E porque te colocaram em meu caminho se nada obtenho dessa ausência, púrpura da essência universal, passaria tantas noites quantas me fossem possível ao seu lado, parado no relance dos novos tempos, vivendo minha alegria, minha tão louca alegria.

Meu silencio mortal me levará ainda que eu mereça a qualquer lugar onde o arrependimento das palavras que eu não disse possam me machucar ao lembrar que a tive tão próxima quanto aquele beijo que não pude roubar.
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(Jefferson dos santos)