Ao te ver de regresso, vi meu coração pulsar, vi mais cores em minha vida, e a esperança voltar.
Por mais que se queira, não se pode negar, a vida só é inteira com um bem para amar.


Eu preciso te ver, para falar de minha vida, para falar de você.


O sol já se foi, escureceu meu viver, a lua até que veio, mas nada pode fazer.
E nesse rumo que escolhi me aperta o coração, por ter de ver partir, o amor da minha canção.


(Jefferson dos Santos)

Sentado na areia ouvi um louco falar sobre a saudade,
Sentei na areia e busquei entender a falta que tudo faz,
O louco foi embora, mas deixou a saudade em marcas na areia,
Havia pegadas demais para segui-lo.

A ferrugem nos olhos cegava meu ponto de vista,
Roubava-me as forças dos argumentos,
Tentei entender, tento entender, tentarei entender,
Mas já não sei como.

Já precisei seguir o mesmo caminho,
Encurtei meus passos,
Demorei muito mais para ir embora,
Pegadas diminutas a passos curtos.

Eu penso em quando eu precisar pensar em você.
Onde saber que posso entender?
Meu pensamento ainda está ressonando,
As noites serão curtas demais pro meu cansaço.

Darei sorrisos em troca de pouca memória,
Mas nada me será tão inútil quanto a solidão,
Mas nada nos será tão desnecessário quanto a ilusão,
Mas tudo será tão preciso quanto o sorriso que me acena de longe,
Dizendo que ta descansando, afirmando que vai ficar bem,
Gesticulando que está tudo bem,
E eu acreditando que falta muita falta, sobra muita ausência,
Restam poucas saídas, e sobrevivem eternas esperanças.

Meu poder de nada poder ser,
Meu saber de nada saber fazer,
Minha vontade de ter vontade de lhe deixar a vontade,
Nossos dias que foram dias,
Serão dias,
Pois nada mais do que simples dias,
De um dia que faz pouco tempo que passou.

E as canções que nem tentei escrever,
Estarão por hoje guardadas,
Trancafiadas num criado-mudo-surdo-cego qualquer.

E o rumo?
Sem mundo não sei responder.
E o rumo?
Em meu mundo falta você.



(Jefferson dos Santos)
Os momentos passam pela nossa frente,
a incerteza de estar deixando tudo acontecer no instante certo,
a vontade de fazer tudo de uma só vez,
arrumar a vida num fechar de olhos,
se entregar sem limites como se já tivessem passado tantos séculos,
sorrir do nada ao pensar em você,
ver meu dia a cada dia mais dia,
mais vida na mesa,
mais cores em seus olhos,
vontade de sair pulando,
pregando o que sinto,
mensurando o imensurável,
arquitetar planos,pensamentos distantes de tudo,
menos da lembrança de que você existi e eu te encontrei.




(jefferson dos santos)
Deveria existir um dicionários pra momentos difíceis.
Lá poderíamos encontrar as melhores saídas pra tudo.
Em cada folha existiriam um manancial de saídas, meios, práticas, soluções e frases para aliviar tantas coisas, principalmente a dor de quem a gente tanto admira.
Deveria conter um manual de instrução com decisões já revisadas e certificadas pelo ISO (9001).
Mas enquanto fico sonhando com uma coisa dessas, tentarei fazer o que posso, com muito medo de no final não fazer nada.

(jefferson)

.
De tudo que improvisamos na essência da vida,
De cada anseio que nos arremessa de peito aberto pra sonhar,
Das noites que passo pensando em você,
Do inegável poder que seu sorriso exerce sobre mim,
Dos teus olhos que eu não canso de fitar,
E do sorriso que tanto busco vislumbrar,
Nada é mais certo do que essa vontade louca de te ver.

Já não aceito meu dia sem a lembrança,
A sutil lembrança que você existe.

Mudei meus planos ao te encontrar,
E de tudo que eu possa fazer só uma coisa é certa,
Te ver me faz mais feliz.


(Jefferson dos Santos)


.
Antes até da matéria, antes mesmo do sentido primário do próprio ser, da incidência de qualquer tipo de raciocínio, da desfragmentação do real, da metamorfose macrobiótica que marca a passagem do espírito para o corpo, da troca de horizontes paralelos por ângulos convexos e planos, da reestruturação de fatores da personificação e antes de tantas mais, será preciso mensurar os espaços ideológicos gerados a partir de uma fonte especifica e desconhecida.
Não devemos acarretar atributos desmedidos numa visão paramétrica do que já se conclui, ou subtentar a verbalização do existir, nem ao menos arremessar compenetrações em âmbitos opostos e de naturezas inexplicáveis.
A partir da disseminação do acontecido, se faz óbvio e intraduzível a desabstração do convulso e a concretização do paradoxo ocasional.
É certo que mesmo anulando todo o sistema e submetendo todo intuito do acontecer, ao que chamamos de sublimação cósmica, chegaremos enfim ao que diremos ser conhecido por sonho.
(Jefferson dos Santos)























(DDI)

Trancafiado na ilusão de ser um ponto referencial de apoio, amarrado com linhas de seda e amassado num canto qualquer de sonhos, encontrei aquele pedaço de papel.
Há coisas que nem sei como fui capaz de escrever, pensar, expressar e não gritar.
Existiam letras ilegíveis mesmo para quem o escreveu, versos incompletos e dispersos, soluços de um instante distante, versos sutis e esperanças futuras, nada sei do conteúdo, nada fiz para entender, nada pude compreender daquele que um dia passou por mim, daquele que mudou, viveu, reinventou-se, subjugou-se, transmutou-se, e nada aprendeu.
Ainda sinto as mesmas dores, as mesmas preocupações, ainda continuo mortal.
Em discagem direta inter-estrelar (DDI) tentei falar com alguém lá de cima, mas ninguém me atendeu, nem mesmo uma telefonista pra mim da satisfação, nem linha se percebia entre eu e o alto.
Meu partido está na ilegalidade, minha comissão de ética passa agora por um decoro parlamentar, querem golpear nosso estado, decretar estado de sítio, anistiar meus sonhos, torturar minhas verdades, alienar meus pensamentos, enlouquecer é o que posso conseguir.
O telefone mudo continua a me afligir, a voz do outro lado continua a não falar, ouço risos enquanto uma torcida inteira é derrotada, sinto falta de tanta coisa que ainda nem fiz.
Das metas que tracei só uma consigo por em pratica, de nunca parar de escrever.



(Jefferson dos Santos)

O amor de Chico!


Certo dia de sol qualquer, margarida meio confusa e abatida quis tirar a prova do amor de Chico.
Ela precisava saber a intensidade do amor que Chico sentia e um dia desses resolveu interrogá-lo:
-Chico você me ama?
Perguntou margarida meio sem jeito.
-Claro que te amo, uai.
Respondeu Chico relutante.
Apesar dessa resposta rápida e convicta margarida ainda achou pouco, queria mais, pra ela faltava uma certeza maior, então disse ao Chico:
-Se ocê gosta de mim então prova!
Chico pensou, pensou, pensou e falou de braços bem abertos:
-Eu gosto de ocê assim, desse tamanho!
Margarida retrucou:
-É pouco!Eu quero mais!
Chico meio confuso, abriu os braços o máximo que pode, quase deu uma volta inteira em seu próprio corpo e disse:
-Eu gosto de ocê inté desse tamanho!
Margarida ainda descrente falou:
-Ainda é pouco Chico, to vendo que ocê não gosta mermo deu!
E Chico sem saber o que fazer voltou a pensar e finalmente lhe veio uma grandiosidade, ao que disse:
-Margarida o meu amor por ocê é do tamanho de uma pança de elefante!
Margarida em prantos gritava:
-Ocê ta comparando nosso amor a uma pança de elefante Chico?
Chico tentando remediar disse:
-Não margarida, não é isso, é só no tamanho!
Margarida enxugando as lágrimas continuou a duvidar dizendo:
-Ainda é muito pouco!
Chico já não sabia o que fazer, até que voltou a pensar e gritou:
-Meu amor por ocê vai daqui inté a lua!
Margarida chorando, choramingou:
-Quer dizer que ocê só me ama de noite?
Chico desesperado falou:
-Então meu amor por você vai daqui inté o sol!
Margarida em lágrimas chorou:
-Quer dizer que ocê só me ama de dia Chico?
Chico pôs as mãos na cabeça, como se estivesse pedindo socorro, até que teve uma idéia.
Começou a se afastar de margarida e foi caminhando, caminhando, andando e caminhando, até que chegou bem longe e disse:
-Margarida, meu amor por ocê vai inté aqui!
Margarida já com raiva disse:
-Ainda é pouco!
Chico andou mais, e mais, e um pouco mais, até que chegou num ponto bem alto e bem longe e na hora do grito escorregou, caiu morro abaixo, rolando feito pedra e ao chegar no fim da queda, todo machucado, nariz arrebentado, braço arranhado, perna dolorida, cabeça ferida, quatro contorções e uma fratura exposta, disse:
-Margarida, eu amo você que inté dói!
Nessa hora margarida sentiu um frio na barriga, um balouçar de pernas, sentiu-se fora do chão até que gritou:
-Oh Chico!Você é tão romântico.


FIM



P.S. E viveram felizes para todo o sempre!^^


Texto original tirado de uma Revista em quadrinhos que eu li a muito tempo atrás e adaptado por Jefferson dos Santos.