Antecedendo a todas as conclusões eu me oponho ao grito... que sufoca minha garganta.
Eu não fui preparado para pensar como o mundo pensa, infelizmente tenho a infeliz certeza de que serei deixado para trás no momento em que for difícil seguir os passos apressados que marcham sem direção pelo caminho do tempo.
Esses passos lentos são os únicos passos que sei dar, um passo de cada vez e hoje sinto medo de perder-te, como uma onda embriagada que recai sobre minhas dúvidas tão antigas, tornando-as ainda mais ultrapassadas.
Reciclando pensamentos, obtive uma quantidade absurda de inutilidades, algo que não serve e que devo apagar, sonhos que eu sempre tive e que precisam de uma repaginada, fazer alterações em todo o lay out, tirar algumas incertezas do lugar, mudar os hábitos mais infantis e guardar para sempre as lições que não consigo executar.
E você meu amor? Quem foi que lhe disse que eu estaria aqui? Esse era meu lugar secreto desde minha infância sombria. Meu refugio secreto e você o descobriu, o tornou seu, fez sua companhia minha necessidade, você e esse lugar sombrio.
Se os planos foram encerrados quando eu fiz um convite óbvio, prometo evitar mais promessas e sair sem novos convites.
Uma noite sem o calor do seu corpo e o frio toma conta do mundo inteiro, dois corpos insatisfeitos que se deixam com um beijo repentino.
Eu vejo nuvens e um sol sem calor, vejo seus olhos e não consigo arrancá-los possessivamente, no horizonte uma escada até o céu está sendo construída, enquanto que entre a gente essa escada se sobressai, e nos leva a lugares incomuns.
Tudo isso por que estávamos condicionados a ter planos demais para uma cidade sem futuro.
Esse desejo que não devemos qualificá-lo, está corroendo minhas entranhas num misto de pavor e medo, medo de te perder, pavor de não mais lhe ver.
Jefferson dos Santos
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