Incoerências



Eu espero que tudo um dia se resolva e você volte pro lugar de onde não deveria ter saído, mas por enquanto eu quero que fique onde estas, pois essa distancia milimetricamente necessária será o mínimo sustentável para que eu possa derrotar meu orgulho ferido, sei que não sobra muito dele, depois da batalha que enfrentamos, e de repente eu possa derrotá-lo com facilidade, porem não me restam forças para uma empreitada como a nossa.

Eu peço perdão, suplico se preciso for, beijo seus pés, me ajoelho e lhe satisfaço, para que você mude de idéia se por acaso vier sentir raiva de mim, eu não vou ser inteiro nessa metade que sinto, de um lado sua luz do outro a escuridão, e nesse paradoxo eu prefiro ficar distante demais para considerar sua escolha, mesmo uma década ou duas, pouco importa o quão atrasado eu cheguei aqui, eu sempre disse que queria nascer no século passado e agora eu preferiria não ter nascido.

Devemos nos redescobrir, eu vou descobrir em mim a capacidade de mudar, vou forçar a barra, vou mudar de vida, de cabeça, mas não mudo meus sonhos.



Jefferson santos
Táctica y estrategia

Mario Benedetti:



Mi táctica es
mirarte
aprender como sos
quererte como sos

mi táctica es
hablarte
y escucharte
construir con palabras
un puente indestructible

mi táctica es
quedarme en tu recuerdo
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
pero quedarme en vos

mi táctica es
ser franco
y saber que sos franca
y que no nos vendamos
simulacros
para que entre los dos
no haya telón
ni abismos

mi estrategia es
en cambio
más profunda y más
simple

mi estrategia es
que un día cualquiera
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
por fin me necesites.






Fez-se tarde numa primavera antiga e as roseiras inclinaram-se com o peso das rosas, suas rosas pálidas como o aroma que exalam pela casa, perfumando aos tragos aos mais afortunados e sensíveis a sua exuberante existência. E os arbustos vistosos com suas flores exóticas, seus ramos de um verde esperança e sua presença imóvel, perene e solitária, a denunciar a chegada de uma nova estação para os desavisados.

Então se fez a primeira manhã primaveril e o meu coração não desabrochou, eu vi a luz solar invadir meu gabinete e afastar a noite, revelando as paredes ao redor, demonstrando o tamanho da jaula, onde um animal demente conta cédulas de pétalas de saudade para tentar explicar o motivo do saldo negativo e das horas amargas que não se adoçam e nem tão pouco são breves.

O dia se arrastou devagar e o sol continuou brilhando no alto de sua fúria tempestuosa que tudo ferve e envelheci, como ogivas explosivas de urânio que nem mesmo o furor do tempo consegue deter, as horas objetivas para reduzir a subjetividade e tornarmos prisioneiros do tempo, continuam brincando de estátua com a alvorada, ignorando a solidão do crepúsculo e o poder melancólico da noite que rasga o véu da luz e põe às escuras o outro lado do globo.

Eu só queria a paz e o sorriso dela, um pouco de chuva e o poder de molhar meu rosto nos pingos, antes que esses se tornem ácidos, poder ao menos sair pelado, com o bilau balançando livremente, sem rédeas, imposições e outras banalidades civilizatórias.

Enquanto a primavera vai e o outono vem, o dia e a noite ficam nesse zigue-zague sem fim, vou seguindo sem questionar, sem me rebelar, vou aceitando a domesticação como porta de entrada para a sociedade, uma sociedade fudida e sem futuro, enquanto tudo muda eu vou vendo o mundo mudar, a água ficando escassa, o vinho ficando velho e a saudade me fazer sonhar.


Jefferson santos




Foi quando amanheceu chovendo, que eu senti sua falta, quando entardeceu no meu peito e escureceu na minha mente, que o adeus ressoou na minha fantasia, deixando para trás cada momento que não se repetirá e que só existirá em lembranças.

Eu te odeio como as mariposas odeiam a luz, e não te odeio, enfim.

Que dor poderia ser maior que a vida sem ela?

Enquanto eu recolho os papeis onde riscávamos planos, que o vento derramou pela vida, me preocupando com as tarefas esquecidas¸ ocupando o vazio com problemas banais e distribuindo LP’s pela casa, você percorre caminhos solitários repletos dessa solidão acompanhada que afeta a ambos.

Quando dói, penso na morte, que dor terrível seria morrer de amor, arder no fogo da saudade, e reviver logo após, para que o ciclo reinicie, para que o tormento sirva como ferramenta para não apagar nossas lembranças.

Você podia ter sido tudo que quisesse em minha vida, e resolveu ser apenas um texto triste, não havia limites e a disposição já era plena..., ...por que no fundo eu não sei o que fazer com as lembranças, que foi tudo que sobrou e não me ajudam a esquecê-la.




jefferson santos