
Numa foto escura a certeza de sua presença do lado direito, com um câncer em chamas sendo consumado pelo deleite de desfrutar de um espetáculo miraculoso.
E contemplando inteiramente todo o momento, num surto obscuro de entregar-me ao mar, lá estava eu em conflito, uma força irrefreável me trazia um desejo de aproximar-me e roubar quantas atenções fossem necessárias, como uma criança ofuscada pelo brilho de uma lua em sua melhor performance.
Não devo usar as palavras certas para dizer algo verdadeiro, pois dessa maneira estarei sendo indiscreto ante a incerteza do futuro. O que se faz necessário aqui, é um fim posto entre linhas e dissimulado não menos que esse vagão de idéias estúpidas e careta demais para quem precisa provar que merece sentar-se para tomar uma dose de uma garrafa que acabava de ser aberta.
Uma noite não termina quando tudo fica claro, não necessariamente.
O prazer termina quando você vai embora e não quando a noite acaba.
A noite era só uma ambientação natural dos movimentos, do tato, é ela que enaltece as percepções e me enlouquece toda vez que você precisa partir.
Você sem a noite continua sendo você, mas a noite sem você é como se alguma coisa estivesse fora do lugar.
O lugar da noite já está definido, mas o seu lugar se dependesse de minha escolha insensata não seria num quarto escuro, numa noite que terminaria ou numa alvorada repleta de sensações românticas, ou até mesmo numa praia deserta com o tempo limitado pelo calor, seu lugar escolhido por mim seria ao meu lado, entrando em um buraco negro, onde o tempo desapareceria e as definições de ser e existir seriam desnecessárias, lá teríamos um minuto ou milhões de anos para sermos o que bem entendêssemos.
O tempo limita a noite e a noite atravessa o tempo, se quiseres envelhecer deverás viver inúmeras noites, quanto mais noites, menos tempo terá de vida, quanto menos noites, menos alegrias terás vivido.
Existem armas que estão sendo usadas, existem coisas para serem esclarecidas, existem tantas coisas e nada não existe, tudo existe quando pressuponho que vivo, quando a vida no meio de uma avenida for encerrada, possa ser que nada tenha existido no momento a partir do fim, será uma interrupção dramática, a separação não está nos planos, o eu matéria se desmaterializa e pronto, jaz ali um individuo que amou, que trabalhou friamente em busca de uma morte digna e que termina sem a próxima noite, sem a chance de vivê-la mais uma vez, a morte nos encerra e é por isso que a vida existe, para que a cada dia meu corpo envelheça, não há fuga na morte, morreremos enquanto fazemos escolhas inúteis demais para nos satisfazer.
Dessa vez tenho inspiração demais, tenho uma saudade, se é assim que devo nomeá-la, tenho um corpo jovem demais para não morrer e velho o bastante para não ser eterno, mas não possuo os poderes corretos, esses poderes desnecessários são uma pedra nos rins que doem quando preciso botar algo pra fora, escrever não é poder, é submissão, submeto meu pensamento ao meu próprio querer e tudo vai por água abaixo, incontrolavelmente desço uma ladeira sem fim toda vez que inicio um texto, terminar no momento certo é o mais difícil, terminar e conquistá-la, essa seria a recompensa, no entanto há outras razões maiores, os motivos dessa quimera são em demasia ocultados pela minha ignorância, as dúvidas são meretrizes que se vendem à distancia, o vicio é uma virtude comprada ilegalmente, o amor não sei o que é, o desejo é um defeito que deu certo, não sou dono da verdade e nem sei se ela mesma existe, tenho direito de criar minhas próprias verdades e de tirar minhas próprias conclusões.
Venha enquanto eu espero.
Não importa se um dia ou dois.
Venha enquanto posso esperar.
Antes que o mar esvazie.
Depois da ultima canção.
A balada de frases crivadas.
Amontoada, para sempre guardada.
Venha, por favor, venha.
Não temas o mal,
Que o mal não te fará algum,
Se há de temer,
Então temas o futuro,
Que o presente há de morrer.
Venha ao menos por hoje.
Satisfaça essa falta de você.
Perdoe-me a profundidade,
Mas a superfície está inalcançável.
Um dia a loucura acaba.
Quando acaba a loucura que loucura será?
Eu vou, tu vens, eles não.
Então venha.
Se for tão simples, venha então.
Não vejo graça nas palavras.
Nenhuma tem solução.
São palavras inúteis.
Sozinhas não formam um refrão.
As palavras são poucas.
Preciso inventar as minhas.
Para fazer meu mundo de novo.
Para encontrar minha conclusão.
Um poema jogado ao rio,
E uma promessa de nunca revelá-lo,
Era segredo esse poema,
E muito pouco consegui guardá-lo.
(Jefferson dos santos)