
Entender como os rumos são criados e depois cria-los, ascender essa chama e depois retirar-me, coagir com as adversidades e ainda por cima agir ordinariamente, acho que assim eu consigo me livrar dessa coisa estranha que pulsa meu fluxo sanguíneo e que perece quando tenta pensar.
Hoje eu abri os olhos como sempre fiz, só que com um peso a menos, e não encontrei ao meu lado uma cama vazia, a ausência corroeu o vazio e trouxe em troca um amontoado de anseios, dispostos desordenadamente a cima dos nossos enigmas.
Cansei de decifrar essa sua existência, quanto mais eu procuro entender mais abstraído eu me vejo, vai ser melhor se for do meu jeito?
Não, não vai ser mesmo.
No entanto eu já falei demais, tentando adquirir certas conquistas de maneira não óbvia, esqueci no meio do caminho quem eu era, ao que eu vejo e ao que nós vemos posso ter certeza que não há muitas diferenças, desde que a falta e as ações repressivas, regressivas, depressivas e intuitivas sejam vistas como são e como devem manter-se exauridas.
Eu tento na medida oposta em que não consigo e aniquilado busco um grito na amargura da força esgotada perante a decapitação dos sentidos vitais para que assim você ao menos entenda que eu te amo de uma maneira que não sei por que, mas que não consigo admitir.
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(jefferson dos santos)
