Ao correr em corte exposto frente ao teu castelo ditatoriamente protegido contra mim, avistei inseguro as imagens que ainda não foram apagadas de minha mente, descobri neste corroer de fatos que ainda me mantive ligado a você por entre meus próprios anseios e meus desenrolar de esperanças, capturei neste instante apenas o essencial para não esquece-la como uma simples noite passada num calendário qualquer.
Confesso por força interior maior que a mim mesmo, que a solidão no vale dos esquecidos não teve força para suprimir meu sonhar verdadeiro e meu querer imortal, digo também que minha viagem ao morro das perdas inevitáveis apenas fez ressurgir dentro de mim aquilo que você reza todos os dias para morrer em meu peito.
Eu sei o quanto queres que eu te esqueça, sei o quanto queres que eu me esconda, como também sei que não faço você feliz, que minha presença apenas te aflige, que meu sorriso apenas te maltrata, que meus olhos te apavoram, minhas palavras te causam náuseas e meus sonhos não mais te comovem.
Decididamente resolvi te apagar do meu sentido de viver, mas só consegui apaga-la dos meus dias, das minhas tardes, dos meus pensamentos, dos meus sonhos, dos meus desejos, mas não consegui de maneira alguma apaga-la de minha alma, lá você se alojou, é como um sentimento crônico enraizado que tem vontade própria e que emerge sem aviso prévio.
(Jefferson dos Santos)
Nenhum comentário:
Postar um comentário