Serão 157 km impostos ditatoriamente a minha ansiedade.
Serão arquitetados milhares de planos de fugas.
Serão trazidos milhares de suspiros noturnos.
Serão obsequiados dezenas de obstáculos.
Serão maltrapilhados meus pensamentos.
Serão esquecidos meus lamentos?
Serão desesperados na busca da imagem.
Serão sóbrios os que sobreviverem.
Serão eternizados os que resistirem.
Serão intensas as doses.
Serão passivelmente almejados os gestos de felicidade.
Serão acrescidos sentimentos de espera.
Serão cruéis os pesares.
Serão infortúnios as poucas ofertas.
Será quase tudo o que restará do nada.
Serão vitoriosos os gritos calados.
Serão insaciáveis os desejos.
Serão constantes as saudades.
Serão dramáticas as suplicas.
Será apenas o que precisa ser.
Arrumo minhas malas, talvez eu veja a estrada a me chamar, a encosta abrirá caminho para passar-mos e cairá logo em seguida.
Minha voz se perde ao vento, meu suspiro será minha nova linguagem, meu pensar atravessará rios e ladeiras, curvas e aclives, campos e matagais, o calor do asfalto me sonificará, minha alma será meu mapa, meu coração será meu motor, minhas lembranças serão meus passageiros, minha saudade será meu freio falho, que tenta me parar, mas nunca funcionará.
Serão demasiados todos os sentidos.
Serão por demais repetitivos meus sonhos.
Serão redundantes minhas palavras.
Serão vazios os meus dias.
Serão insuportáveis os momentos de solidão.
Será inacessível sua voz.
Será impossível te ouvir.
Será difícil te ver.
Será intenso meu querer.
Ligo meus olhos pra enxergar na escuridão, uma chuva torrencial lava o espaço em branco que percorrerei, o vento sopra frio, parece querer que eu veja o quanto você me aquece, a noite se infiltra debaixo do céu, apenas consigo enxergar um vazio, olho pro horizonte e nada vejo, mas espere... talvez eu esteja vendo algo... sim, eu estou vendo...eu vejo seus olhos em cada luz distante, eu vejo teu sorriso em meio à noite, ouço sua voz em minha lembrança...você parece tão perto.
A estação se aproxima, a multidão recepciona seus entes, ninguém a me esperar, talvez tenha percorrido o caminho com muita pressa e chegado antes do tempo ou devem ter ido esperar no lugar errado, mas... ficarei a esperar, a única coisa que pude ter certeza que me esperava aqui era a nossa saudade, foi como se a encontra-se no ultimo degrau que desci e não consigo me perder dela desde que respirei o ar deste lugar.
Tomo uma xícara de café pra manter-me acordado, fui hospedado numa casa abandonada, fiquei sabendo que os antigos moradores foram pescar e nunca mais voltaram, só que eles não morreram, apenas se apaixonaram pelo mar e moram nele agora, alguém bateu na porta para me dar boas vindas e por um momento eu achei que poderia ser você.
Apesar dos pesares me sinto cada vez mais perto de você, é como se tua presença se concretizasse em meio a tanta saudade, é como se tua lembrança depois de tanto ter sido sentida se fez real e aqui estou a senti-la ao meu lado, chego até a falar sozinho achando que você me ouve, pode ser que eu esteja ficando louco, mas se isso for necessário para senti-la mais perto, então ficarei louco de uma só vez, quem sabe não me dão doses de você...
A luz da lua não é tão intensa agora, na verdade até parece que a lua se empalideceu com minha situação, com meu drama (rsrsrs), com minhas noites mal dormidas... ou talvez seja apenas impressão minha, deve ser a loucura em seu estagio mais avançado.
Meu único medo em ficar louco é que posso ser esquecido num hospício publico, jogado ao acaso, remoendo apenas velhas lembranças ou quem sabe jogado na sarjeta dos dias que não passam e das noites que não chegam...espere...não acredito que eu gesticulo a possibilidade de enlouquecer, jamais poderei está entregue a qualquer tipo de loucura, pois não existi a capacidade de duas loucuras afligirem uma mesma pessoa, é que eu sofro de uma loucura maior que é a distancia que não consigo evitar, sendo assim nada mais pode ser tão opressor quanto a isso...
Finalmente estou dopado de sono, agora sei que estarei perto de você, pelo menos meus sonhos são capazes de realizarem essa proeza.
(JEFFERSON DOS SANTOS)
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