Incoerências



Eu espero que tudo um dia se resolva e você volte pro lugar de onde não deveria ter saído, mas por enquanto eu quero que fique onde estas, pois essa distancia milimetricamente necessária será o mínimo sustentável para que eu possa derrotar meu orgulho ferido, sei que não sobra muito dele, depois da batalha que enfrentamos, e de repente eu possa derrotá-lo com facilidade, porem não me restam forças para uma empreitada como a nossa.

Eu peço perdão, suplico se preciso for, beijo seus pés, me ajoelho e lhe satisfaço, para que você mude de idéia se por acaso vier sentir raiva de mim, eu não vou ser inteiro nessa metade que sinto, de um lado sua luz do outro a escuridão, e nesse paradoxo eu prefiro ficar distante demais para considerar sua escolha, mesmo uma década ou duas, pouco importa o quão atrasado eu cheguei aqui, eu sempre disse que queria nascer no século passado e agora eu preferiria não ter nascido.

Devemos nos redescobrir, eu vou descobrir em mim a capacidade de mudar, vou forçar a barra, vou mudar de vida, de cabeça, mas não mudo meus sonhos.



Jefferson santos
Táctica y estrategia

Mario Benedetti:



Mi táctica es
mirarte
aprender como sos
quererte como sos

mi táctica es
hablarte
y escucharte
construir con palabras
un puente indestructible

mi táctica es
quedarme en tu recuerdo
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
pero quedarme en vos

mi táctica es
ser franco
y saber que sos franca
y que no nos vendamos
simulacros
para que entre los dos
no haya telón
ni abismos

mi estrategia es
en cambio
más profunda y más
simple

mi estrategia es
que un día cualquiera
no sé cómo ni sé
con qué pretexto
por fin me necesites.






Fez-se tarde numa primavera antiga e as roseiras inclinaram-se com o peso das rosas, suas rosas pálidas como o aroma que exalam pela casa, perfumando aos tragos aos mais afortunados e sensíveis a sua exuberante existência. E os arbustos vistosos com suas flores exóticas, seus ramos de um verde esperança e sua presença imóvel, perene e solitária, a denunciar a chegada de uma nova estação para os desavisados.

Então se fez a primeira manhã primaveril e o meu coração não desabrochou, eu vi a luz solar invadir meu gabinete e afastar a noite, revelando as paredes ao redor, demonstrando o tamanho da jaula, onde um animal demente conta cédulas de pétalas de saudade para tentar explicar o motivo do saldo negativo e das horas amargas que não se adoçam e nem tão pouco são breves.

O dia se arrastou devagar e o sol continuou brilhando no alto de sua fúria tempestuosa que tudo ferve e envelheci, como ogivas explosivas de urânio que nem mesmo o furor do tempo consegue deter, as horas objetivas para reduzir a subjetividade e tornarmos prisioneiros do tempo, continuam brincando de estátua com a alvorada, ignorando a solidão do crepúsculo e o poder melancólico da noite que rasga o véu da luz e põe às escuras o outro lado do globo.

Eu só queria a paz e o sorriso dela, um pouco de chuva e o poder de molhar meu rosto nos pingos, antes que esses se tornem ácidos, poder ao menos sair pelado, com o bilau balançando livremente, sem rédeas, imposições e outras banalidades civilizatórias.

Enquanto a primavera vai e o outono vem, o dia e a noite ficam nesse zigue-zague sem fim, vou seguindo sem questionar, sem me rebelar, vou aceitando a domesticação como porta de entrada para a sociedade, uma sociedade fudida e sem futuro, enquanto tudo muda eu vou vendo o mundo mudar, a água ficando escassa, o vinho ficando velho e a saudade me fazer sonhar.


Jefferson santos




Foi quando amanheceu chovendo, que eu senti sua falta, quando entardeceu no meu peito e escureceu na minha mente, que o adeus ressoou na minha fantasia, deixando para trás cada momento que não se repetirá e que só existirá em lembranças.

Eu te odeio como as mariposas odeiam a luz, e não te odeio, enfim.

Que dor poderia ser maior que a vida sem ela?

Enquanto eu recolho os papeis onde riscávamos planos, que o vento derramou pela vida, me preocupando com as tarefas esquecidas¸ ocupando o vazio com problemas banais e distribuindo LP’s pela casa, você percorre caminhos solitários repletos dessa solidão acompanhada que afeta a ambos.

Quando dói, penso na morte, que dor terrível seria morrer de amor, arder no fogo da saudade, e reviver logo após, para que o ciclo reinicie, para que o tormento sirva como ferramenta para não apagar nossas lembranças.

Você podia ter sido tudo que quisesse em minha vida, e resolveu ser apenas um texto triste, não havia limites e a disposição já era plena..., ...por que no fundo eu não sei o que fazer com as lembranças, que foi tudo que sobrou e não me ajudam a esquecê-la.




jefferson santos

Antigamente era assim...



Ela me pede para esquecê-la enquanto se entrega pelo olhar aos meus braços, e o amanha ela disse que será solitário, será sem ela, como antes, como sempre foi...

Quando eu recebi a noticia que seu amor era vacilo e que o meu coração seria posto a venda, eu só me lembrei do tempo que você sorria para mim e falava do destino que nos uniu, porque foi recente, tão rápido e o mesmo destino não foi capaz de vencer sua escolha. Você que falou do destino, eu falei de tudo, menos dele, falei da paixão, do amor, da saudade e da distancia, mas quem falou do destino foi você, para no final ignorá-lo e escolher o império do acaso, ao menos eu acreditava naquela conversa de destino, o resto para mim acabou sendo ilusão...

Foi a poesia que me levou ate você, foi a nostalgia de querer viver como nossos pais que me concedeu a chance de embriagar-me de paixão, desejo e melancolia, mas o que nos separa eu não sei, se um dia ou dois, tanto faz agora o quanto tempo eu acabei chegando atrasado na sua vida, sua escolha é precipitada demais para me convencer.

(jeff)

...





Naquele terminal de chegadas e partidas, você chegou a meu coração.
Não há nada naquela rodoviária que não me lembre você.
Eu poderei sentar todos os dias naquele banco em busca de recordação.
Por saudades dos teus beijos, ou se não for recíproco esse meu querer.

Estive contando cada segundo até o momento do nosso encontro.
E valeu a espera, o tempo infinito e as horas que voaram quando lhe vi.
Não perderei mais nenhum instante e para o seu amor estarei pronto.
Com a certeza de quem encontrou a outra metade que perdi.

E hoje eu não sei como viver sem seus beijos
Sem as caricias que pretendo lhe ofertar
Sem seu sorriso que me enlouqueceu de desejo.

Não quero viver sem você desde que a conheci.
Seria injusto o mundo sem você a me amparar.
Hoje eu daria tudo para não viver sem ti.

(jefferson)

O sorriso que rouba o sono






Culpo pelos sonhos confusos durante a noite, pela insônia da madrugada que determina quando devo dormir e pela inspiração para este texto não menos impreciso do que minha objetividade ao dizer que sonho com você, culpo por ter me deixado esperançoso, ansioso e desnorteado, esse seu sorriso. É dele toda a culpa, seu sorriso hipnótico, perene, indecifrável, me deixou abobalhado, meio enamorado, certamente ainda mais louco, o suficiente para escrever um texto apaixonado.

São intensas as minhas palavras e paciente o meu coração, a pressa que em meu texto explano não se assemelha a cautela que minha alma assegura, todavia serei capaz de esperar décadas pelo que possa valer mais que tudo ao meu redor.

Enquanto o vento sopra uma brisa nostálgica que já deve ter passado por aqui em algum verão passado, vejo que as mesmas ruas têm um novo brilho agora, cada lugar onde já passei aparenta ser mais bonito agora, talvez seja o reflexo de um novo brilho em meus olhos que ascende minha alegria a um novo paradigma.

E os versos que fiz já não valerão mais do que os que serão feitos.

(jefferson dos santos)

...

Eu sempre soube...
A frase mais insignificante que ainda trago em mente, arrastando-a pela memória com a lembrança de seu significado nos últimos anos.
Eu sempre soube...
No meio de tanta coisa que foi dita, só esse medíocre sempre soube deixa seu resquício por vários dias, alastrando o desencanto e a solidão...










E mais um vamos se adentro na esquina começo deste ontem que se aproxima do alto daquele instante!!^^

E mais um dia que se acelera sentado no perto lado da manhã do abandono!!^^

E mais um ser humano que eu sei manter fazer finalmente nesta ansiedade!!^^

(jeff)

Talvez eu espere pela bala ausente do gatilho inconseqüente.
Ou até mesmo me encontre sem saída na rua das ilusões perdidas.
Com a boca entreaberta de vento, digerindo todos os meus momentos.
Ou até mesmo sentado e com frio, gritando meu silencio num canto vazio.
Vou estar por hoje na loucura, largado, esquecido, perdido numa praia escura.
Por hoje não preciso nem da lua, não quero mais ouvir meus gritos pela rua.
Vou jogar-me de olhos fechados, na sombra noturna dos angustiados.
E condenado estarei a me esquecer, para só assim poder me entender.


(jefferson dos santos)
"Decreto a quem me esqueceu"

Chega de esperar por aquilo que não virá, estamos cansados de pensar naquilo que não se entende, minha angustia seria maior se tudo que eu dissesse fosse verdade, mas meu ovo esquerdo disse ao direito que nada do que farei terá outro fim a não ser me dar mal.
Já não agüento mais essa porra de lei que te permite calar estando ausente, talvez emancipar-me pelo mundo proibido, que com certeza vai contra nossas promessas, seja a real maneira de se obter uma overdose de desabafos.
Também estou cansado de gritar por qualquer coisa, saturou-me a mente de tanta falta de importância arremessada ao meu lado, pois você apenas me apresenta em monografias o quanto sou dispensável e o quanto minha presença não lhe serve...
Poderia ser vulgar e dizer um verdadeiro “foda-se”, mas me contentarei com um simples “vá a merda”.


(jefferson dos santos)
Nota de repudio

Hoje por intermédio de forças maiores se perdeu um jovem ser comum, extraviou-se pelas bandas da saudade, se embrenhou pelos lados da espera, ninguém que o conheça saberá onde achá-lo, está perdido o pobre moço, sem beira nem eira ele corre ao acaso e seu objetivo é um pedaço de beijo diário. Ele se cansou de um beijo semanal e exige um beijo por minuto, um sorriso por segundo, um olhar eterno. Sem isso ele estará sujeito a penar pelo resto de seus milenários tormentos e suplica com todas as suas poucas forças por sua presença constante, ele grita pelas respostas, pelas lembranças, ele esbraveja consigo mesmo e culpa-se por ser tão distante...


(Jefferson dos Santos)

DRAMA SEM RETORNO



Estou condenado ao esquecimento, aceitando este fato não preciso aceitar mais nada, cheio de idéias ou confuso, tanto faz se o fim ainda está longe, pelo menos meus filhos não vieram a esse mundo que desprezo, que me leva a algum lugar que seja querido.


Demoram os trens nesta estação fantasma, faz tempo que nada se move, contando com o vento que anda deixando de circular, aumentando minha certeza de solidão, minha angustia de dores inexistentes, minha sede e minha decadência, meu corpo sem prazeres, amando o objeto de minhas paixões, estou louco, sempre soube que estaria um dia.


Jazia o movimento da vida quando brilhavam lágrimas em meus olhos, naquele avião não coube meu amor, que ficou para trás planejando seu futuro, deixando-me aos poucos, até mesmo durante o caminho a frente, com a velocidade de um pássaro em queda livre, atingido por uma pedra de atiradeira, ela foi me esquecendo e fantasiando novas paixões que a destruíssem, que revivessem dentro dela uma dor que eu nunca consegui apagar completamente.


A dor não existe por si só, eu a ressuscitei e dei sabor, um gosto amargo como o sal, o odor acre da vida moderna e fiz dela minha inspiração, a dor em cada linha, em cada tristeza, canalizada para as conquistas que lhe trarão de volta, morena. Quando acordar num certo dia qualquer, poderei estar a sua porta, com um buque de rosas brancas, minha cara de pastel, meu sorriso apaixonado, nas lágrimas de ansiedade, despertando-me das tristezas que nunca apaguei. Você me ouvirá, me verá indo embora sem as rosas, jogará o arranjo na mesa do jantar, olhará pela janela, sentirá a duvida de ter feito a coisa certa e nunca mais nos amaremos.


Onde estou só a morte é conhecida, mesmo nunca morrendo sinto-me suicidado socialmente, sem amigos a vida não deveria prosseguir, na solidão das cartas que eu escrevo, sem as respostas que nunca chegaram pelo correio, estou tecendo um lençol de sonhos, para aquecer-me nos meses de outubro, quando rostos diferentes me desejarão felicitações pelo fim que a cada ano se aproxima mais um pouco.


A quem darei ouvidos no meio da noite?Falando de amor ao falar de dor, quando você dizia que me amava, eu não podia deixar de sentir a maior felicidade que eu já pude desejar, uma mistura de desejo e mágoa, na solidão das horas que caem sobre meu peito que é praia, na paz embriagada da ilusão que colhi, nos dias que sem você chorei, e não pude sequer imaginá-la quando me masturbava.


Tive sua imagem por longos dias, quando os dias viraram anos tudo foi se apagando, o sorriso debochando da minha sina, meu pesar carregando-me pelas ruas vazias desta cidade em atraso, sou apenas um no meio de uma multidão frenética, que se entorpece por amor gerando dor, agonizados pela sede que não saciam e lutando pela vida como animais estúpidos, que entregam até o ultimo pedaço de dignidade em busca da felicidade encapsulada.


Foi loucura ter ido embora no melhor da festa, ter saído no momento em que conquistávamos nossas afinidades, quando eu ouvia sua voz e me tremia por dentro sabendo que nunca a esqueceria, a tristeza maldizendo meu fracasso, fui dos meus sonhos o castrador, troquei amor pela ganância que me cegou, desvinculei-me da alegria quando embarquei naquele terminal dos nautas, num transporte qualquer, que me levaria onde não conhecia, deixando-me pelo caminho,quão longe o suficiente para ser obrigado a esquecê-la.


Trago uma dor chamada esperança, que nunca me deixa em paz, sempre me faz crer que posso viver como eu quero, ao seu lado, com os filhos que você nunca desejou, em família como tolamente eu acreditei que seria o certo, na amplidão dos desejos medíocres, que me levarão por caminhos confusos, repletos de preocupações, obrigações e desilusões numa estrada obscura.


O Sol se põe do lado errado neste lugar, e quando nasce não tem o mesmo brilho das vezes que presenciei na infância...

(jefferson dos santos)

TESTAMENTO

Gostaria de deixar essa lista para todos aqueles a quem ela beneficiará, a todos os amigos e os inimigos aqui citados, os mesmos deverão no dia seguinte ao meu sepultamento encaminhar-se a minha ultima residência e requerer o que lhe foi herdado.

A ordem de recolhimento deverá seguir em ordem alfabética, e ninguém poderá recolher por terceiro, será exigido no ato da entrega a documentação necessária para identificação do beneficiado, sendo que o mesmo não poderá recolher seus bens em outro dia que não seja o reservado para tal.

Deixo claro que ninguém será esquecido ou riscado da lista, ou até mesmo ignorado, se por comprovação o nome não constar na lista, saibam que não foi por esquecimento meu e sim por exclusão consciente e proposital.

Lembro que todos os meus órgãos deverão ser usados para doação, com exceção, claro, do meu coração que deverá ser entregue a mulher que o roubou sem necessariamente seguir qualquer ordem de entrega, pois ela terá todo o direito sobre ele, afinal de contas ela sempre o possuiu quando ainda me encontrava em vida.

Deixo também reservado meus livros, meus escritos, minhas musicas e todo o acervo de minha criação para meus familiares, tudo que por minhas mãos nasceram e passarão a fazer parte desse mundo, deverá ser guardado, queimado, publicado ou escandalizado e desde já estarei em acordo com o fim que a eles será dado.

Se eu não puder fazer um ultimo pedido por motivos mortais, peço desde já que não enterrem meu corpo em nenhum cemitério famoso, se conseguirem uma vaga numa cova em algum lugar do sertão, na mais longínqua cidade, no mais velho cemitério, na cova mais escondida, ou em qualquer lugar que não exija esforços para enclausurar-me dentro de um caixão semi-novo, e se possível que o mesmo seja comprado na mais em conta das funerárias, com preços acessíveis e facilidades de pagamento, não havendo também necessidade de ternos, nem sapatos, pois acreditem se quiserem, depois de morto eu não vou a lugar nenhum.

Entenderei se quiserem chamar um grande publico para celebrarem a despedida do meu corpo, mas não vejo necessidade disso, sendo que a verdadeira despedida já deverá ter sido feita no momento em que meu corpo deixar de funcionar.

Acreditem também que não será preciso gastos desnecessários com qualquer coisa que não seja para o bem de vocês, depois que eu morrer não precisam se preocupar comigo, não sentirei mais nada, não estarei em nenhum outro lugar a não ser nos seus pensamentos, e mesmo assim não serei lembrado sempre, haverá dias sem mim e esses dias serão iguais a todos os outros que procederem ao meu falecimento.

Peço desde já que sejam providenciados músicos especialistas em Beethoven, John Coltrane, Malis Davis, Verdi, Chopin, Wagner, Beatles, Raul Seixas entre outros que constarão numa lista que seguirá em anexo. O objetivo desses músicos será fazer com que o Whisky seja tomado ao som de músicas verdadeiras, e falando em whisky, peço que não se preocupem em comprar Whiskys caros, com sabores marcantes, se possível um bom Whisky barato já serve, pois segundo minha opinião, o melhor de beber um bom Whisky é poder beber vários de segunda.

Não aceito que drogas sejam consumidas em meu velório, já que tenho certeza que haverá um, peço somente que usem coisas naturais, pelo menos no meu enterro, eu sei como é bom fingir ao mundo que tudo vai bem, enganar a si mesmo não será a melhor saída, todavia deverá ser permitido o uso de fumos, qualquer tipo de fumo, e olhe que neste caso as opções são inúmeras. Minha preocupação aqui é somente com amigos que não resistem aos narcóticos, e não havendo a existência de tais substancias nas proximidades, ficará mais fácil passar sem hiatos existenciais.

Como não possuo muitos amigos, somente o suficiente para não viver uma vida solitária, peço encarecidamente que somente os mais próximos sejam convidados, e os que vierem por vontade própria também sejam bem acolhidos, mas aqueles que tiverem ido somente para cumprir tabela, podem ficar na porta mesmo, não quero que me vejam sem forças para enfrentá-los, longe de mim ser visto como um derrotado diante de abutres depreciadores de qualquer sentimento de compaixão, não quero compaixão, os amigos se chorarem certamente será por saudade, por dividas que eu não paguei e por qualquer outro motivo que não seja compaixão, odeio a idéia de ser alvo de pena, quero alegria, sorrisos com piadas sem graça, risos pelas lembranças das loucuras que já fiz e que farei antes de morrer, pois não pretendo morrer agora, agora ainda é cedo e amanhã eu tenho planos loucos de viver em paz.

Esse negócio de chorar em enterro já caiu em desuso, então podem preparar seus fígados para o álcool, afinarem seus violões para a música, aquecerem suas gargantas para as conversas, e enxugar suas lágrimas para não serem desperdiçadas com um evento corriqueiro e certamente inevitável.

Outra coisa que não posso esquecer-me de citar é que evitem conversas fortuitas em meu velório, já é difícil estar morto e ainda por cima ter de ouvir baboseiras sobre futebol, novelas, filmes inexpressíveis e fatos irrelevantes, se não tiver o que dizer prefira ficar em silencio, ouça se for ter de falar besteira.

Creio que não preciso deixar mais nenhum desejo por escrito, se algo faltar, algo que eu ainda não pensei que poderia acontecer ou ser evitado, será publicado a retificação deste documento e liberado seu Download no presente blog.

Seguirá em anexo uma lista contendo os nomes dos beneficiados e seus respectivos bens:

(jefferson dos santos)

(Eu não consigo escrever, amor.) ou (Morte de um passarinho.)

Ao som de uma melodia e nada mais importará para esse desejo que martela minha mente, ao luar de uma noite de inverno entre as lembranças dos que esperam preocupados, daquela maneira em que se procura ao relento um pardal pequenino com uma asa quebrada para levá-lo ao fogo da consumação, devorar os milimétricos fios de carne e seus músculos atrofiados ainda pela idade menor, imaginando um coração no lugar de outro, devorar antropofagicamente suas vísceras na intenção de aniquilar esse ódio do mundo. Essa dor ao menos se ameniza quando devoro este belo pássaro que nem alcançou o prazer de sua juventude, que caiu do ninho em seu primeiro vôo e que agora dorme tranqüilo num sono eterno, descansando sua cabeça outrora livre num travesseiro de alfaces e farofa.

Descansam em meu lixo aqueles ossinhos magros que nem a fome saciou, mas esse desejo cruel e antropófago de inverter os papeis e devorar uma vida no lugar de outra não era para ser saciado e sim alimentado, deixando-me uma nova fome para quando encontrar por aí uma nova vitima indefesa, que não tenha escapatória, que não possa mais ser livre, que esteja vulnerável, que possa olhar nos meus olhos e transpassar de sua alma à minha, todo seu pavor, toda sua angustia por perder seu futuro numa tigela de porcelana, num prato colorido, sendo devorado pelas próprias mãos que seqüestraram seu futuro.

Esse episodio me faz lembrar outro, lá eu não era o predador, o topo da cadeia alimentar era ocupado por um ser superior que devorou minha carcaça, meu coração, meu fígado, meu pulmão, meus olhos, meu sorriso, minha paixão, meu medo do passado, meu temor da solidão. Ah! Esse ser cruel que me devorou e foi embora, deixando-me em pedaços num canto da mesa, coberto por moscas e suas larvas penetrantes, que corroeram meu cérebro a procura de informação. De mim vocês não sentem pena, mas de um mísero pássaro com sua cabeça manipulada pelas leis da natureza, que não tinha mais chance de encarar um mundo cruel naquelas condições, vocês sentem pena, e o pior, julgam-me por tamanha frieza e discrepância, ou eu mato ou eu morro, e uma vez morto agora é a minha vez de matar.

Eu confesso que já devorei uma hortaliça inteira, do repolho ao coentro fiz meu genocídio, devorei ferozmente durante horas e horas, e por mais que nunca parasse de devorar cada raiz, eu não me sentia vingado por tal e nem tampouco saciado, no entanto o sangue de uma vitima era a saída para amortecer essa dor que apertava meu prazer contra o muro da insatisfação e resolvi roubar a liberdade de quem não tem nada com isso.



jefferson dos santos
No silencio destas paredes está o tormento que aflige minha mente o tempo todo, ecoa-se pelas ruas o som da minha saudade. ... Nesta espera angustiante, firme como um cão leal, eu aguardo o tempo chegar, passar e voltar mais uma vez. ... Que toquem a melhor musica na mais moderna vitrola, acompanhada da melhor bebida, com a mulher mais bela, mas sem o meu amor, nada me será suficiente. ... Eu acho que sei onde você vai estar, e por saber disso tudo eu decido me esquecer. ... Sempre há espera, sinto que sempre estarei esperando, preso a uma penitencia, uma penitencia esperançosa, que espera o tempo todo sem cansar, tanto espera que não me deixa dormir mais cedo, tão intensa que espera de si mesma uma nova razão para continuar a esperar. ... Justamente quando escrevo este parágrafo, tenho o melhor pensamento de todo esse tempo sobre nós dois. ... Verdade que eu te quero sempre mais e mais, e não consigo parar de te querer, como uma onda que cresce e que cresce, e nesse crescimento todo, não consigo ver até quando isso vai crescer. ... Voltando ao silencio, quem vai responder as minhas perguntas de amor e ódio? ... Quando se espera um texto todo para que algo ressurja e no final do texto nada acontece, os violinos chegam ao auge em sua performance e de repente desaparecem, como patos medrosos no meio de um tiroteio, pode ser que neste exato momento o amor tenha sido renomeado. ...
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Você mostrou-me um mundo o qual eu não conhecia, vejo em seus olhos um vazio que outrora você deixará quando resolver partir. Um sonho demasiado impossível, é assim que defino toda essa existência que vaga sem uma resolução.


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Sua voz fez falta e eu não quero isso de novo, a saudade nunca me fez tão mal e a ausência minimiza minha alegria.


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Não posso demonstrar minha maior fraqueza, não que eu tema o mal, mas é que... sei lá, sabe... eu acredito que devo confessar essa paixão avassaladora... mas... tipo... sonho com você quando não a vejo... você praticamente está entre os cinco pensamentos mais pensados durante o dia... e... pow... a gente... você sabe,né?... enfim, não sou eu que devo decidir.


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Odinoque

Antecedendo a todas as conclusões eu me oponho ao grito... que sufoca minha garganta.

Eu não fui preparado para pensar como o mundo pensa, infelizmente tenho a infeliz certeza de que serei deixado para trás no momento em que for difícil seguir os passos apressados que marcham sem direção pelo caminho do tempo.

Esses passos lentos são os únicos passos que sei dar, um passo de cada vez e hoje sinto medo de perder-te, como uma onda embriagada que recai sobre minhas dúvidas tão antigas, tornando-as ainda mais ultrapassadas.

Reciclando pensamentos, obtive uma quantidade absurda de inutilidades, algo que não serve e que devo apagar, sonhos que eu sempre tive e que precisam de uma repaginada, fazer alterações em todo o lay out, tirar algumas incertezas do lugar, mudar os hábitos mais infantis e guardar para sempre as lições que não consigo executar.

E você meu amor? Quem foi que lhe disse que eu estaria aqui? Esse era meu lugar secreto desde minha infância sombria. Meu refugio secreto e você o descobriu, o tornou seu, fez sua companhia minha necessidade, você e esse lugar sombrio.

Se os planos foram encerrados quando eu fiz um convite óbvio, prometo evitar mais promessas e sair sem novos convites.

Uma noite sem o calor do seu corpo e o frio toma conta do mundo inteiro, dois corpos insatisfeitos que se deixam com um beijo repentino.

Eu vejo nuvens e um sol sem calor, vejo seus olhos e não consigo arrancá-los possessivamente, no horizonte uma escada até o céu está sendo construída, enquanto que entre a gente essa escada se sobressai, e nos leva a lugares incomuns.

Tudo isso por que estávamos condicionados a ter planos demais para uma cidade sem futuro.

Esse desejo que não devemos qualificá-lo, está corroendo minhas entranhas num misto de pavor e medo, medo de te perder, pavor de não mais lhe ver.




Jefferson dos Santos

Perfazendo


Penso em pensamento que posso parecer um perambulado, pensativamente perdido a procura de tão pouco, possivelmente pesa o punho que aperta o disparo, pondo um ponto final nesse percurso.

Pertinaz pressuponho que pereço de pequenos problemas, petiscando o pomo do passado desse meu pomar, penso que num porvir perene, todo o pavor passara perante esse meu pensar.


(jeff)

Morte na madrugada

Num quarto escuro João acordou, quis procurar por Maria, mas não sentiu vontade, seu corpo jazia em outro pensamento, naquele instante João morreria.

Seus sentidos desapareceram, sua fome diminuiu, seu coração havia parado, João sofria como um morto, um condenado que morre sabendo que vai morrer, aos poucos ele se desligou para todo o sempre.

Seus últimos pensamentos foram confusos demais para serem compreendidos, mas decerto que o mais sóbrios de seus pensamentos retratavam a imagem de Maria como uma luz brilhante.

Estarrecido pela sua não-escolha em decidir-se por morrer, estava convicto de que não poderia fazer nada para evitar sua triste morte e por isso não queria chamar a Maria, ela também não poderia fazer mais nada por ele e seria melhor privá-la do sofrimento de assistir a morte de seu amado.

E em agonia escreveu esta ultima carta:

“Eu, eu, é Maira, deixa minha morte então você me amava onde sempre no meu outro peito.

Perdoa antes mesmo da você Miara comigo antes sonhos e eu quando vida bela outra saudade.

Fagundes trás outra vez filho, antes ou afinal você sabe eu não sei.

Espero que saudade ou ressurreição, amo a vida deixo agora.”


Não se sabe se João morreu logo após ter escrito a ultima linha, certamente João já estava morto desde o inicio.

João foi enterrado como todas as pessoas que não são indigentes, se juntam alguns amigos, chamam parentes distantes, arranja-se um caixão dividido para dez vezes sem juros, aluga-se uma cova por 40 anos e o enterram com o seu melhor terno.

Ele deixara saudade?

Talvez, ele não fazia mal a muita gente. E alem de tudo João não tinha muitos amigos.



[J]



Numa foto escura a certeza de sua presença do lado direito, com um câncer em chamas sendo consumado pelo deleite de desfrutar de um espetáculo miraculoso.

E contemplando inteiramente todo o momento, num surto obscuro de entregar-me ao mar, lá estava eu em conflito, uma força irrefreável me trazia um desejo de aproximar-me e roubar quantas atenções fossem necessárias, como uma criança ofuscada pelo brilho de uma lua em sua melhor performance.

Não devo usar as palavras certas para dizer algo verdadeiro, pois dessa maneira estarei sendo indiscreto ante a incerteza do futuro. O que se faz necessário aqui, é um fim posto entre linhas e dissimulado não menos que esse vagão de idéias estúpidas e careta demais para quem precisa provar que merece sentar-se para tomar uma dose de uma garrafa que acabava de ser aberta.

Uma noite não termina quando tudo fica claro, não necessariamente.

O prazer termina quando você vai embora e não quando a noite acaba.

A noite era só uma ambientação natural dos movimentos, do tato, é ela que enaltece as percepções e me enlouquece toda vez que você precisa partir.

Você sem a noite continua sendo você, mas a noite sem você é como se alguma coisa estivesse fora do lugar.

O lugar da noite já está definido, mas o seu lugar se dependesse de minha escolha insensata não seria num quarto escuro, numa noite que terminaria ou numa alvorada repleta de sensações românticas, ou até mesmo numa praia deserta com o tempo limitado pelo calor, seu lugar escolhido por mim seria ao meu lado, entrando em um buraco negro, onde o tempo desapareceria e as definições de ser e existir seriam desnecessárias, lá teríamos um minuto ou milhões de anos para sermos o que bem entendêssemos.

O tempo limita a noite e a noite atravessa o tempo, se quiseres envelhecer deverás viver inúmeras noites, quanto mais noites, menos tempo terá de vida, quanto menos noites, menos alegrias terás vivido.

Existem armas que estão sendo usadas, existem coisas para serem esclarecidas, existem tantas coisas e nada não existe, tudo existe quando pressuponho que vivo, quando a vida no meio de uma avenida for encerrada, possa ser que nada tenha existido no momento a partir do fim, será uma interrupção dramática, a separação não está nos planos, o eu matéria se desmaterializa e pronto, jaz ali um individuo que amou, que trabalhou friamente em busca de uma morte digna e que termina sem a próxima noite, sem a chance de vivê-la mais uma vez, a morte nos encerra e é por isso que a vida existe, para que a cada dia meu corpo envelheça, não há fuga na morte, morreremos enquanto fazemos escolhas inúteis demais para nos satisfazer.

Dessa vez tenho inspiração demais, tenho uma saudade, se é assim que devo nomeá-la, tenho um corpo jovem demais para não morrer e velho o bastante para não ser eterno, mas não possuo os poderes corretos, esses poderes desnecessários são uma pedra nos rins que doem quando preciso botar algo pra fora, escrever não é poder, é submissão, submeto meu pensamento ao meu próprio querer e tudo vai por água abaixo, incontrolavelmente desço uma ladeira sem fim toda vez que inicio um texto, terminar no momento certo é o mais difícil, terminar e conquistá-la, essa seria a recompensa, no entanto há outras razões maiores, os motivos dessa quimera são em demasia ocultados pela minha ignorância, as dúvidas são meretrizes que se vendem à distancia, o vicio é uma virtude comprada ilegalmente, o amor não sei o que é, o desejo é um defeito que deu certo, não sou dono da verdade e nem sei se ela mesma existe, tenho direito de criar minhas próprias verdades e de tirar minhas próprias conclusões.


Venha enquanto eu espero.
Não importa se um dia ou dois.
Venha enquanto posso esperar.
Antes que o mar esvazie.
Depois da ultima canção.
A balada de frases crivadas.
Amontoada, para sempre guardada.
Venha, por favor, venha.

Não temas o mal,
Que o mal não te fará algum,
Se há de temer,
Então temas o futuro,
Que o presente há de morrer.

Venha ao menos por hoje.
Satisfaça essa falta de você.
Perdoe-me a profundidade,
Mas a superfície está inalcançável.

Um dia a loucura acaba.
Quando acaba a loucura que loucura será?
Eu vou, tu vens, eles não.
Então venha.
Se for tão simples, venha então.

Não vejo graça nas palavras.
Nenhuma tem solução.
São palavras inúteis.
Sozinhas não formam um refrão.

As palavras são poucas.
Preciso inventar as minhas.
Para fazer meu mundo de novo.
Para encontrar minha conclusão.

Um poema jogado ao rio,
E uma promessa de nunca revelá-lo,
Era segredo esse poema,
E muito pouco consegui guardá-lo.


(Jefferson dos santos)



Esse desejo antropófago sendo mesclado com poucas teorias e muito pouca prática, não trará você aqui agora, sem uma força magnética não consigo atrair, pois só possuo um pólo descartado e uma loucura já conhecida.

Pelo amor de seja lá o que for, ao menos peço que caia do céu uma chance de viver e uma ternura durável, uma casca frágil e um carinho inquebrantável.

Quando eu ressuscitar no meio da noite com a lembrança voraz e ainda bêbado com as doses nas quais eu me afoguei, que seja breve meu penar, que não dure a insônia, para que não perdure essa vontade que eu nem sei se você deseja que eu continue sentindo.

Psicologicamente não possuo um perfil ideal, um débil que gosta de afeição, ao menos não há um quadro de psicose relatado em meu prontuário e que fique bem claro que sei o que faço e muito mais ainda o que digo e tão pouco o que uso.

Você saiu enquanto eu ficava com uma garrafa vazia de um whisky que nunca deveria ter acabado, da mesma forma que tudo deveria ser eterno, até os baseados se basearam em sua ausência e acabaram, minha alegria momentânea se tornou ainda mais passageira com um sorriso de tempos em tempos toda vez que lembro do que disse e do que pensamos, e quando falei de um velho alienígena espero não ter falado demais.

Pois é, devo voltar pro mesmo lugar de sempre toda vez que tudo acaba?

Objetos inanimados, músicas que preenchiam o ambiente, um colírio em suas ultimas doses, um chute no cinzeiro e cinzas para todos os lados, um desejo de satisfazer, uma presença avassaladora, uma noite que termina sempre ás 05:00hs da manhã com um galo rouco que cantava desafinado, os diversos diálogos, a certeza de ter vivido um momento único, por mais que um momento possa durar tempo necessário para fazer esse estrago em minhas noites que continuam curtas e muito pouco sonolentas, um único desejo de deixar claro que não foi em vão tudo que fiz e uma busca pela noite atrás de segurança, enfim, tudo que existe ao meu redor ou nas lembranças que venho guardando me fazem escrever esse texto ridículo e sincero demais para postar em um blog.




(Jefferson dos santos)
Ainda estava escuro quando abri os olhos e vi a lembrança mais intensa inundar-me por inteiro e encher meu sonho com um prazer inexprimível.

Confesso que a saudade é louca e sem compaixão.

Um desejo impotente de transformar uma noite em mil.

O travesseiro empoeirado de memórias, de aromas tão sutis, que para conseguir dormir é preciso me afastar dele.

E eu que estou meio triste, trago uma alegria reserva que uso quando penso em você.

(Jefferson dos santos)











“carnaval, carnaval, eu fico triste quando chega o carnaval” Luiz Melodia

Na falta de uma dose tudo se dissolve

Eu vejo estrelas quando fecho os olhos, quanto mais triste mais estrelas deixam de brilhar, ultimamente tenho visto poucas, algumas ainda brilham, mas é aquele brilho fosco de quem ainda não se apagou.

O fim da linha é só o começo de um novo ciclo, ao menos chegue ao fim para tentar recomeçar, não adianta parar e deixar tudo pela metade, já basta a metade do bolo que estragou, a metade da musica para compor, a metade do caminho de volta, a metade de uma vida que se encerra no punho exagerado, que acelera um motor desgovernado, que mira no pára-choque de um caminhão distraído, a metade do seu corpo de um lado e a outra no outro, o sangue em gotas pela avenida, a saudade mortífera da certeza que é inteira, metade dos que estão ali não te conhecem e a outra metade é só curiosidade, ninguém ajuda, ninguém pode ajudar, ninguém te deixará respirar, seu esforço para fazer sua morte ainda mais trágica com um grito entalado que sai pela metade com frases inteiras a se perder num pensamento que fica escuro e longínquo demais para prosseguir.

A cada dia um novo problema, em cada problema uma especulação sobre os motivos da vida. Quem fez o sofrimento? Deus ou o homem?

A alegria num cego que morre de fome, a fome que morre numa mesa farta, uma passagem desgraçada ou uma visita repentina, o suprimento de calma e a tentação da culpa, o resto da atenção e a falta de definição, o mundo medíocre e as saídas mais fáceis, promessas afins e uma descarga elétrica no meio da noite.


(jefferson dos santos)

Analgésico suprabiótico

Deveriam logo descobrir remédios para o tédio de sonhar acordado.

Soníferos enlouqüentes e inconseqüentes, capazes de tudo por nada.

Venenos benéficos que ajudem a quem precisa deles e a quem não se interessa por existir.

Não precisam perder tempo com bulas, a necessidade é de se remediar e não de ler.

Mas se insistem nas recomendações, escrevam ao menos poemas de Mário Quintana.

Uma dose para esquecer o passado, duas doses para se sentir otimista, três doses para aprender a ser vencedor, quatro para conseguir acordar, cinco para quando esquecer algo importante, seis para ter coragem de enfrentar o fim do mês, sete para passar em algum exame, oito para reviver o balanço de rede numa infância tão distante, nove para ter aquela velha paisagem tão viva na lembrança, dez para aprender a falar o suficiente, onze para tomar decisões difíceis, doze para dar risadas mais intensas, treze para terminar tarefas intermináveis, quatorze para uma conquista existencial, quinze para não morrer de ciúmes, dezesseis para um amor eterno, dezessete para dor de barriga, dezoito para acalmar os ânimos, dezenove para ficar muito louco e uma cartela inteira para saber que a vida é uma só.

(jefferson dos santos)
Relatos diversos I

O que é um homem sem a solidão? Sem a paixão que o arremessa de cabeça em outro mundo?

Todo homem ama e se não ama é por que já amou.

Todo homem sente em si o desejo de acompanhar, de fazer feliz e se não sente é por que já sentiu.

A dor de um homem pode aparecer como uma ferida exposta que demora a coagular, ou até mesmo pode ser rara e nunca vista em lugar nenhum, mas o fato é que ela existe.

A dor pinta a poesia tanto quanto a alegria, é preciso rir tanto quanto chorar, saber que tudo passa até mesmo a maior das desgraças ou a mais forte das ressacas.


(...)



Relatos diversos II

A noite agora me ilumina, aumenta a criatividade para criar novas perversões, novas saídas para o estado caótico e deturpado do meu desejo inconfessável, é a noite que se revela irmã, mulher e inimiga e a mesma noite que ajuda na contaminação de mentes puras como a minha.

Eu trocaria a noite por você, largaria meu escudo implacável, mas a trairia movido pela força dela, amaria as duas em uma só cama, a noite e você, me doaria ao extremo para saciar tua sede e com a minha sede saciar a da noite.


(...)



Relatos diversos III

Uma ligação me chamando para sair, nem deu para dizer que o cansaço era maior, esse calor que vêm às vezes e que sempre me diz para onde ir.

Uma dose num bar sujo, num copo nem tão limpo, numa mesa a dois, um gole, uma tontura, a vontade de algo mais, eu que satisfeito, enfim terminei como comecei, voltei pro mesmo lugar onde recebi a ligação, amanhã eu esqueço enquanto hoje eu finjo entender, um aperto na voz, sair sem olhar para trás.

Ao menos a conta dá para pagar.


(...)



Relatos diversos IV

Com uma decisão e várias dúvidas ele decidiu se estabelecer naquela velha casa, ali se esperava encontrar um grande vazio devido ao tempo de abandono, mas o que ele encontrou foram rastros de vidas longínquas, teias imensas de aranhas antigas cobriam com seus véus a mobília envelhecida, a poeira em demasia possuía todos os cômodos, o teto ameaçava oscilar bastante e enquanto durasse o vento, mas dentro dele algo o obrigava a ficar ali e era como que de repente apareceria uma imagem divina de alguém que não virá.


(...)


Relatos diversos V

O suor escorrendo pelo corpo, sua sedução me tateando dos pés a cabeça, um momento a menos quando o próprio momento passa, um ser envolto de loucura e prouver, um ser que sente falta quando a loucura passa e o prazer se enlouquece.

Era-se o tempo de bonança, entra-se o tempo de hibernação, talvez o carinho armazenado não tenha sido o suficiente para esse inverno que virá, mas tudo se repete mais uma vez, já deveria estar acostumado, ao menos não serei possuído.


(...)



(jefferson dos santos)