Num quarto escuro João acordou, quis procurar por Maria, mas não sentiu vontade, seu corpo jazia em outro pensamento, naquele instante João morreria.
Seus sentidos desapareceram, sua fome diminuiu, seu coração havia parado, João sofria como um morto, um condenado que morre sabendo que vai morrer, aos poucos ele se desligou para todo o sempre.
Seus últimos pensamentos foram confusos demais para serem compreendidos, mas decerto que o mais sóbrios de seus pensamentos retratavam a imagem de Maria como uma luz brilhante.
Estarrecido pela sua não-escolha em decidir-se por morrer, estava convicto de que não poderia fazer nada para evitar sua triste morte e por isso não queria chamar a Maria, ela também não poderia fazer mais nada por ele e seria melhor privá-la do sofrimento de assistir a morte de seu amado.
E em agonia escreveu esta ultima carta:
“Eu, eu, é Maira, deixa minha morte então você me amava onde sempre no meu outro peito.
Perdoa antes mesmo da você Miara comigo antes sonhos e eu quando vida bela outra saudade.
Fagundes trás outra vez filho, antes ou afinal você sabe eu não sei.
Espero que saudade ou ressurreição, amo a vida deixo agora.”
Não se sabe se João morreu logo após ter escrito a ultima linha, certamente João já estava morto desde o inicio.
João foi enterrado como todas as pessoas que não são indigentes, se juntam alguns amigos, chamam parentes distantes, arranja-se um caixão dividido para dez vezes sem juros, aluga-se uma cova por 40 anos e o enterram com o seu melhor terno.
Ele deixara saudade?
Talvez, ele não fazia mal a muita gente. E alem de tudo João não tinha muitos amigos.
[J]