Na falta de uma dose tudo se dissolve

Eu vejo estrelas quando fecho os olhos, quanto mais triste mais estrelas deixam de brilhar, ultimamente tenho visto poucas, algumas ainda brilham, mas é aquele brilho fosco de quem ainda não se apagou.

O fim da linha é só o começo de um novo ciclo, ao menos chegue ao fim para tentar recomeçar, não adianta parar e deixar tudo pela metade, já basta a metade do bolo que estragou, a metade da musica para compor, a metade do caminho de volta, a metade de uma vida que se encerra no punho exagerado, que acelera um motor desgovernado, que mira no pára-choque de um caminhão distraído, a metade do seu corpo de um lado e a outra no outro, o sangue em gotas pela avenida, a saudade mortífera da certeza que é inteira, metade dos que estão ali não te conhecem e a outra metade é só curiosidade, ninguém ajuda, ninguém pode ajudar, ninguém te deixará respirar, seu esforço para fazer sua morte ainda mais trágica com um grito entalado que sai pela metade com frases inteiras a se perder num pensamento que fica escuro e longínquo demais para prosseguir.

A cada dia um novo problema, em cada problema uma especulação sobre os motivos da vida. Quem fez o sofrimento? Deus ou o homem?

A alegria num cego que morre de fome, a fome que morre numa mesa farta, uma passagem desgraçada ou uma visita repentina, o suprimento de calma e a tentação da culpa, o resto da atenção e a falta de definição, o mundo medíocre e as saídas mais fáceis, promessas afins e uma descarga elétrica no meio da noite.


(jefferson dos santos)