Descasos

Doce resto daquilo que nunca sobra, raridade humana daquilo que corrompe, velho vicio, novas substancias, sábia maneira de não se entregar, infeliz desejo que carrego de prontidão sempre e toda vez que nos encontramos pelos caminhos diários.

Usa-se esse fardo quando necessário, nega as reações de um instinto natural, máquina condensadora de nenhum afeto, tentei prosseguir e continuo tentando, mas tento menos toda vez que me foge, quando vejo que uma pequena porta bloqueia a entrada me afastando do alinhamento constante, percebo o quanto vivi e o quanto não consigo me afastar.

Estou cansado, precisando dormir, mas uma chamada me obriga a fazer o que ainda não fiz, ultrapassando e esquecendo tantas vertentes, invertendo as cores e clareando o horizonte, vejo mil rosas pálidas, caindo sobre esses pés que trago descalços, sobre minha cabeça tanta culpa, tantos problemas, tantas sedes, poucos inimigos.

Ele continua por lá a lançar velhas mágoas ao mar, sentado em silencio nem vê que a rua passa entre a massa e a confusão, redigindo certas idéias ele chega à conclusão e encerra mais uma página da sua vida.

(jefferson dos santos)