Meu enredo escarno, fatídico, ilusório, armado, velho enredo mísero, incerto, confuso e banal, enredo maldito das ânsias abortadas, das frases fracionadas, facções de verbos desprovidos, carrascos revoltos da comédia diária, peças animadas de um teatro morto, gárgulas da hipocrisia meridional, falsos insultos sem vigor, jogo corrupto de tédios, nortes de um rumo atípico, sentidos medíocres do néctar venenoso de lágrimas inocentes, fundos intactos de um cozer impróprio, carnes extraviadas de uma fome esquecida, oficio maquiavélico da minha própria dor, enredo que não mais escrevo, casta de tribos extintas, hierarquia improvisada de golpes ilegais, sonífero mortal da realidade.
És tu, estúpido enredo de meu teatro inacabado, que me persegue aterradoramente para um fim me levar, que esconde meu rosto manchado por lágrimas aflitas, és tu enredo maestro de tantas vidas, não dependo mais de ti para ser feliz, enredo vertiginoso, pecaminoso, periculoso, infeccioso, arco orgulhoso do nó que te destrói, fonte astuta finita, salubridade temerosa, ruivo estridente do sofrer, me livro deste enredo cruel.
Meu corpo será enterrado a beira de qualquer esquecimento, meu corpo pútrido um dia será anunciado, não peço coro nem velas, não quero choro nem sorrisos, não quero lembranças nem planos, não quero perdão nem ódio, não quero reza nem orações, quero o brilho dos olhos lacrimejados do meu amor, quero a sede dos beijos que te dei, quero seu coração pulsando pelo meu já parado, não quero arrependimento, quero levar a ultima lembrança do ultimo instante, do ultimo sorriso, do ultimo mow, da ultima chuva, do ultimo abraço, não quero levar o que não posso deixar, apenas saiam da frente e deixe meu amor passar.
Não quero túmulo, para que não seja saqueado, nem caixão, para que não seja pesado me enterrar, não quero um lugar só meu, para que não seja fácil me achar, não quero buraco, para que não seja fácil me esconder, não quero vizinhos, para que não os incomode, me joguem ao mar, me devorem ao fogo, dêem sumiço ao tudo que sou, preciso ser largado ao vácuo do acaso, do que me adianta homenagens depois de cego para ver e surdo para ouvir?
Mandem chamar meu violão, deixe-o me ver partir, avisem aos meus chapeis que fui viajar para bem longe e que lá não se usa chapéu, diga ao meu cobertor que não sinto frio nem calor, guardem meus textos num lugar que ninguém os encontre, já não me servirá mais a comoção pelo que eu escrevia, a mediocridade será maior agora, já que ninguém queria ler, não será agora que vão fazer isso, se possível os enterrem comigo, não esqueça nenhuma folha que por descuido rabisquei, não maltratem quem eu amo, não gritem com quem eu estimo, meus estimados bichos merecem tanto respeito quanto vocês, avisem na biblioteca que o livro vai ser devolvido, ao seguro que morro feliz, ao papa que nunca acreditei, aos amigos que os agradeço por aquela tarde, por aquele futebol mal jogado, não esqueçam de avisar ao mar que não volto mais por lá, a policia que não mais serei suspeito por aquilo que não carrego, ao bêbado que minha inveja pela sua loucura foi satisfatória, mas quando o mundo quiser-me acusar finjam que não me conhecem, neguem minha alegria, minha tristeza também, escondam a verdade desse mundo que não merece nossos suspiros ao pé do silêncio e não esqueçam de louvarem o por e o nascer do sol sempre e em cada dia.
Arrastem cada pedaço vil dessa dor que se aproxima para longe dos teus dias, pois força não é resistir a forca, é não deixar que te amarrem lá...
És tu, estúpido enredo de meu teatro inacabado, que me persegue aterradoramente para um fim me levar, que esconde meu rosto manchado por lágrimas aflitas, és tu enredo maestro de tantas vidas, não dependo mais de ti para ser feliz, enredo vertiginoso, pecaminoso, periculoso, infeccioso, arco orgulhoso do nó que te destrói, fonte astuta finita, salubridade temerosa, ruivo estridente do sofrer, me livro deste enredo cruel.
Meu corpo será enterrado a beira de qualquer esquecimento, meu corpo pútrido um dia será anunciado, não peço coro nem velas, não quero choro nem sorrisos, não quero lembranças nem planos, não quero perdão nem ódio, não quero reza nem orações, quero o brilho dos olhos lacrimejados do meu amor, quero a sede dos beijos que te dei, quero seu coração pulsando pelo meu já parado, não quero arrependimento, quero levar a ultima lembrança do ultimo instante, do ultimo sorriso, do ultimo mow, da ultima chuva, do ultimo abraço, não quero levar o que não posso deixar, apenas saiam da frente e deixe meu amor passar.
Não quero túmulo, para que não seja saqueado, nem caixão, para que não seja pesado me enterrar, não quero um lugar só meu, para que não seja fácil me achar, não quero buraco, para que não seja fácil me esconder, não quero vizinhos, para que não os incomode, me joguem ao mar, me devorem ao fogo, dêem sumiço ao tudo que sou, preciso ser largado ao vácuo do acaso, do que me adianta homenagens depois de cego para ver e surdo para ouvir?
Mandem chamar meu violão, deixe-o me ver partir, avisem aos meus chapeis que fui viajar para bem longe e que lá não se usa chapéu, diga ao meu cobertor que não sinto frio nem calor, guardem meus textos num lugar que ninguém os encontre, já não me servirá mais a comoção pelo que eu escrevia, a mediocridade será maior agora, já que ninguém queria ler, não será agora que vão fazer isso, se possível os enterrem comigo, não esqueça nenhuma folha que por descuido rabisquei, não maltratem quem eu amo, não gritem com quem eu estimo, meus estimados bichos merecem tanto respeito quanto vocês, avisem na biblioteca que o livro vai ser devolvido, ao seguro que morro feliz, ao papa que nunca acreditei, aos amigos que os agradeço por aquela tarde, por aquele futebol mal jogado, não esqueçam de avisar ao mar que não volto mais por lá, a policia que não mais serei suspeito por aquilo que não carrego, ao bêbado que minha inveja pela sua loucura foi satisfatória, mas quando o mundo quiser-me acusar finjam que não me conhecem, neguem minha alegria, minha tristeza também, escondam a verdade desse mundo que não merece nossos suspiros ao pé do silêncio e não esqueçam de louvarem o por e o nascer do sol sempre e em cada dia.
Arrastem cada pedaço vil dessa dor que se aproxima para longe dos teus dias, pois força não é resistir a forca, é não deixar que te amarrem lá...
(Jefferson dos Santos)




